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Cuidado: fake news impedem o combate a graves doenças

Mentiras divulgadas pela internet têm reduzido o número de jovens brasileiros que se vacinam contra o HPV


postado em 09/12/2019 04:00

Você sabia que por causa das fake news tem se reduzido o número de jovens brasileiros que se vacinam contra o HPV? Notícias falsas relacionadas à área da saúde acionaram o alerta amarelo. Em virtude disso, o presidente eleito da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), ginecologista Agnaldo Lopes, comenta o assunto, fornecendo aos leitores informações importantes.

O impacto das fake news na saúde é um grande desafio a ser vencido. Não é de hoje que a sociedade enfrenta transtornos decorrentes de notícias falsas. Antigamente, as mentiras se propagavam a passos lentos. Hoje, com as mídias sociais, o compartilhamento de informações incorretas se alastra, atingindo rapidamente milhares de pessoas. No caso da saúde, o estrago é ainda maior, ocasionando o avanço de doenças e colocando em risco a vida das pessoas.

A divulgação de mentiras sobre a eficiência da vacina contra o HPV tem prejudicado o combate à doença. A imunização é a estratégia da Organização Mundial de Saúde (OMS) para erradicar o câncer de colo de útero, cuja causa mais comum é a infecção pelo vírus HPV. Em 2018, o Instituto Nacional de Câncer (Inca) registrou 16.370 novos casos e cerca de 6 mil mortes. A Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) e órgãos de saúde mundiais atestam que a vacina é segura e eficaz. As sociedades brasileiras de Imunizações (SBIm), Pediatria (SBP) e Infectologia (SBI) também reforçam essa opinião.

A vacina contra o HPV é um dos grandes avanços da medicina. A doença é transmitida pelo papilomavírus humano, causando cânceres e verrugas genitais. Além da neoplasia de colo de útero, associa-se o HPV ao câncer de vagina, vulva, ânus, pênis e tumores de cabeça e pescoço. O Ministério da Saúde oferece a vacina quadrivalente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para prevenir os tipos de HPV 6, 11, 16 e 18. A vacinação é destinada a meninas de 9 a 14 anos e a meninos de 11 a 14 anos. Eles devem tomar duas doses, com intervalo de seis meses.

Os tipos 16 e 18 são responsáveis por 70% dos cânceres de colo de útero. Os tipos 6 e 11 estão associados a 90% das verrugas genitais. A eficácia da imunização é próxima de 100%. A proposta do Ministério da Saúde é vacinar 80% dos adolescentes, mas essa meta está longe de ser alcançada. Entre 2014 e 2018, 49,9% das meninas tomaram a segunda dose. Entre os meninos, a cobertura foi de 20,1%.

Alguns adolescentes vacinados no Acre disseram que tiveram reações à vacina. O Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina da USP fez a avaliação desses casos, a pedido do Ministério da Saúde, e revelou que não havia causa biológica ligada à vacina, tratando-se de um surto de doença psicogênica. De acordo com os especialistas, o medo da vacina foi o gatilho da crise, provavelmente ocasionado pelo contato dos garotos com as fake news que impulsionaram o movimento antivacina.

Para acabar com as notícias falsas, o Ministério da Saúde criou um canal de WhatsApp, o Saúde sem Fake News, para receber informações virais que serão apuradas por uma equipe técnica e respondidas oficialmente, atestando ou não a veracidade do fato. O número é (61) 99289-4640. Mais informações podem ser obtidas no site www.saude.gov.br/fakenews.

A sociedade deve buscar fontes de informação de credibilidade, pois é dever de todos contribuir para erradicar o câncer de colo de útero e outras neoplasias associadas ao HPV. A vacina é gratuita, segura e 100% eficaz. Deve-se evitar dar ouvidos a notícias falsas. É hora de combater a doença e as fake news.


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