Continue lendo os seus conteúdos favoritos.

Assine o Estado de Minas.

price

Estado de Minas

de R$ 9,90 por apenas

R$ 1,90

nos 2 primeiros meses

Utilizamos tecnologia e segurança do Google para fazer a assinatura.

Assine agora o Estado de Minas por R$ 9,90/mês. ASSINE AGORA >>

Publicidade

Estado de Minas ANNA MARINA

Combate à obesidade no Brasil está obsoleto

O problema, que atinge 26,8% dos brasileiros, deve ser repensado, defendem especialistas reunidos pela nutricionista Sophie Deram


26/12/2020 04:00

A nutricionista Sophie Deram defende a reorientação de tratamentos para a obesidade(foto: Mohammed ABED/afp)
A nutricionista Sophie Deram defende a reorientação de tratamentos para a obesidade (foto: Mohammed ABED/afp)

 
Muito se falou em saúde durante este ano. Um vírus acometeu o mundo e vitimou milhares de pessoas. Entretanto, há outra epidemia mais silenciosa e, assim como a COVID-19, pode ser fatal. A obesidade cresce de forma vertiginosa desde os anos 1970, Em 2019, chegou a atingir 26,8% dos brasileiros, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
 
Diante desse cenário, Sophie Deram, Ph.D. em nutrição e autora do best-seller O peso das dietas, organizou encontro relativo a um novo olhar sobre a obesidade, reunindo especialistas conceituados com o propósito de alertar que o tratamento de pessoas que sofrem com essa condição é um fracasso e precisa ser repensado. Com base nas discussões trazidas pelos palestrantes, a nutricionista levantou sete motivos para oferecer nova abordagem para o problema. Confira quais são:
 
1. A obesidade é um distúrbio sistêmico. O tratamento da obesidade é complexo. Intervenções como a cirurgia bariátrica podem gerar reganho de peso, enquanto remédios para emagrecer apresentam mais efeitos colaterais que benefícios. De acordo com o pesquisador Dennys Cintra, a obesidade é sistêmica. Não apenas pelo aspecto molecular, e sim porque os cuidados exigem atuação de muitos profissionais, ações e políticas públicas.
 
2. A microbiota intestinal pode participar do desenvolvimento da obesidade. Para a pesquisadora Maria Carolina Santos Mendes, a microbiota intestinal desempenha diversas funções e influencia a capacidade de extrair energia dos alimentos. Poluição, aditivos alimentares, antibióticos, abandono da alimentação tradicional e consumo de alimentos ultraprocessados estão associados à menor diversidade da microbiota intestinal, contribuindo para o desenvolvimento da obesidade.
 
3. 95% das pessoas que fazem dieta voltam a engordar. Comer bem e ter alimentação saudável são peças fundamentais para o tratamento da obesidade. No entanto, é muito comum confundir comer melhor com comer menos e fazer dietas restritivas. Na verdade, a restrição alimentar mais atrapalha do que ajuda. Privar-se de comida contribui para o efeito sanfona e para o desenvolvimento de transtornos alimentares como anorexia, bulimia nervosa e compulsão alimentar.
 
4. Pessoas com obesidade apresentam problemas de saúde física e mental. A psiquiatra Táki Cordás ressalta que a obesidade afeta a saúde mental, podendo contribuir para o desenvolvimento de transtornos alimentares e estar associada à depressão e ao transtorno bipolar.
 
5. A obesidade não é apenas uma responsabilidade individual. Vivemos em um ambiente com grande oferta de alimentos e inatividade física, o que especialistas chamam de ambiente obesogênico. Além disso, há a trivialização da alimentação: ela está sempre presente, é barata e não tem significado. Por isso não podemos dizer que a obesidade é apenas responsabilidade individual, pois é sensível ao ambiente social e cultural, variando entre as classes sociais e até mesmo entre os gêneros.
 
6. O ser humano se alimenta de alimentos e sentimentos. De acordo com Sophie Deram, não é possível controlar a comida o tempo todo, pois alimentação é razão e emoção. As pessoas comem quando estão felizes, querem celebrar algo ou estão tristes e encontram na comida uma forma de conforto. Isso mostra que comemos guiados pelas emoções. Ou seja, temos o comer emocional, que pode levar a distúrbios metabólicos e excesso de peso.
 
7. A autonomia deve ser um objetivo do tratamento da obesidade. É comum para pessoas que sofrem com sobrepeso buscar orientações sobre o quê, quanto e quando comer. Mas é preciso valorizar a autonomia. A médica Paula Teixeira sugere o comer consciente. Estudos mostram que quando a alimentação ocorre de forma mais consciente, a pessoa se mostra disposta a fazer escolhas consideradas saudáveis e pode apresentar menos episódios de compulsão alimentar e depressão.
Após ler os argumentos de Sophie Deram e dos demais especialistas, você concorda que o tratamento da obesidade precisa ser repensado de forma a ficar mais humano e responsável? Caso sim, junte-se aos profissionais que apoiam abordagem mais ampla, complexa, sem estigmas e com respeito.

*Para comentar, faça seu login ou assine

Publicidade