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Estado de Minas ANNA MARINA

Boas recordações de Ouro Preto neste 21 de abril

Este ano, por causa da pandemia, homenagens serão simbólicas e sem público na Praça Tiradentes


21/04/2021 04:00 - atualizado 21/04/2021 07:15

Cerimônia na Praça Tiradentes, em Ouro Preto, sempre reuniu populares. Este ano, por causa da pandemia, homenagens serão simbólicas e sem público(foto: Juarez Rodrigues/EM/D.A Press)
Cerimônia na Praça Tiradentes, em Ouro Preto, sempre reuniu populares. Este ano, por causa da pandemia, homenagens serão simbólicas e sem público (foto: Juarez Rodrigues/EM/D.A Press)

Pandemia serve para um exercício que, quando estamos a plena carga, nunca temos tempo: o de lembrar tempos passados, encontros com amigos, dias em que o nada era pleno, importante. Buscando acontecimentos na memória, lembrei-me do bom que era passar o 21 de abril em Ouro Preto, mesmo sem quase ir participar da solenidade realizada na praça. Da qual participamos três vezes: quando minha sogra, Cecilia Siqueira, recebeu a medalha, meu marido, Cyro, e eu.

É claro que no meu caso a movimentação foi maior: minha irmã querida, que já se foi, veio do Rio com o marido para participar da homenagem e todos os meus amigos avisaram que também iam. Resultado: fretamos um ônibus para ir todos juntos e, no veículo, foi montado um boteco, com muita cerveja gelada, muitos salgadinhos. A viagem da porta da minha casa até Ouro Preto foi uma farra só. E como a maioria já era batizada com a cervejada, chegamos sóbrios para participar da festa na praça, que continuou depois que os discursos terminaram.

Coisa difícil com a idade é lembrar de nomes de pessoas e lugares. Em Ouro Preto, tínhamos dois lugares que frequentávamos todas as vezes que íamos para lá passar fim de semana. Um deles era o bar da praça, na contraesquina da casa de Theódulo Pereira, que, depois que ele se foi, a família transformou em hotel, não sei se continua; e o outro o melhor restaurante da cidade, onde eu ia comer bambá de couve, uma delícia. Os donos, quando me viam, já sabiam do que eu gostava de comer. E não é que não consigo mais me lembrar do nome deles?

Houve um tempo em que ia muito na cidade, porque Angela Gutierrez, secretária estadual de Cultura, me colocou na presidência do Iepha e participei com ela da instalação do Museu Guignard, na Rua Direita. Com seu tino e seus conhecimentos, ela conseguiu levantar muita coisa do artista que amava a cidade e a deixou imortalizada em quadros e mais quadros.

A atração pela cidade era tão grande que, em certa época, um sonho louco nos pegou: ser donos de um hotel por lá. A casa já era um hotel, que ficava perto da Igreja Nossa Senhora do Carmo, e durante uns poucos meses fomos proprietários do estabelecimento, junto com alguns amigos. O sonho não foi longe, porque nenhum dos proprietários tinha tino, paciência e tenacidade para tocar um hotel, ocupação mais do que trabalhosa. Em pouco tempo mudou de mãos e nem sei também se ainda existe.

Curiosidade é que não volto à cidade há mais de 10 anos, conhecia a estrada de cor, pegava o carro e guiava daqui lá numa boa, sem nenhuma preocupação. Levava às vezes minha mãe, que também adorava a cidade. Numa dessas viagens, que fomos parece para participar de um casamento da família, estávamos acertando a conta quando ela pegou numa discussão feia com um homem que estava lá, falando da cidade, dizendo que aquela velharia devia ser posta abaixo, quem tem tempo de curtir essas coisas por aqui?

Ela brigou veio, chamou o homem de analfabeto, ignorante, sem nenhuma cultura e conhecimento do barroco brasileiro. A briga foi feia, tive que afastá-la de perto do homem que – descobri depois –, parecia que era prefeito de Vitória ou governador do Espírito Santo. Mas o bate-boca valeu, o homem escutou o que não queria de uma senhora aparentemente pacata, mas firme em seus conhecimentos sobre a cidade.

Hoje seria dia de aparecer – em outros tempos, é claro –, mas como o mundo parou, nem sei se a comemoração do 21 de abril vai ser virtual. Sei que a Praça Tiradentes – para honrar a data – estará mais do que vazia. Sem discursos e com os botequins, que são todos ótimos, fechados. Essas coisas são boas de lembrar – mas o lado da memória que não se lembra de nomes, mas felizmente ainda não esqueceu os fatos, vai nos proporcionando boas recordações.

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