Continue lendo os seus conteúdos favoritos.

Assine o Estado de Minas.

price

Estado de Minas

de R$ 9,90 por apenas

R$ 1,90

nos 2 primeiros meses

Utilizamos tecnologia e segurança do Google para fazer a assinatura.

Assine agora o Estado de Minas por R$ 9,90/mês. ASSINE AGORA >>

Publicidade

Estado de Minas

Fadiga é sinal de estresse, alerta neurocientista brasileiro

Elevada atividade cerebral, motivada pelo estresse, cria relação de dependência de dopamina e desregula as funções neurais, gerando desequilíbrio no organismo


03/12/2020 04:00


Amigos meus não acreditam na teoria que tenho, de que o medo de pegar a COVID-19 faz tão mal à saúde quanto a síndrome propriamente dita. Algumas pessoas são tão obcecadas que só conseguem ler os jornais usando luvas para impedir qualquer contato com o vírus. Mesmo mantendo algumas restrições razoáveis, sofro de um mal comum: a canseira de não ter algum dever fora de casa, a não ser a manutenção da despensa doméstica.

Mesmo assim, frequento o salão de Laura Nunes para fazer unhas, porque unha do pé doendo é pior do que qualquer coisa, mesmo não tendo que andar muito. E não fazer nada dá uma canseira danada, o que, para os leigos, é totalmente inexplicável. Gostei de saber, de quem entende, o que isso significa. Quem dá o caminho das pedras para nós é Fabiano de Abreu Rodrigues, neurocientista com especialização em Harvard, cuja teoria é aprovada em revista científica internacional. Ele explica que o estresse causa sintomas físicos – o principal é a fadiga física e mental, como resultado da elevada atividade cerebral.

“Dores musculares, dificuldade para levantar da cama pela manhã e total falta de energia durante o dia podem indicar estresse”, alerta Fabiano de Abreu Rodrigues. O brasileiro afirma, em artigo publicado pelo Brazilian Journal of Development com o título “Relação entre a fadiga, dependência de dopamina com as disfunções neuronais”, publicado em 5 de novembro, que o corpo responde diretamente aos estímulos mentais. “A elevada atividade cerebral motivada pelo estresse cria uma relação de dependência de dopamina e desregula as funções neurais, isso gera desequilíbrio no organismo”, explica.

O excesso de demandas e tecnologias tem agravado este quadro, inclusive nos pequenos. “Em outro estudo meu, publicado em 2018, mostrei inclusive como este cenário afeta o desenvolvimento cognitivo nas crianças, que têm tido um QI menor em relação a seus pais”, alerta. De acordo com seu artigo, Fabiano explica que a fadiga é um dos piores males vivenciados pelos seres humanos, fenômeno resultante da disfunção entre a dopamina e o cortisol, segundo estudos da Organização Mundial da Saúde (OMS).

“A fadiga é dividida em etapas: fadiga adrenal e fadiga muscular. A primeira é a dificuldade do corpo em lidar com o estresse alto, resultando nas disfunções das glândulas. A segunda é causada pelo excesso de atividades físicas, são aquelas dores musculares”, explica Fabiano. Também existe a fadiga crônica, vinculada à alta carga de estresse decorrente da vida profissional e familiar, e a fadiga mental, quando a mente fica sobrecarregada de informações. “Ainda há outros tipos menos conhecidos: a fadiga sensorial atinge a parte sensorial do corpo humano, nesse caso, ouvidos, olhos e paladar; e a fadiga de verão, que ocorre nos períodos mais quentes, levando à desidratação do corpo.”

Fabiano revela que quando existe uma situação contínua, surge a fadiga crônica, que passa a ser considerada como Síndrome da Fadiga Crônica (SFC). “Não existe uma resposta concreta para como se dá essa doença, apesar do avanço tecnológico. Porém, alguns estudos apontam que a fadiga possa vir dos neurotransmissores.”

Os neurotransmissores são responsáveis por transmitir as informações por meio das pré-sinapses e pós-sinapses, ativando a interação com as células. Entre os neurotransmissores, uma das substâncias mais importantes é a dopamina, conhecida como a “célula do prazer”. Quando as liberações são insuficientes, ela ativa o cortisol, que aumenta suas substâncias para imunização contra doenças, isso cria a sensação de fadiga, consequentemente existe uma disfuncionalidade dos neurotransmissores.

“Outros fatores importantes são os receptores, elementos importantes para captação de energia na qual esperam receber o suficientemente para transmissão de energia para as células, mantendo assim o bom funcionalismo orgânico do corpo”, detalha Fabiano.

Segundo o pesquisador, estar fadigado não significa estar cansado, mas que existe um distúrbio neural daquilo que desregulamenta nosso sistema imunológico. Tais fenômenos podem ter causas genéticas e ambientais, que envolvem traumas, estresse e ansiedade. “A minha proposta é traçar hábitos para comportamentos que geram fadigas, pois existem comportamentos diferenciados das pessoas que trazem consigo distúrbios dos neurotransmissores.”

Existe solução? Sim. Fabiano aconselha hábitos simples. “Dormir oito horas e ter atividades de lazer, como leitura de livros, e se afastar algumas horas por dia das telas. Caminhar, tomar sol, ter atividade física e dieta balanceada. Gosto de recomendar a dieta mediterrânea, que prioriza o consumo de grãos, vegetais e é rica em azeite extravirgem”, afirma. 

Não são metas difíceis, o problema é serem negligenciadas. “É necessário abrir espaços no dia a dia para estes momentos, é uma questão de saúde”, conclui.

*Para comentar, faça seu login ou assine

Publicidade