Festival de teatro em miniatura ocupa BH
Em sua 12ª edição, o Festim leva a diferentes espaços da cidade espetáculos de bonecos em formato reduzido, tanto no tamanho quanto na duração
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Criado em 2012, o Festim – Festival de Teatro em Miniatura, que congrega espetáculos com bonecos em formato reduzido, tanto no tamanho quanto na duração, chega à sua 12ª edição a partir deste sábado (13/6).
Com trabalhos de artistas cênicos vindos de nove cidades brasileiras – Belo Horizonte, Contagem, Betim, Nova Lima, Guaxupé (MG), Salvador (BA), Brasília (DF), Porto Alegre (RS) e Curitiba (PR) – a programação, inteiramente gratuita, se estende até o próximo dia 21.
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Parque Municipal, Centro Cultural Venda Nova, Aldeia Ponto de Cultura, Teatro Francisco Nunes e Centro de Referência da Cultura Popular e Tradicional Lagoa do Nado são os espaços da cidade que vão abrigar o 12º Festim.
O evento, idealizado e produzido pelo Grupo Girino, promove uma maratona com mais de 20 atrações, 40 apresentações e quatro atividades formativas.
Diretora de produção e uma das curadoras, ao lado de Tiago Almeida, Iasmim Marques destaca que o Festim propõe uma experiência diferenciada com o público.
Ela diz que o festival se dedica ao recorte artístico das expressões do teatro lambe-lambe e das experimentações cênicas voltadas para o teatro de bonecos em pequenos formatos.
"Numa época dominada por estímulos grandiosos, o convite para espiar através de um visor e mergulhar em uma narrativa de poucos minutos é uma vivência direta, profunda e pouco usual de conexão do público com a arte, o que proporciona uma experiência singular", diz.
Oferecer um panorama diverso foi o que orientou a montagem da programação.
Linguagens distintas
"Tentamos reunir propostas artísticas em diferentes suportes, com linguagens distintas e voltadas para todas as faixas etárias, em diálogo com outras áreas, trabalhando, por exemplo, a valorização da literatura, com o espetáculo 'Sopros poéticos', uma intervenção em que os artistas sussurram poesias ao pé do ouvido do espectador", explica Iasmim.
Ela pontua que predominam espetáculos em tendas ou no suporte lambe-lambe, destinados a uma pessoa de cada vez.
No caso do lambe-lambe, a história se passa dentro de uma caixa cênica, com o espectador acompanhando por um visor, com um fone de ouvido.
A maior parte das apresentações está concentrada no último fim de semana do Festim, nos próximos dias 20 e 21, com os espetáculos ocupando a praça dos patins e os jardins do Teatro Francisco Nunes, no Parque Municipal, simultaneamente, divididos em dois blocos, tanto no sábado, de 14h às 17h, quanto no domingo, de 10h às 13h.
Uma proposta que foge à regra é o espetáculo "O sumiço do presépio", do grupo Mamulengo Flor do Cafezal, que será apresentado no dia 21, no Francisco Nunes, e atende a um público de até 40 pessoas, alocadas no palco, junto aos artistas bonequeiros.
"A ideia, de qualquer forma, é sempre buscar plateias reduzidas, sem massificação. A recomendação é que, nos dias 20 e 21, as pessoas cheguem logo no primeiro horário, porque assim podem acessar um maior número de espetáculos", indica Iasmim.
Movimento de renovação
Ela aponta como destaques da programação as estreias de quatro espetáculos de artistas locais: "Sombras na palma da mão - Micropoéticas", de Sandra Lane, "Anjo do lar", de Mari Teixeira, "Margaridas", de Bruno Godinho, e "O mundo em flor", de Ellen Velute.
Esse movimento de renovação é fruto direto das ações de formação continuada que o Grupo Girino promove em sua sede, segundo a curadora. Outro destaque da programação, conforme aponta, é a presença da baiana Denise Di Santos.
A artista, que apresenta o espetáculo "A menina com a cadeira na cabeça e a menina que vendia charutos", criado em parceria com Aline Busatto (RJ), é uma das fundadoras da modalidade do teatro lambe-lambe, em 1989, ao lado da cearense Ismine Lima, que morreu em 2022.
Denise diz que o espetáculo, idealizado para homenagear a cocriadora do teatro lambe-lambe, revisita sua própria infância e a dela, na década de 1950, e é, ao mesmo tempo, um processo de cura.
"Fui uma criança que, com 7 anos, vendia charutos nos becos e vielas de Salvador para ajudar minha mãe", diz. Quanto a Ismine, ela diz que, quando a família se mudou do interior do Ceará para Fortaleza, a mãe não conseguiu encontrar escola para a filha.
"A professora disse que não tinha vaga, porque não tinha cadeira, e a mãe retrucou dizendo que a filha levaria a cadeira de casa, na cabeça. Quando revejo a situação dessas duas crianças pobres que fomos, entendo que é um resgate e que é afirmação da vida", ressalta.
Origem do lambe-lambe
Nascida em Irará e amiga de Tom Zé, que, quando jovem, impediu uma tia sua de cometer suicídio, Denise Di Santos diz que o teatro lambe-lambe nasceu a partir de uma boneca que confeccionou para abordar, com fins pedagógicos, o tema da gravidez e "desmistificar a ideia machista de que os bebês vêm pelo bico da cegonha".
Ela recorda que, quando Ismine, que se tornou sua amiga depois que se mudou para Salvador, viu a boneca, que paria, observou que o parto era uma coisa íntima.
"Acatei a sugestão dela e resolvemos apresentar aquela cena de forma íntima, dentro de uma caixa. Sou de uma família de parteiras, sempre vi as mulheres da minha família realizando partos no quarto", diz.
"Levamos a caixa para uma feira em um parque de exposições aqui em Salvador, que congregava os 417 municípios do estado, com o melhor do artesanato de cada um deles. Ficamos apresentando em uma barraca. Lançamos o teatro lambe-lambe neste espaço, onde passamos dez dias", completa.
Serviço
Festival de Teatro em Miniatura – 12ª edição
De sábado (13/6) até o dia 21
Locais:
- Aldeia Ponto de Cultura — Rua Silva Freire, nº 133, bairro Horto
- Centro Cultural Venda Nova — Rua José Ferreira dos Santos, 184, bairro Jardim dos Comerciários
- Centro de Referência da Cultura Popular e Tradicional Lagoa do Nado — Rua Ministro Hermenegildo de Barros, nº 904, bairro Itapoã
- Parque Municipal Américo Renné Giannetti — Avenida Afonso Pena, nº 1377, Centro
- Teatro Francisco Nunes — Avenida Afonso Pena, nº 1377, Centro
A programação completa pode ser conferida no https://festim.art.br/
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Todas as atividades são gratuitas