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Estado de Minas

Home office vai perpetuar pós-COVID?

Trabalho remoto é a antítese da comunidade social. Relacionamento e o conjunto são essenciais a qualquer equipe


postado em 10/06/2020 04:00 / atualizado em 09/06/2020 19:29


O advogado Ordélio de Azevedo Sette é um profissional que respeito e admiro. De vez em quando, trocamos algumas informações e a que acabo de receber é perfeita, porque ele define o que também penso. O texto dele é o seguinte: “Uma sugestão que tomo a liberdade de fazer é um artigo sobre home office. Todos estão dizendo que veio para ficar e será o padrão futuro. Será? Acho que nem tanto assim. Como já dizia Aristóteles, o ser humano é político e social. Vale dizer que o meio social é inerente à natureza humana e trabalho remoto é a antítese da comunidade social. O relacionamento e o conjunto são essenciais a qualquer equipe. Não há entrosamento sem conjunto e nem integração. O que aconteceria se todo mundo ficasse em casa? Isolamento e solidão? Imagina se alguém que more em um apartamento de quarto e sala ou quitinete fosse viver dentro de um espaço desses horas a fio? A pandemia da COVID-19 está revelando a neura que a quarentena acarreta nas pessoas. Se isso for permanente, como reagiriam as pessoas? Penso que o pós-COVID terá um pouco mais de trabalho remoto, mas a regra será ainda o trabalho presencial nas empresas. Fica só minha ideia”.

 Estou com ele e não abro. Há mais de dois meses trabalho em casa, depois de frequentar durante 60 anos a redação deste jornal. De uma certa forma, passo mais tempo aqui do que desfrutando de minha casa, minha família, meus amigos. É claro que não sou só serviço, mas o trabalho fora de casa faz tanto parte de minha vida que não consigo entender como é que tem pessoas que estão adorando a situação. O contato com a redação, com os colegas, com os amigos é uma necessidade física, não dá para viver sem. É claro que continuo produzindo, que minhas obrigações continuam a ser cumpridas – mas há sempre a falta de um contato maior com o local de trabalho. Sem dúvida que a solidão acabou sendo uma companheira diária, não tem jeito de fugir, de procurar assunto no computador, de passar os olhos nos mais de 400 e-mails que continuo recebendo diariamente.

 Mesmo assim, com tudo isso, falta sempre a presença de outros, a possibilidade de trocar figurinhas com tudo que vai acontecendo ao longo dos dias. É claro que muitos empresários estão adorando essa situação, porque o home office tira deles uma série de obrigações, que diminuem o custo de manutenção das empresas. Mas o convívio da equipe dá aos funcionários o algo mais que vai além da obrigação, que abre novos horizontes. O que não é possível para quem só tem a janela do escritório ou as paredes da casa para receber nosso raciocínio, nossas dúvidas, nossas necessidades profissionais imediatas. 

Pode ser que isso seja uma tendência dos tempos modernos, que na realidade atinge todas as profissões. Uma delas, que me espanta muito é a escola virtual, as aulas serem assistidas por meio de computador, as lições resolvidas através de diretrizes passadas pelo professor, que não podem ser discutidas cara a cara. Se a classe presencial acabar nas escolas e universidades, acredito piamente que o ensino nacional vai mesmo pro brejo. Sem falar na perda dos professores, cujas aulas são drasticamente diminuídas pelo ensino a distância.

 Donos de colégios e universidades mergulharam com toda força e vontade nessa tendência que chegou forte por aqui. No fundo, existe a visão de que é preciso faturar mais, gastando menos. A mudança da classe presencial pela classe a distância significa uma economia e tanto para os donos de faculdades e colégios, que cortaram sem piedade as aulas em classe de seus profissionais. Mas o custo das disciplinas não baixou um centavo. O aluno paga a mesma mensalidade pelo estudo a distância – e estamos conversados. E principalmente “mudernos”, que é o que importa ser nos últimos tempos. 




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