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A criança lesou o olho? Saiba o que fazer

Se álcool ou qualquer outro produto atingir o olho, recomenda-se lavar abundantemente, não usar remédio e buscar atendimento médico imediatamente


25/07/2020 04:00

Melhor forma de prevenir acidentes nos olhos dos pequenos é manter medicamentos e produtos de limpeza fora do alcance deles (foto: REPRODUÇÃO DE INTERNET )
Melhor forma de prevenir acidentes nos olhos dos pequenos é manter medicamentos e produtos de limpeza fora do alcance deles (foto: REPRODUÇÃO DE INTERNET )
Em meio à pandemia do coronavírus, crianças em casa multiplicam lesões nos olhos. Segundo o oftalmologista Leôncio Queiroz Neto, presidente do Instituto Penido Burnier, de São Paulo, algumas ocorrem por travessura, outras por acidente. Entre crianças, a causa mais frequente de ferimentos oculares são as queimaduras químicas por produtos de limpeza ou medicamentos, afirma. “Logo no começo da pandemia, atendi um menino que pingou produto de limpeza no olho e nem conseguia abrir as pálpebras quando chegou ao consultório”, conta. Há alguns dias, viralizou na internet o depoimento da mãe de Bento, que deixou cair álcool no olho e foi atendido no hospital por Natália Belo.

Álcool ou qualquer outro produto que caia no olho, recomenda-se lavar abundantemente, não instilar qualquer remédio, evitar esfregar os olhos e buscar atendimento oftalmológico imediatamente. A dor só é intensa, explica, quando o produto atinge a córnea, lente externa do olho que é comparada ao vidro do relógio por estar situada na frente do globo ocular. O desconforto é leve, mas também perigoso, quando a parte atingida é a conjuntiva que recobre a porção branca do olho.

Por sorte, apesar de ter atingido a córnea, a queimadura nas duas crianças foi superficial e a recuperação rápida. O problema, adverte, é que nem sempre o final dos acidentes é feliz. Prova disso é que as lesões e doenças na córnea são a terceira maior causa global de deficiência visual. Só perdem para a catarata e glaucoma. Anualmente somam 1,5 milhão de novos casos de perda da visão.

Queiroz Neto afirma que a melhor forma de prevenir acidentes nos olhos dos filhos durante a pandemia é seguir a recomendação dos fabricantes de medicamentos e produtos de limpeza – mantenha fora do alcance das crianças. Dentro de casa é mais indicado lavar as mãos com água e sabão.

O especialista afirma que o tratamento varia de acordo com a gravidade da queimadura. Nos casos leves, depois de examinar e higienizar a superfície do olho, o médico faz um curativo com anti-inflamatório para diminuir a irritação e aliviar a dor. A recuperação acontece em até três dias.

Dependendo do tempo de exposição, o álcool pode provocar ulcerações na córnea. Foi o que ocorreu com um universitário que, seguindo moda lançada nos EUA, derramou vodca no olho para embriagar mais rápido. “É claro que não conseguiu o objetivo. No olho só cabe uma gota de vodca e ninguém fica alto com uma dose dessas”, afirma. O problema é que o estudante insistiu na técnica. O estrago foi tamanho que, depois do uso de colírio, Queiroz Neto teve de fazer um transplante de córnea no estudante.

Não menos graves, comenta, são as queimaduras em acidentes de trabalho, como foi o caso de um motorista que queimou o olho na explosão de uma carga. Para recuperar a visão do paciente, Queiroz Neto implantou na área lesada células-tronco retiradas da membrana amniótica, parte interna da placenta.

O especialista Queiroz Neto afirma que, em várias partes do mundo, cientistas buscam um hidrogel que substitua o transplante de córnea. Isso porque as doações são menores do que a demanda por transplante no mundo todo. O último hidrogel desenvolvido no Canadá pode ser usado em perfurações totais, é injetado no olho em um procedimento ambulatorial e seca em cinco minutos. Ainda não está disponível no Brasil e, apesar de ser menos invasivo que um transplante convencional, a prevenção que mantém a integridade do olho é sempre melhor.
















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