Hoje favorito na disputa pelo Planalto, Flávio Bolsonaro (PL) resistiu a ser candidato e chegou a dizer que a decisão transformaria sua vida em um inferno. Antes dele, Jair Bolsonaro ofereceu a vaga a Tarcísio de Freitas (Republicanos), que hesitou. “Tarcísio só não foi o candidato porque teve medo”, afirmou uma liderança do Centrão. Quando a escolha enfim saiu, o anúncio foi antecipado para abafar uma notícia ruim para o bolsonarismo: a retirada do ministro Alexandre de Moraes da lista de sancionados pela Lei Magnitsky. Os bastidores foram revelados pela colunista Bela Megale, do jornal "O Globo”, em reportagem publicada neste domingo (25/10).
Segundo a colunista, Tarcísio foi sondado em agosto de 2025. O plano preferido do ex-presidente era o filho Eduardo, mas essa alternativa perdia força desde que o então deputado se mudou para os Estados Unidos e passou a articular sanções contra ministros do STF. Na conversa com Bolsonaro, o governador citou o favoritismo de Lula, a importância de manter São Paulo e tentou adiar a decisão para 2026.
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Eduardo também pressionava contra Tarcísio. De acordo com O Globo, ele avisou que se lançaria candidato se o governador concorresse. Em carta ao pai, afirmou que nem Tarcísio nem Michelle Bolsonaro, cotada para vice, representavam a família, e que só desistiria se o candidato fosse o irmão.
A escolha foi selada em uma viagem de Flávio a Washington. Eduardo e Paulo Figueiredo insistiram até o senador aceitar, com a condição de manter a decisão em sigilo pelo maior tempo possível. O plano mudou após um telefonema entre Lula e Trump em 2 de dezembro, quando os dois souberam por integrantes do governo americano que Moraes sairia da lista de sanções. Flávio foi lançado três dias depois. “Flávio foi empurrado do armário o tempo todo”, resumiu um aliado à colunista.
Antes da postagem oficial, Flávio comunicou a decisão a Tarcísio em um café da manhã no Palácio dos Bandeirantes e repassou a informação ao site Metrópoles, que a publicou sem identificá-lo como fonte. Segundo O Globo, nem Rogério Marinho (PL-RN), futuro coordenador da campanha, nem Michelle foram avisados. Os dois souberam pela imprensa.
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Dez meses depois, Flávio venceu o primeiro turno por menos de dois pontos e aparece com 51% dos votos válidos contra 49% de Lula (PT) no Datafolha divulgado no sábado (24/10). Bela Megale aponta, porém, que ele ainda enfrenta divisões na família. Enquanto promete um governo mais ao centro, Eduardo diz a aliados que pretende puxá-lo para a direita e insistir no impeachment de Moraes.
