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Estado de Minas entrevista/Carolina Matsuse - 30 anos, Engenheira e empresária

Fashiontech com sangue mineiro

Mineira abandona engenharia e cria grife com tecidos antivirais que se torna sucesso


08/08/2021 04:00

(foto: DIVULGAÇÂO)
(foto: DIVULGAÇÂO)


Nascida em Juiz de Fora, Carolina Matsuse voou alto atrás de seus objetivos. Mesmo com um emprego promissor, com projeção internacional, decidiu empreender quando isso ainda era considerado loucura, principalmente para uma jovem que estava com uma carreira em ascensão. Mas a mineira não se deixou abater e, ao lado do sócio – e namorado – Yuri Gricheno, fundou a Insider, uma marca de roupas funcionais, que aposta em tecnologia têxtil para desenvolver peças duráveis, práticas e que respeitam o meio ambiente. Suas roupas em modal (tecido feito de fibra celulósica) usa até 20 vezes menos água no desenvolvimento que o algodão. Com isso, a empresa economizou o consumo de mais de 500 milhões de litros de água nos últimos quatro anos. Tudo começou para atender uma necessidade de conforto do namorado e sócio e por mais de dois anos trabalharam apenas com moda masculina. Com a pandemia do COVID-19, o fato de serem precursores do uso de tecido anti-viral levou a empresa a ter um grande crescimento e também uma demanda do público feminino. Decidiram ampliar e lançaram a coleção feminina. Em 2020, com a pandemia, a startup foi a primeira empresa no Brasil a criar máscaras e camisetas antivirais, com íons de prata, eficientes para inativar o coronavírus. Com isso, a empresa cresceu quatro vezes de 2019 para 2020, chegando a R$ 30 milhões de faturamento, com previsão de alcançar a marca de R$ 60 milhões este ano. Entre lançamentos e novidades, a empreendedora fala sobre o sucesso da marca na pandemia, carreira e a vontade de voltar a Minas para rever a família e os fornecedores locais.
 
(foto: Divulgação)
(foto: Divulgação)
 
Qual sua maior motivação?
O que mais me motiva é poder criar algo que mude uma realidade que me incomoda, como o fato de a indústria da moda ser a segunda mais poluente.

Como foi seu início profissional?
Eu me formei em engenharia pelo ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), em São José dos Campos. Formei em 2014 e ingressei no mercado de trabalho em São Paulo, na consultoria estratégica BCG (Boston Consulting Group), que tem atuação global e, aqui, no Brasil possui escritórios em São Paulo e no Rio de Janeiro. Depois, trabalhei em startups como Quinto Andar e Uber, e logo abri minha empresa, a marca nativa digital de roupas Insider www.insiderstore.com.br, com sede em São Paulo.
 

"O que mais me motiva a empreender é poder criar algo que mude uma realidade que me incomoda. No caso, me incomoda o fato de a indústria da moda ser a segunda mais poluente"

 

Quando saiu de Minas Gerais?
Saí de Juiz de Fora aos 18 anos, em 2010, para estudar no ITA e depois fui morar em São Paulo, onde estou até hoje e é onde fica a sede da minha empresa.

Vai muito a Juiz de Fora?
Antes da pandemia, ia mensalmente a Juiz de Fora ver minha família e aproveitava para visitar um dos nossos principais fornecedores, que também fica em Minas Gerais. Assim que todos estiverem vacinados, voltaremos a essa rotina pré-pandemia.

Quando e como surgiu a ideia de criar a Insider e qual a proposta da marca?
A ideia inicial da Insider foi trazer tecnologia e funcionalidade para as roupas do dia a dia. Essa ideia surgiu a partir da necessidade do meu sócio, Yuri Gricheno, que trabalhava em consultoria antes da Insider e usava roupa social todos os dias. Ele tinha uma insatisfação com as camisas sociais que logo ficavam manchadas com o uso. Outra dificuldade era usar roupa social no calor do Brasil. Por isso, queria desenvolver uma peça de roupa com tecnologia embarcada, que resolvesse esse incômodo. Achei a ideia promissora e me juntei a ele para encontrar uma solução. Lançamos, em 2017, nosso primeiro produto: as undershirts anti-suor, produto a partir do qual desenvolvemos todo o restante do portfólio da Insider, sempre com peças funcionais, focadas em levar mais praticidade e conforto para a vida das pessoas. Hoje, temos camisetas esportivas que regulam a temperatura corporal por meio de uma tecnologia inicialmente desenvolvida pela NASA, camisetas casuais que não precisam ser passadas e não desbotam com o passar do tempo, além de underwear antibacteriana.

 
Como foram os primeiros passos como empreendedora e quem ajudou nessa caminhada?
Quando começamos, há mais de quatro anos, ainda não estava "na moda" empreender. Iniciar uma empresa ainda era visto por amigos e parentes como loucura, algo extremamente ousado e arriscado para quem tinha um emprego promissor, com projeção internacional. Não vou negar que sofri críticas também por ser uma engenheira do ITA começando um e-commerce de roupa, mas seguimos firmes e fortes, sempre focados no "end game" de tornar a Insider uma marca líder em inovação, trazendo tecnologia às roupas. No caminho, contei com a troca de ideia com muitos empreendedores, com a Endeavor, organização de apoio a empreendedores que organiza mentorias, e, claro, todo o time da Insider, que mesmo quando éramos bem menores, apostou na empresa e deu o sangue.

Qual o motivo do sucesso da Insider?
Não tem um único motivo, acho que são várias coisas juntas: produtos atemporais focados em funcionalidade e de alta durabilidade, o modelo de negócio 100% digital, que nos permite gastar energia com o canal que sabemos fazer melhor, o online, e nos permite um contato direto com o consumidor final; e, claro, um time alinhado entre si e alinhado ao propósito da marca, que é facilitar o dia a dia das pessoas por meio de roupas funcionais.

A marca registrou crescimento na pandemia com produtos antivirais. Como foi o processo de criação desses produtos em um momento tão conturbado?
Já vínhamos desenvolvendo estudos e testes, inclusive aplicando em algumas linhas de produtos, a tecnologia de íons e prata com função antimicrobiana. Com o início da pandemia, em parceria com nosso laboratório parceiro de nanotecnologia, fizemos alguns ajustes e submetemos o ativo antimicrobiano para validação também da ação antiviral. Com aprovação e laudos, seguimos para produção em escala e comercialização. Fomos a empresa pioneira a fazer isso no Brasil.

Vocês perceberam uma mudança no comportamento do consumidor durante a pandemia?
Com as lojas do varejo físico fechadas, o consumidor se habituou a comprar muito mais no online. Por estarmos bem posicionados ali, como marca 100% digital, conseguimos capturar uma boa parte da demanda por compras no ambiente virtual. Em termos de consumo de categorias de roupas, percebemos um maior interesse em itens confortáveis e práticos, o que já estava em linha com os produtos que criamos, mas adiantamos o lançamento da linha feminina para atender principalmente a demanda de mulheres que conheceram a Insider pela linha antiviral. Até então, éramos voltados ao público masculino.

Apesar de vocês trabalharem com moda masculina, os compradores eram homens ou eram as mulheres que compravam para os companheiros?
Quando nosso portfólio era 100% masculino, cerca de 80% dos compradores eram homens e 20% mulheres, que compravam para o marido, filho ou pai.

Como foi o lançamento da moda feminina? Qual foi a primeira peça e como foi a receptividade por 
parte da consumidora?
Com a entrada dos produtos antivirais, mais mulheres começaram a conhecer a Insider e a demandar produtos essenciais femininos, como underwear e tech t-shirts – as primeiras peças que lançamos para as mulheres. Foi então que, no fim de 2020, lançamos nossos primeiros produtos femininos. A receptividade foi muito positiva, pois já havia demanda reprimida por esses produtos e mulheres que os aguardavam. Agora estamos em um movimento de ampliar ainda mais a oferta de itens para esse público, tanto em peças diferentes como em cores.

O que te inspira como mulher empreendedora e que você se empenha para que a Insider reflita?
O que mais me motiva a empreender é poder criar algo que mude uma realidade que me incomoda. No caso, me incomoda o fato de a indústria da moda ser a segunda mais poluente, ficando atrás apenas da indústria de óleo e gás. Ao trazer para o mercado produtos mais sustentáveis (nossos produtos gastam até 4x menos água para serem produzidos), duráveis e atemporais, vamos contra a corrente de fast fashion que existe atualmente, que incentiva o consumismo exacerbado de produtos de baixa qualidade e vida útil.

Fale um pouco dos planos da marca e do que esperar para o futuro.
Estamos em um sprint de lançamento de produtos para que a gente consiga expandir nosso portfólio e ser um "one stop shop" para os nossos clientes, que vão, a partir de agora, conseguir construir o "look Insider" ou o "guarda-roupa Insider". Além disso, em agosto, iniciaremos as operações do nosso e-commerce internacional, com entregas para todo o mundo em até 7 dias. 


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