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Não se deixe abater pela 'infodemia' que domina a TV

A COVID preocupa o mundo, mas continuo tossindo, como sempre, e perdi o olfato. Meu sobrinho, internado na UTI por causa do diabetes, já se recuperou


13/01/2021 04:00


Sou “paramédica”, herança talvez do DNA paterno. O certo é que além das oito cirurgias com anestesia geral que já fiz – sempre nas mãos de Juarez Furletti, que não trabalha mais como anestesista porque fez 70 anos, acho a maior covardia –, saco longe os sintomas de doenças, minhas e dos próximos. Nos anos depois de minha última cirurgia de câncer, era procurada na redação aqui do jornal por amigas para opinar sobre até onde iam os sintomas de suas doenças.

Uma empresária me telefonou contando seus sintomas no maior segredo, a família não sabia de nada. E não sabia mesmo, ela me informou que tinha câncer de pâncreas – geralmente, o paciente não vai longe. Resolvi telefonar para uma pessoa da família e contar o que estava acontecendo. Era um filho, que realmente não sabia do estado de saúde da mãe, que morreu logo depois.

É por isso mesmo que passo longe desses avisos aterradores de sintomas da COVID-19. Tusso e espirro muito de manhã, quando faço minha refeição, há anos não tenho mais olfato e o paladar está péssimo. Todos os sintomas do coronavírus. Como já são meus companheiros há anos, não tomo o menor conhecimento deles. Gostaria de ter esses sentidos de volta para poder apreciar uma manga ubá como sempre apreciei, sentir o aroma dos perfumes que sempre usei.

Para completar a perda dessas características naturais do corpo, perdi também a lágrima. Não cai dos meus olhos nem quando descasco cebola ou participo de situações de tristeza extrema. Essa história de lágrima me custa mais caro: andei fazendo uma pesquisa para descobrir como é possível desentupir o canal lacrimal para poder chorar à vontade (nunca fui chorona), mas meu sobrinho médico me aconselhou a deixar pra lá – não vale a pena e o processo é muito incômodo.

Então, não sofro com essa onda de infodemia, que divulga nos noticiários da TV tudo que é sintoma de morte certa. Como contei aqui, semanas atrás, o único caso grave que apareceu em minha família de COVID-19; tenho o maior interesse de continuar com o resultado do drama familiar. Meu sobrinho, que tem um pouco de diabetes, do qual cuida pouco, foi parar no CTI do Hospital Mater Dei em péssimo estado. Tinha tudo de ruim que a doença traz, como problemas renais e de pulmão. Na avaliação leiga, estava mais pra lá do que pra cá.

Henrique Salvador, que é muito meu amigo, me telefonava diariamente informando o desenrolar do estado do sobrinho. Mas nunca, mesmo quando eu insistia, ele se aventurava a fazer uma previsão. O certo é que, a uma altura do tratamento, foi preciso colocar o paciente no Prisma, aparelho que só existe no Mater Dei, para que fosse submetido à hemodiálise renal e de sangue ao mesmo tempo – durante três dias. Depois disso, foi melhorando.

Marcos Lasmar, que assumiu o caso, não deixou que ele saísse do hospital com um cateter funcionando para caso de necessidade. E lá ficou meu sobrinho por mais alguns dias. O sofrimento durou um mês, no total.

No último sábado, ele foi me visitar em casa, para mostrar seu estado geral: já está dirigindo, vai ao escritório de sua firma todas as manhãs, à tarde se submete à sessão de fisioterapia com um especialista. Nos primeiros dias em casa, não se virava na cama, tinha de ser levado pelo enfermeiro para tomar banho. Quando se sentiu melhor, achou que podia fazer uma caminhada, não conseguiu dar 10 passos sem achar que ia morrer de cansaço. O fisioterapeuta coordenou seu retorno. Ele começou com aparelho para andar, passou a ser amparado pelo profissional e, aos poucos, foi recuperando o controle muscular. Depois de alguns dias, passou a andar sem ser amparado.

Daí para achar que já podia guiar seu carro foi um tempo pequeno. Recuperando-se aos poucos, com o corpo retomando o antigo vigor, ele já guia e sai de casa, sempre com uma companhia, é claro. Na tarde em que foi à minha casa, contou todas as suas dúvidas, ganhos e ações de agradecimento (é batista). Estava fazendo tempo para seguir para uma das distrações de que mais gosta: jantar fora. Foi com a mulher, numa boa, ao único restaurante onde encontrou vaga. Os outros, mais conhecidos, estavam totalmente reservados. Mas no dia seguinte iria repetir a dose. Deus o tenha.

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