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Saiba porque o marca-passo prorroga a vida de cardíacos

Cardiologista explica que alguns pacientes chegam a ganhar mais de 60 anos de sobrevida por implantar o aparelho


05/03/2021 04:00 - atualizado 04/03/2021 19:04

Meu pai era médico, formado no Rio de Janeiro. Formado, voltou para sua terra, Santa Luzia, onde se casou de novo e teve oito filhos. Atendia toda a cidade e vizinhanças, médico do interior não tem hora nem dia para acudir os doentes. Não recusava atendimento, de carro ou no lombo de um cavalo. E como médico, sabia da doença da qual sofria, insuficiência cardíaca, e que, naquela época, não tinha tratamento. Morreu aos 36 anos, há 83 anos, de problema cardíaco que, hoje, é de fácil tratamento. Naquele tempo, ninguém conhecia ainda o marca-passo, que só foi inventado em 1932, por Albert Hyman.

O primeiro marca-passo artificial da história foi utilizado em um portador de bloqueio cardíaco e consistia em um equipamento que produzia energia por manivelas e estimulava o coração. Devido ao peso da invenção, cerca de 7kg, ele funcionava fora do peito, por ser impossível implantá-lo. Anos e anos depois da morte de meu pai, o que se dizia de sua morte é que atualmente estaria totalmente curado. Para simplificar, o que se dizia é que com o auxílio de um dedo alargando uma de suas veias coronárias, não teria morrido tão jovem.

Hoje são raras as pessoas que não se tratam quando sentem algum problema cardíaco ou circulatório. Mas antes do advento do aparelho, não havia tratamentos disponíveis e viáveis para pessoas que necessitavam de estimulação cardíaca elétrica artificial. Portanto, o coração que perdia a capacidade de batimento e tinha frequência cardíaca afetada ou reduzida resultava em paciente extremamente sintomático.

O médico cardiologista Roberto Yano explica que naquela época era comum que pacientes evoluíssem para os distúrbios na condução elétrica, com bloqueios graves no coração, que tinham expressiva redução na expectativa de vida e uma piora no bem-estar do paciente, que era condicionado a conviver com sintomas de baixo débito cardíaco como cansaço, tontura, desmaios, falta de ar e até a morte.

“Essa invenção revolucionou a medicina, pois os pacientes com batimentos lentos decorrentes de bloqueios graves na corrente elétrica cardíaca, simplesmente não sobreviviam. Aqueles que não morriam, passavam a ter sintomas muito limitantes, além de qualidade de vida muito ruim. Existem casos de pessoas que ganharam mais de 60 anos de sobrevida por implantar o marca-passo em tempo hábil”, avalia o cardiologista.

Ele explica que o coração, para se contrair, precisa de correntes elétricas produzidas pelas células do coração para estimular o batimento cardíaco. Essas células estão localizadas em pontos estratégicos do coração, como o nó sinusal e o nó atrioventricular. A problemática surge visto que há doenças, como o infarto, insuficiência cardíaca, doença de Chagas ou o próprio envelhecimento do sistema de condução, por exemplo, que fazem com que essas células que produzem as correntes elétricas fiquem doentes.

“Quando o sistema de condução está doente, ocorre diminuição da frequência cardíaca desse paciente e ele passa a ter sintomas. Existem casos em que os bloqueios ou falhas são tão graves que necessitam de implante de marca-passo de imediato ou o paciente vai a óbito”, explica.

Incumbido de realizar estimulação e regularização cardíaca, o marca-passo pode monitorar e identificar batimentos irregulares, lentos ou até mesmo pausas. “Se o aparelho for programado para estimular a partir de 70bpm e seu coração estiver batendo ritmicamente a 80bpm, o marca-passo identifica como batimentos normais e não age estimulando. Quando o ritmo fica abaixo de 70bpm, ou seja, abaixo da frequência cardíaca programada, o aparelho entende que precisa agir e libera estímulos elétricos ao coração”, esclarece o cardiologista.

Além disso, as recomendações de uso de marca-passo se dividem em classes. As indicações clássicas são para a doença do nó sinusal, bloqueios atrioventriculares que ocorrem no feixe de his ou abaixo dele, por exemplo, os bloqueios de segundo grau do tipo 2 e bloqueios atrioventriculares totais. “Existem ainda casos de paciente com hipersensibilidade do seio carotídeo ou síncope neurocardiogênica em que o marca-passo também pode ser indicado, assim como também é recomendado para pacientes com bradicardia e estão sintomáticos”, pontua Roberto Yano.

Os sintomas de doenças causadas pela obstrução dos vasos do coração variam de pessoa para pessoa e dependem de alguns fatores. Entre eles, as artérias que foram afetadas, a gravidade do estreitamento e a frequência de atividade física do paciente. Alguns sintomas podem ser indicativos de alerta, entre eles, dor no peito (angina), fadiga e fraqueza extrema, desmaio ou tonteira, e pulsação irregular e acelerada. Náusea, falta de apetite, inchaço, ansiedade e falta de ar também podem ser indicativos de ataque cardíaco.

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