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Estado de Minas

Nova Lima ganha primeiro cemitério de cremados

Cidade da Grande BH será sede do BioParque, que está sendo criado para enterrar cinzas de mortos. Projeto está em sintonia com a preservação do meio ambiente


postado em 09/11/2019 04:00



Foi abordar aqui temas de cemitério para que o assunto bombasse no meu e-mail. É curioso como um assunto tão pouco falado, tão pouco divulgado, por razões da cerimônia brasileira que manda evitar coisas tristes, obtivesse tão significativa repercussão. E o assunto mais significativo foi o do BioParque, que está sendo criado para enterrar cinzas de quem prefere ser cremado. Para mim, é mais ou menos como trocar seis por meia dúzia porque, geralmente, quem prefere ser cremado sabe onde é que quer que suas cinzas sejam dispersadas. Há alguns anos, a empresa Seven Capital vem pensando nessa possibilidade ao criar um projeto que cultive lembranças em sintonia com a preservação do meio ambiente. Juntando esse projeto à resolução de onde deixar as cinzas dos mortos, estava criado o novo cemitério. Só que em lugar de túmulos de mármore serão usadas árvores. O jardim tentará – e certamente vai conseguir – oferecer uma chance para milhares de famílias mudarem a percepção sobre a morte e o trauma que ela, na maioria das vezes, nos traz.

Agora aparece essa iniciativa singular no Brasil de transformar cemitérios em bosques, associando a preocupação ecológica a um novo olhar sobre a celebração da vida após a morte física do corpo. O BioParque oferece a possibilidade de vivenciar uma experiência singular e exclusiva: confortar a alma plantando uma árvore em homenagem a quem se foi, refazendo histórias e também contribuindo para a flora e para a fauna locais. Sempre com a preocupação de fazer um resgate contínuo da memória de quem nos deixou: espécies típicas regionais serão incorporadas – ao longo do seu desenvolvimento – às cinzas resultantes da cremação da pessoa homenageada.

O projeto funciona assim: as famílias dos cremados recebem urnas ecológicas desenvolvidas na Espanha por designers catalães em que, em cerimônias especiais, será realizado o plantio de sementes em BioUrnas ecológicas. Monitoradas continuamente por uma equipe de especialistas, as mudas permanecem em um IncubCenter (espécie de viveiro ultratecnológico) de 12 a 24 meses aproximadamente. Após esse período, uma nova cerimônia será agendada com os familiares para o plantio definitivo da árvore no solo do parque.

Todas as plantas são identificadas por um QRcode e seu crescimento pode ser acompanhado por plataforma exclusiva, desenvolvida pelo BioParque. Essa plataforma possibilita, ainda, a inserção de imagens, textos e áudios para que cada família (re)construa, de forma personalizada, a história de seu homenageado. Para quem desejar adquirir mais de uma árvore, o BioParque oferece possibilidades especiais, como jardins e bosques. Conta com profissionais especializados e mantém parceria com a Universidade de Federal de Viçosa, reconhecida internacionalmente como uma das melhores instituições do mundo na área de agronomia.

Essa novidade é sem dúvida o fato da cremação vir se consolidando como um forte viés cultural em diversos países. Do ponto de vista científico, interrompe o ciclo de vida de muitos micro-organismos danosos à saúde; sob a ótica da vida urbana, resolve diversos problemas de uso e ocupação do solo nas cidades já supersaturadas populacionalmente. Mas a destinação das cinzas, muitas vezes, acaba se transformando em um dilema para as famílias.

A proposta do BioParque é justamente resolver essa questão, criando uma solução que traga leveza e um novo olhar para a morte – celebrar e cultivar a vida, literal e simbolicamente, a partir do momento mais angustiante de nossa condição humana. O lançamento do projeto foi realizado durante um encontro no Bairro Sion, em agosto. É nesse local que a família poderá fazer a aquisição das árvores, as cerimonias de plantio da semente é onde ocorre o desenvolvimento inicial das plantas. E o BioParque ficará em Nova Lima. Acredita-se que o plantio das árvores ocorrerá em 2020. E está previsto no plano de expansão a implantação de outros BioParques nas cidades de São Paulo, Brasília, Salvador, Curitiba e Rio de Janeiro.


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