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Estudo indica Alzheimer como maior fator para demência

À medida que aumenta a expectativa de vida, cresce também o número de acometidos pela doença


postado em 25/01/2020 04:00


Meu marido, Cyro Siqueira, teria completado 90 anos ontem, se não tivesse sido colhido por uma das enfermidades mais complicadas dos últimos anos: o Mal de Alzheimer. Tudo se fala sobre ela, as pesquisas são sempre intensificadas, mas quem convive com o problema sabe que existe uma diferença imensa sobre a realidade e a ciência. Só quem já vivenciou o problema sabe que há diferenças muito grandes sobre o que se divulga e o que se vive. Mas isso não deixa de lado a divulgação de pesquisas que são realizadas constantemente. Agora, por exemplo, o Instituto Alzheimer Brasil (IAB) acaba de divulgar que há cerca de 46,8 milhões de pessoas com demência no mundo. Este número praticamente irá dobrar a cada 20 anos, chegando a 74,7 milhões em 2030 e a 131,5 milhões em 2050. 

Estima-se que a cada 3,2 segundos um novo caso de demência é detectado no mundo, e a previsão é de que em 2050 haverá um novo caso a cada segundo. Embora não seja propriamente uma causa, a idade é um fator relevante. À medida que aumenta a expectativa de vida da população, aumenta também o número de pessoas que desenvolvem algum tipo de demência. A frequência varia conforme a faixa etária. Dos 65 aos 74 anos, é cerca de 3%; dos 75 aos 84, 18%; e acima de 85 anos, 47%. “É importante lembrar que no ‘envelhecimento normal’ há perdas cognitivas progressivas, numa escala pequena e de modo muito lento, não comprometendo o cotidiano da pessoa. Há também um quadro denominado ‘transtorno cognitivo leve’ ou ‘transtorno neurocognitivo menor’, que se caracteriza por perdas cognitivas mais significativas do que o ‘envelhecimento normal’, porém, leves e graduais, não chegando a configurar um quadro de demência”, explica Elaine Di Sarno, psicóloga com especialização em Avaliação Psicológica e Neuropsicológica e Terapia Cognitivo Comportamental, ambas pelo Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo. 

A principal causa de demência é a doença de Alzheimer. Cerca de 50 a 60% dos casos decorrem do Alzheimer. Em seguida, vem a demência vascular e a demência por corpúsculos de Lewy. Menos frequentes são as demências frontotemporais e as demências causadas por traumatismo cranioencefálico, infecções e alcoolismo. Há também as demências mistas (em geral, a associação de Alzheimer e demência vascular).

As demências se caracterizam por uma perda da capacidade cognitiva. Segundo Elaine, há diferenças entre as manifestações clínicas, mas, de modo geral, ocorre uma perda da capacidade de raciocínio, falhas de memória de curta duração (a pessoa se lembra de fatos antigos, mas não recorda o que fez há poucas horas), e dificuldade para organizar e executar tarefas cotidianas.“À medida que o quadro evolui, os sintomas se tornam mais intensos, havendo perda progressiva da memória, desorientação, dificuldade nas atividades cotidianas e problemas de linguagem. Esta é a evolução típica da demência na doença de Alzheimer, a mais frequente das demências”, reforça a psicóloga. Os tratamentos para as demências, especialmente Alzheimer, incluem medicamentos e abordagens de reabilitação cognitiva. “Tanto os medicamentos quanto a reabilitação têm o objetivo de retardar a progressão da demência. Não há tratamentos que possam reverter as perdas que já ocorreram. Por isso, aos primeiros sinais de prejuízo cognitivo é fundamental buscar rapidamente o diagnóstico. Quanto antes o tratamento tiver início, melhores serão os resultados”, orienta Elaine Di Sarno.

Há vários fatores de risco para as demências que são imutáveis (genética ou idade, por exemplo). Outros fatores podem ser corrigidos para reduzir a chance de desenvolvimento de demência: hipertensão arterial, obesidade, perdas sensoriais (especialmente auditiva), diabetes, tabagismo, depressão, isolamento social e falta de atividade física. 

Segundo a psicóloga, pessoas com maior nível educacional têm um risco menor de desenvolver demência. “Pelo fato de terem estudado mais e manterem uma estimulação intelectual ao longo da vida, desenvolvem uma ‘reserva cognitiva’, deixando o cérebro mais resiliente às perdas naturais que ocorrem com a idade. Da mesma forma que o corpo precisa de atividade para se manter bem, o cérebro precisa de estimulação para se manter ativo, com sua melhor capacidade possível”, finaliza a profissional.


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