Por que o preço da gasolina varia tanto entre postos de uma mesma rua?
A diferença pode passar de centavos e reflete mais do que apenas o custo do combustível; entenda os fatores que influenciam o valor final na bomba
compartilhe
SIGA
Passar por dois postos de combustível na mesma rua e encontrar preços diferentes na bomba é uma situação comum que gera dúvidas em muitos motoristas. A diferença, que pode chegar a dezenas de centavos por litro, não se deve a um erro, mas a uma complexa combinação de fatores que vão muito além do custo do combustível comprado da distribuidora.
No Brasil, os preços dos combustíveis são livres, o que significa que cada posto tem autonomia para definir o valor final que será cobrado do consumidor. Essa liberdade permite que a concorrência e as estratégias individuais de cada negócio ditem os preços, resultando na variação que vemos diariamente nas ruas e estradas.
Leia Mais
Do poço ao posto: entenda a formação do preço da gasolina no Brasil
Como o preço da gasolina afeta a inflação e o preço dos alimentos
O preço da gasolina no Brasil é alto ou baixo? Compare com o mundo
O que explica a diferença de preços?
Diversos elementos influenciam o valor final na bomba. Entender cada um deles ajuda a decifrar por que um posto vizinho ao outro pode ter um preço mais atrativo. Os principais são:
Marca (bandeira): postos que operam com grandes marcas, as chamadas bandeiras, costumam ter custos mais elevados com marketing, programas de fidelidade e padrões de qualidade, incluindo programas de certificação que garantem a procedência do combustível. Em contrapartida, os postos de bandeira branca não têm vínculo com uma distribuidora específica, o que lhes dá liberdade para comprar o combustível de quem oferecer o menor preço, podendo repassar essa economia ao cliente.
Custos operacionais e localização: o valor do aluguel do terreno, impostos como o IPTU, salários dos funcionários, contas de água e luz e despesas com segurança variam drasticamente de um ponto para outro. Um posto localizado em uma avenida movimentada certamente possui custos fixos maiores do que um estabelecimento em uma rua secundária.
Estratégia comercial: nem sempre o lucro principal de um posto vem da venda de combustível. Alguns estabelecimentos usam a gasolina com margem reduzida como um chamariz para atrair clientes para a loja de conveniência, troca de óleo ou lava-rápido, onde a margem de lucro é maior. Outros focam na competição direta e baixam o preço para ganhar volume de vendas.
Logística e volume de compra: a distância entre o posto e a base de distribuição da companhia impacta o custo do frete. Além disso, redes maiores, que compram combustível em grande quantidade, geralmente conseguem negociar preços melhores com as distribuidoras, o que pode se refletir em um valor mais baixo na bomba.
Tipo de combustível: No Brasil, a gasolina comum vendida nos postos contém 30% de etanol anidro misturado (E30), percentual que vigora desde agosto de 2025. Já a gasolina aditivada, além dessa mistura obrigatória, contém componentes que prometem limpar o motor e melhorar o desempenho, e seu custo de produção é mais alto. Essa diferença de composição é diretamente repassada para o preço final, tornando-a mais cara que a comum.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.