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Avanços científicos permitem considerar o câncer uma doença tratável

Professor da UFMG fala sobre os métodos e a importância da prevenção do câncer de ovário


postado em 17/10/2019 04:00 / atualizado em 16/10/2019 17:45

Sobrevivente de dois ataques do caranguejo, acho a maior graça quando alguém que passou pelo mesmo problema prefere esconder com todas as forças que já passou pela doença. Não porque ignora, não porque quer guardar sua privacidade, mas, principalmente, por falta de coragem de falar sobre uma doença tão cheia de informações e de mortes. Como acredito que é falando que se alivia não só a alma quanto a saúde, tenho escutado “cousas e lousas” sobre o câncer, novidades que não existiam no meu tempo e também informações que as pessoas recebem e não entendem muito bem. O certo é que estamos no mês do câncer de mama e, entre os assuntos que me chegam sobre o problema, um deles é assinado por Agnaldo Lopes, professor da UFMG e membro do Departamento Oncológico da Rede Mater Dei de Saúde, que tem na direção o grande oncologista Enaldo Mello, a quem devo também “cousas e lousas”. Como Agnaldo Lopes entende muito do assunto, vale conhecer sua opinião.

“O mês de outubro é dedicado à conscientização sobre a importância de prevenir o câncer de mama. Mas muita gente ainda desconhece que cerca de 10% das mulheres com essa neoplasia estão propensas a desenvolver o câncer de ovário. A relação existe quando há alterações genéticas, principalmente nos genes BRCA1 e BRCA2, sendo que o assunto virou notícia quando a atriz Angelina Jolie, portadora dessa mutação, decidiu retirar a mama e ovários preventivamente. O câncer de ovário ainda é um grande desafio na ginecologia oncológica. A doença é silenciosa e de difícil detecção, sendo a terceira neoplasia ginecológica mais comum, atrás apenas do câncer de colo de útero e endométrio. Conforme o Instituto Nacional do Câncer (Inca), são registrados cerca de 6 mil novos casos anuais e aproximadamente 75% deles ocorrem em estágios avançados da doença.

A história clínica e familiar, a ultrassonografia transvaginal, a ressonância magnética e os marcadores tumorais no sangue, como o CA 125, são importantes para o diagnóstico do câncer de ovário. No entanto, não existem métodos efetivos para o rastreamento dessa neoplasia. Os tratamentos dependem da fase em que a doença é descoberta. A incidência é maior em pessoas acima dos 50 anos, mas pode ocorrer entre jovens. A cirurgia é uma ação importante no tratamento para a avaliação da extensão da doença e ressecção tumoral. Atualmente, existem avanços no tratamento, incluindo melhoramentos na quimioterapia, as terapias-alvo e a Hipec (quimioterapia hipertérmica intraperitoneal), além de drogas com indicação específica para aquelas mulheres com mutação nos genes BRCA 1 e 2. Os avanços científicos já permitem considerar o câncer uma doença crônica e perfeitamente tratável, eliminando o estigma de ‘sentença de morte’, principalmente no caso do câncer de ovário.

As evidências científicas comprovam que, quando existem mutações nos genes BRCA 1 e 2, cerca de 85% das mulheres podem desenvolver o câncer de mama e 50% podem ter câncer de ovário. Existem indicações específicas para se investigar a possibilidade do câncer hereditário, especialmente as mutações nos genes BRCA. A detecção de pessoas com essas alterações propicia o aconselhamento genético e a adoção de medidas preventivas. Os testes identificam candidatas a cirurgias redutoras de risco, incluindo a retirada programada de tubas uterinas e ovários, a mastectomia redutora de risco, assim como a indicação de tratamentos quimioterápicos individualizados. É essencial saber e reconhecer a existência dessa possibilidade de mutação para que, juntamente com o médico, seja possível tomar decisões mais assertivas sobre a saúde de cada um. A identificação desse tipo de câncer hereditário é fundamental para as políticas públicas, pois muda o manejo da doença ao permitir que pacientes e familiares em risco se beneficiem de medidas preventivas, resultando no aumento da expectativa de vida.” 


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