Museu a céu aberto: conheça Cataguases e Leopoldina em roteiro integrado
O viajante encontra arquitetura, cinema, centros culturais e acervos que ajudam a compreender como uma cidade do interior se tornou referência de modernidade
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Localizada na Zona da Mata mineira, a cerca de 300 quilômetros de Belo Horizonte, Cataguases é uma daquelas cidades em que o roteiro turístico começa antes mesmo da entrada nos museus. Nas ruas de paralelepípedo, nas fachadas, nas praças e nos edifícios públicos e privados, o visitante encontra uma narrativa marcada pela arquitetura moderna, pelo cinema brasileiro, pela literatura e pela memória da eletrificação no interior de Minas.
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Com cerca de 66 mil habitantes, o município construiu uma identidade própria ao incorporar, entre casarões e referências do interior, uma linguagem moderna. O reconhecimento não é apenas local. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) realizou, em 1994, o tombamento individual de 16 edificações em Cataguases e, em 2003, tombou o conjunto histórico, arquitetônico e paisagístico da cidade. O acervo reúne obras associadas a nomes como Oscar Niemeyer, Aldary Toledo, Francisco Bolonha, Carlos Leão e Edgar Guimarães do Valle.
A proposta turística está justamente nessa possibilidade de percorrer a cidade como quem visita um museu a céu aberto. Cataguases pode ser conhecida em um fim de semana ou em um feriado prolongado, inclusive em roteiros integrados com Leopoldina, também na Zona da Mata. Em poucos quilômetros, o viajante encontra arquitetura, cinema, centros culturais e acervos que ajudam a compreender como uma cidade do interior se tornou referência de modernidade.
Modernismo no caminho
O passeio pode começar pela área central, onde boa parte dos atrativos fica concentrada e pode ser percorrida a pé. Entre as opções de hospedagem, o Hotel Cataguases já introduz o visitante ao roteiro. O prédio, tombado pelo Iphan, foi projetado por Aldary Henriques Toledo e Gilberto Lemos, com paisagismo de Carlos Perry e escultura “Mulher”, de Jan Zach. No interior, o mobiliário de Joaquim Tenreiro, considerado um dos nomes centrais do móvel moderno brasileiro, ajuda a manter o diálogo entre arquitetura, design e memória.
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Na lista de bens tombados de Cataguases, o Iphan também destaca o Colégio Cataguases, atual Escola Estadual Manuel Inácio Peixoto. Projetado por Oscar Niemeyer e inaugurado em 1949, o edifício reúne, em um mesmo espaço, diferentes expressões da arte moderna brasileira. O conjunto tem jardins de Roberto Burle Marx, mobiliário de Joaquim Tenreiro, painel em pastilhas de Paulo Werneck, escultura “O Pensador”, de Jan Zach, além do mural “Tiradentes”, de Cândido Portinari, atualmente representado por uma réplica no local, já que o original foi vendido ao governo de São Paulo.
A inserção do modernismo na cidade tem relação direta com a atuação de Francisco Inácio Peixoto, industrial, escritor e mecenas ligado ao movimento cultural local. Foi ele quem ajudou a aproximar Cataguases de nomes que viriam a marcar a arte brasileira do século 20. A própria residência de Francisco Inácio Peixoto, projetada por Niemeyer, com jardins de Burle Marx, mobiliário de Tenreiro e esculturas de José Pedrosa, é frequentemente citada em estudos sobre o modernismo residencial no interior.
LUGAR DE MODERNIDADE
Segundo Virgínia Ribeiro, técnica do Departamento Municipal do Patrimônio Histórico e Artístico de Cataguases, essa circulação de ideias foi determinante para o desenho cultural da cidade. “Francisco, que estudava no Rio, era um cara bem relacionado, conhecendo o escritor Marques Rebelo, Niemeyer, Burle Marx. E isso fez com que ele acabasse trazendo. Eram jovens, né? E fazendo a diferença da época”, afirma.
Antes da arquitetura moderna se consolidar como marca urbana, Cataguases já havia vivido outro movimento de ruptura estética: o Movimento Verde, de 1927. “Eram vários artistas que não concordavam mais com aquelas rimas feitas, prontas, e resolveram mudar esse panorama e fazer um novo. Esses artistas andavam juntos, eram jovens, e faziam o seu trabalho”, lembra Virgínia.
Memória de Nanzita
Entre os espaços que ajudam a ampliar a leitura da cidade está o Memorial Nanzita, sediado no Centro Cultural Sicoob Coopemata. O imóvel, de arquitetura modernista, preserva a obra da artista plástica cataguasense Nanzita Ladeira Salgado Alvim Gomes, que morreu em 2007, aos 88 anos. A casa foi projetada por Francisco Bolonha, com painel em azulejaria “Feira Nordestina”, de Anísio Medeiros, e integra o patrimônio histórico local.
A antiga residência também revela hábitos, encontros sociais e escolhas estéticas de uma época. “Essa casa recebia muitos encontros sociais também”, relembra Virgínia. Segundo ela, o imóvel foi deixado em testamento para a Diocese de Leopoldina e um contrato de comodato permitiu a permanência de parte das obras no espaço. Hoje, o local abriga oficinas de arte, música e coral.
Logo na entrada, o visitante encontra uma parede com peças de Nanzita, incluindo referências botânicas ligadas ao entorno da casa. Em seguida, a sala principal apresenta um afresco de grandes proporções intitulado “O rapto de Helena de Tróia”, de Emeric Marcier. A técnica, explica Virgínia, exige a pintura sobre a parede ainda fresca, permitindo que a obra se integre ao próprio revestimento. O resultado é um mergulho no universo artístico da antiga moradora e na forma como a arte moderna também ocupou os interiores residenciais de Cataguases.
Igreja, praça e indústria
O Santuário Santa Rita de Cássia, localizado na Praça Santa Rita, também faz parte do roteiro. A fachada moderna e o painel em azulejos de Djanira, que retrata a vida da santa, chamam a atenção no centro da cidade. Segundo Virgínia, a torre em formato de ogiva, obra de Edgar Guimarães do Valle, de 1947, foi concebida em um contexto marcado pela Segunda Guerra Mundial. “Como foi construído durante a guerra, ele deixa que ali seja um momento de oração para que nunca mais aconteça uma guerra”, explica.
Na Praça José Inácio Peixoto, o Monumento José Inácio Peixoto também propõe uma leitura sobre a cidade industrial. Marco Andrade, escritor, artista múltiplo e coordenador cultural da Fundação Cultural Ormeo Junqueira Botelho e do Museu Energisa em Cataguases, explica que o monumento dialoga com a imagem de uma fábrica. A estrutura remete ao galpão, ao mezanino e ao olhar do diretor sobre o trabalho dos operários, enquanto a obra valoriza o trabalho manual das mulheres na fiação. A obra, de 1956, destaca-se pelo painel em azulejos As Fiandeiras, assinado por Cândido Portinari, em um conjunto que também reúne esculturas de Bruno Giorgi
A Praça Rui Barbosa, por sua vez, funciona como eixo de circulação e observação urbana. No entorno, fachadas comerciais, casarões e edifícios de diferentes períodos ajudam o visitante a perceber como a cidade se formou em camadas, entre o passado ferroviário, a industrialização e a incorporação da linguagem moderna.
A história da eletricidade
Cataguases também guarda uma parte importante da história da eletrificação da Zona da Mata. Instalado em um casarão inspirado no art nouveau, em uma das principais avenidas do Centro, Av. Astolfo Dutra, o Museu Energisa reúne acervo dedicado à memória da Companhia Força e Luz Cataguazes-Leopoldina, origem do atual Grupo Energisa. De acordo com a Fundação Ormeo Junqueira Botelho, o espaço apresenta a chegada da energia elétrica à região, em 1908, e a importância desse processo para o desenvolvimento local.
A companhia foi constituída em 26 de fevereiro de 1905, em Cataguases. Em julho de 1908, inaugurou a Usina Maurício, iniciando o atendimento aos municípios de Cataguases e Leopoldina. Segundo o acervo Memória da Eletricidade, a usina foi a sexta hidrelétrica construída no Brasil para iluminação pública e a primeira a fornecer energia elétrica para mais de uma cidade.
No museu, a experiência ultrapassa a exposição de documentos e equipamentos. A visita ajuda a compreender como a chegada da energia alterou hábitos, ampliou atividades industriais, permitiu novos serviços urbanos e influenciou a modernização econômica da região. O espaço conta com recursos educativos e acessíveis, como audioguias e vídeos com interpretação em Libras, além de visitas conduzidas por monitores.
Cidade de Humberto Mauro
Além da arquitetura, Cataguases ocupa um lugar relevante na história do cinema brasileiro. Foi no município que se consolidou o chamado Ciclo de Cataguases, movimento cinematográfico dos anos 1920 que projetou a produção mineira no cenário nacional. O principal nome desse período é Humberto Mauro, considerado um dos pioneiros do cinema brasileiro.
Nascido em Volta Grande, então vinculada à região da Estrada de Ferro Leopoldina, Mauro chegou ainda menino a Cataguases e construiu ali parte fundamental de sua trajetória. Seus primeiros trabalhos foram realizados no município e ajudaram a formar uma linguagem cinematográfica brasileira.
Essa memória permanece viva no Centro Cultural Humberto Mauro, inaugurado em 30 de abril de 2002 e administrado pela Fundação Ormeo Junqueira Botelho. O espaço possui uma galeria para exposições, duas salas multiuso, com capacidade para 250 e 60 lugares, e o Memorial Humberto Mauro, sala interativa dedicada à vida do cineasta. A programação inclui exposições, apresentações teatrais, musicais, de dança, palestras e outras atividades culturais.
Mais do que uma homenagem, o memorial funciona como porta de entrada para compreender a relação entre território e cinema. Ao visitar o espaço, o público percebe como Cataguases se tornou parte da história audiovisual do país e como essa herança continua sendo trabalhada por meio de exposições, formação de jovens cineastas e atividades culturais.
Centro Cultural
Outra parada do roteiro é a antiga Estação Ferroviária de Cataguases, inaugurada em 1877 e transformada no Centro Cultural Eva Nil. O prédio conecta dois momentos importantes da cidade: o período ferroviário, responsável por integrar economicamente a região, e a fase atual, marcada pela ocupação cultural dos espaços históricos.
No local, funcionam exposições, feiras de artesanato e eventos ligados à produção local. A antiga estrutura mantém elementos originais, como portas de madeira de lei e o quadro de giz onde eram anotados os horários dos trens. “Hoje é um centro cultural. O quadro de informações é original, onde se colocavam os horários do trem. O guichê era aqui também, ele mantém”, mostra Virgínia.
Roteiro gratuito
Para quem deseja conhecer a cidade com mediação, a Prefeitura de Cataguases, por meio da Secretaria de Cultura e Turismo, realiza a rota turística “Cataguases - Moderna e Eterna”, voltada à valorização do patrimônio cultural. A visita guiada integra turismo, educação e memória local. Escolas podem solicitar o passeio em parceria com a secretaria, enquanto visitantes individuais podem fazer o pedido pelo aplicativo Cataguases Mais durante o Festival Modernista, realizado entre agosto e setembro.
A maior parte dos espaços citados pode ser visitada gratuitamente mediante reserva, o que torna Cataguases um destino possível para quem busca um turismo cultural fora dos roteiros mais tradicionais de Minas. Em uma caminhada pelo centro, o viajante encontra prédios assinados por arquitetos importantes, obras de artistas brasileiros, acervos preservados, memória ferroviária e espaços que ajudam a contar a história da cidade.
Mergulho na identidade regional
A poucos quilômetros de Cataguases, Leopoldina apresenta outro recorte da história da Zona da Mata mineira. A cidade, fundada no século 19, se desenvolveu com a cafeicultura, o comércio e a chegada da ferrovia, fatores que ajudaram a consolidá-la como um dos centros econômicos regionais de Minas. Hoje, esse passado volta a ocupar lugar de destaque por meio de espaços culturais, museus, edifícios históricos e novos projetos de visitação.
O município também pode ser integrado a um roteiro de fim de semana ou feriado prolongado pela região, ao lado de Cataguases, Piacatuba e Itamarati de Minas. A proposta faz parte da rota “Caminhos da Zona da Mata”, iniciativa da Energisa em parceria com o Governo de Minas, por meio da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo, que conecta patrimônio, cultura local, natureza e a história da eletrificação no interior do país.
Em Leopoldina, essa narrativa passa por diferentes endereços. Entre eles estão a Casa da Memória de Leopoldina, o Museu-Parque Usina Maurício - ambos recém inaugurados; - a Catedral de São Sebastião e o Museu Espaço dos Anjos, dedicado ao poeta Augusto dos Anjos.
Espaço revitalizado
Um dos novos pontos do roteiro é a Casa da Memória de Leopoldina, instalada em um casarão da década de 1950 que pertenceu à família Junqueira Botelho – pioneira no processo de eletrificação da cidade. O espaço foi revitalizado e aberto ao público como centro cultural e turístico, com o objetivo de preservar a história regional, valorizar a memória da Zona da Mata e ampliar o acesso de moradores e visitantes ao patrimônio cultural. A iniciativa foi inaugurada como parte das celebrações pelos 120 anos do Grupo Energisa e é mantida pela Fundação Ormeo Junqueira Botelho, com patrocínio via Lei Federal de Incentivo à Cultura.
A casa chama atenção também pela fachada, inspirada na residência retratada no filme ...E o Vento Levou, de 1939. Dentro do espaço, o visitante encontra salas expositivas permanentes e temporárias, projeções mapeadas, instalações audiovisuais e narrativas sonoras que ajudam a reconstruir diferentes momentos da vida social e cultural da região.
Entre os ambientes está a Sala da Memória, pensada para reunir lembranças, imagens e sons associados à história da casa e de seus antigos moradores. Para Delânia Cavalcante, gerente de Investimento Social do Grupo Energisa, a memória é o eixo do projeto. “A casa, a memória. A gente não podia deixar faltar esse personagem, porque é a coisa mais pulsante dessa casa”, afirma.
Outro destaque é o Gabinete do Dr. Ormeo, instalação interativa que utiliza inteligência artificial para apresentar ideias, projetos e o legado do personagem em diálogo com o presente. A proposta aproxima o visitante da história sem limitar a experiência ao formato tradicional de exposição.
Casa de leitura
A Casa da Memória também abriga o Espaço Lya, dedicado à produção literária feminina e à escrita memorialística. A sala amplia o recorte curatorial do espaço ao valorizar livros de autoras, protagonistas mulheres e memorialistas. A escolha tem relação com a trajetória de Lya, irmã de Ivan Müller Botelho, que teve poliomielite ainda criança e deixou registros escritos, como diários e textos pessoais.
“Nessa sala aqui a gente tem livros de mulheres com protagonistas, livros de autoras também, de escritoras e de memorialistas. Acho importante porque, em certo momento, essa casa também foi uma casa de leitura”, comenta Marco Andrade, coordenador cultural da Fundação Cultural Ormeo Junqueira Botelho e do Museu Energisa em Cataguases.
A proposta educativa se amplia com o Observatório Cultural da Mata e o Lab Memória, núcleos voltados à pesquisa, experimentação tecnológica, produção audiovisual e formação. Com isso, o espaço busca conectar memória, inovação e diferentes gerações, transformando o antigo casarão em um ponto de encontro entre passado e futuro.
A intervenção contempla ainda o Jardim dos Sentidos, um dos primeiros projetos paisagísticos de Roberto Burle Marx. A restauração foi realizada com base no projeto original cedido pelo Instituto Burle Marx e conta com jardins de orquídeas, árvore de lichia, bastão do imperador e brinquedos sensoriais infantis.
Passado elétrico
Também recém inaugurado, a história da eletrificação segue para Piacatuba, distrito de Leopoldina, onde o Museu-Parque Usina Maurício ocupa a área do antigo complexo da usina inaugurada em 1908, considerada marco da geração de energia elétrica na Zona da Mata. O espaço foi revitalizado para receber visitantes e reunir patrimônio industrial, educação científica, cultura e contato com a natureza.
A Usina Maurício tem papel relevante na história da energia em Minas. Sua construção começou em 1905, período em que levar eletricidade ao interior ainda era um desafio. Para viabilizar a obra, foi necessário abrir um ramal ferroviário exclusivo para o transporte de equipamentos importados, como turbinas e geradores. Inaugurada em 1908, a usina ajudou a levar energia elétrica a cidades da Zona da Mata e impulsionou mudanças na rotina urbana, no comércio, nos serviços e nas atividades produtivas.
Mais de um século depois, o antigo sítio industrial foi transformado em espaço de visitação. O Galpão da Usina preserva maquinário original e utiliza recursos expositivos contemporâneos, como narrativas sonoras imersivas, para explicar o funcionamento da hidrelétrica e o pioneirismo da engenharia nacional. O museu também valoriza a memória dos trabalhadores que participaram da construção e da operação da usina.
O espaço é mantido pela Fundação Ormeo Junqueira Botelho, com patrocínio do Grupo Energisa, por meio da Lei Rouanet, e execução da Santa Rosa Bureau Cultural. Além da área histórica, o Museu-Parque está inserido em uma Reserva Particular do Patrimônio Natural, com cerca de 327 hectares de Mata Atlântica preservada.
Natureza, educação e sustentabilidade
A visita ao Museu-Parque Usina Maurício vai além da memória industrial. Trilhas ecológicas, passarelas elevadas e áreas de contemplação permitem que o público explore a paisagem natural da reserva. A proposta é integrar história, energia, educação ambiental e sustentabilidade em um mesmo percurso.
A programação de mediação cultural e educativa foi pensada para receber estudantes, pesquisadores e visitantes interessados na relação entre desenvolvimento energético e preservação ambiental. O educativo articula conteúdos de ciências, tecnologia, geografia, história, literatura e educação ambiental.
Delânia Cavalcante afirma que a intenção é fazer do museu um espaço de formação continuada. “A gente vai ter um projeto educativo muito robusto, com várias áreas de atuação, linhas ambientais, culturais e sociais, para que tudo que eles virem e aprenderem seja realmente absorvido. A gente não quer que esse museu seja só de visita, mas que se insira entre os projetos pedagógicos escolares e em um trabalho de extensão para as universidades”, diz.
Símbolos urbanos
No Centro de Leopoldina, a Catedral de São Sebastião é um dos principais marcos urbanos. O templo, sede da Diocese de Leopoldina, ocupa posição de destaque na paisagem da cidade e integra o roteiro religioso e arquitetônico do município. Já o Ginásio Leopoldinense, fundado em 1924, permanece como símbolo da formação educacional de diferentes gerações. E a antiga estação ferroviária e o traçado central ajudam a reconstituir o período em que Leopoldina se consolidou como polo comercial ligado aos trilhos e à circulação de mercadorias.
Esse conjunto de referências permite compreender a cidade para além dos novos equipamentos culturais. Leopoldina se apresenta como um destino em que o visitante observa a permanência de marcas do século 19 e do início do século 20, ao mesmo tempo em que acompanha novas formas de ocupar e interpretar esses espaços.
A casa de Augusto dos Anjos
A literatura também tem endereço no roteiro. O Museu Espaço dos Anjos é dedicado à vida e à obra de Augusto dos Anjos, um dos nomes mais singulares da literatura brasileira. O poeta paraibano viveu na casa por quatro meses e 22 dias, período suficiente para que sua presença permanecesse associada à memória local.
O espaço reúne registros, documentos, fotografias antigas da cidade, manuscritos e referências à primeira edição de Eu, obra mais conhecida do autor. A preservação da casa também é resultado de uma história de resistência. Durante 25 anos, o imóvel foi alugado por Luiz Rafael, artista da cidade que dava aulas de pintura e desenho no local e ajudou a impedir que a construção fosse demolida. Após sua morte, em 2007, a família entregou a casa e o acervo foi reunido. O museu foi fundado em 2012.
Em um roteiro integrado com Cataguases, Piacatuba e outros municípios da região, a cidade oferece ao visitante uma experiência que combina deslocamento curto, conteúdo histórico e diferentes formas de contato com a cultura local. Mais do que uma parada complementar, a Zona da Mata é um território onde a memória segue produzindo novos caminhos de visitação. n
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* Os repórteres viajaram a convite do Grupo Energisa