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Taxistas: de poliglotas a realizadores de sonhos

Rodar de táxi em BH pode reservar várias e boas surpresas, como um conhecimento mais profundo e específico da Bíblia


postado em 17/09/2019 04:00


Com carro na oficina para reparos sem tempo de acabar, por causa da minha mania de preferir carro antigo, tenho andado de táxi. Como não tenho celular, não posso fazer uso desses sistemas mais baratos que a maioria usa. Mas táxi me dá segurança e algumas surpresas, que tenho curtido de vez em quando. Na semana passada, tomei um táxi ao sair do salão de cabeleireiro de Laura Nunes. Quando o motorista partiu, escutei no rádio  Aleluia, que me pareceu ser hino de alguma igreja. E a surpresa do dia começou. Ele me contou que falava inglês e espanhol e que o hino era em hebraico, a língua adotada pelos judeus. Ele estava estudando também como se fala hebraico e, no seu carro, um computador mostrava o texto do hino, não naquele alfabeto complicado, mas no nosso. Quer dizer: dava para ler o que o cantor falava, e entender mais ou menos os versos do hino.

O profissional foi me contando coisas e mais coisas que tem aprendido e reforçou principalmente no fato de que Jesus não se chama Jesus, seu nome histórico e tradicional é outro. Mais: como o j não existe em iidiche, ele nunca poderia se chamar Jesus. Falou outro nome, mas na minha conhecida surdez não consegui entender muito bem e tampouco guardar. Ele me deu uma lição de Bíblia, com novas colocações que não conhecemos, falou dos profetas e mais, muito mais. Sabe tudo de forma mais complicada do mundo: aprende em outra língua e não no nosso português cotidiano. Quando cheguei em casa, ele colocou um disco de hinos que gosta muito, e que são bem bonitos. Mas não deu para escutar tudo, porque tinha o que fazer naquela hora. Ele não tinha a menor pressa, queria contar o que sabia e o que estava aprendendo.

Como achei um caso raro, motorista de táxi aprendendo hebraico, andei comentando com um outro usado nas minhas saídas e alguns deles me confirmaram que o estudo de línguas diferentes tem acontecido muito no meio. Quando nada, para atender passageiros ou até passar o tempo esperando chamadas no ponto. Como essa aplicação não é comum, estou de olho num profissional que tem tudo para atender bem, principalmente por causa da concorrência que estão enfrentando de serviços cuja rentabilidade vai toda para as mãos de um americano. Por aqui, só fica um enganoso salário para quem trabalha em táxis com aplicativos.

Outro dia, tive outra surpresa. Chamei o táxi e o motorista já era meu conhecido, trabalhou durante muitos anos com um empresário a quem dedica o maior agradecimento e admiração. Tanto que deu à filha o nome da mulher do empresário. No caminho, ele colocou Julio Iglesias, de quem gosta muito e cujo show aqui em BH já foi assistir. E me contou que, no fim do ano, realizará um velho sonho: ouvir Roberto Carlos cantar naquela viagem de navio que vai até a Argentina. Já comprou sua passagem que estava começando a pagar. E completou: “Afinal, trabalhamos para, às vezes, fazer o que gostamos”. Estava mais do que certo.


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