O World Happiness Report 2026, produzido pela Universidade de Oxford com chancela das Nações Unidas, aponta que a América Latina lidera o uso intensivo de redes sociais entre adolescentes. Considerada a maior pesquisa global sobre bem-estar humano, a edição deste ano investigou a relação entre redes sociais e saúde mental de jovens em 47 países, antecipando o Dia Internacional da Felicidade, celebrado em 20 de março.
Os dados colocam o Brasil em posição de atenção. A América Latina registra o maior percentual de adolescentes que utilizam redes sociais por sete horas ou mais por dia entre todas as regiões analisadas: 12,1%, mais que o dobro da Europa Ocidental (4,9%). O Brasil integra a amostra latino-americana, que totalizou mais de 32 mil adolescentes avaliados.
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Impactos na saúde mental dos jovens
Os dados mostram que adolescentes que utilizam redes sociais por cinco horas ou mais por dia têm o dobro de probabilidade de atender aos critérios clínicos de depressão em comparação com aqueles que usam menos de uma hora diária. O risco aumenta 13% a cada hora adicional de uso.
Entre meninas da América Latina, aquelas que não utilizam redes sociais são 65% mais propensas a relatar satisfação completa com a vida em comparação às que usam por sete horas ou mais. Em países de língua inglesa, meninas de 15 e 16 anos que passam mais de sete horas por dia nas redes apresentam 63% mais probabilidade de relatar baixa satisfação com a vida.
Um estudo interno da Meta, que incluiu o Brasil, revelou que uma em cada três adolescentes afirmou que o Instagram piorou questões relacionadas à própria imagem corporal. Além disso, uma meta-análise com 32 experimentos controlados, envolvendo 5.544 participantes, indicou que reduzir o uso das redes para uma hora diária durante três semanas resultou em melhora significativa nos níveis de depressão, ansiedade e qualidade do sono.
Crescimento no ranking
O Brasil tem avançado no ranking global de felicidade, passando da 49ª posição em 2023 para a 32ª em 2026. No entanto, esse avanço convive com desafios importantes. Segundo o especialista Rodrigo de Aquino, a alta exposição às redes sociais, combinada com desigualdades estruturais, cria um cenário de vulnerabilidade entre jovens.
O relatório reúne sete linhas independentes de evidência científica, reforçando a consistência dos dados apresentados. "As evidências são convergentes e robustas. O uso intensivo compromete a saúde mental dos adolescentes, e a redução desse uso gera melhoras empoucas semanas. Temos clareza científica suficiente para exigir açõesconcretas", avalia.
Respostas regulatórias no mundo
O cenário tem impulsionado respostas regulatórias em diferentes países. Em dezembro de 2025, a Austrália elevou de 13 para 16 anos a idade mínima para acesso a dez plataformas de redes sociais. Dinamarca, França e Espanha também estudam medidas semelhantes.
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No Brasil, a entrada em vigor do ECA Digital representa um avanço, mas ainda há desafios relacionados à implementação em um país com grande extensão territorial e desigualdades regionais. "A ciência do bem-estar confirma o que já sabemos sobre o ser humano: não existe saúde mental sustentável sem vínculo real. A juventude brasileira precisade outras redes sociais, as que oferecem presença genuína, afetos autênticose a experiência concreta de ser visto por outro ser humano. Nenhum algoritmo entrega isso", enfatiza Rodrigo.
