Katiuscia Silva
Katiuscia Silva
Mestra em Sexologia pela Universidade ISEP - Madrid. Especialista em Comportamento. Analista Corporal. Mentora. Palestrante. Treinamentos para Empresas
RELACIONAMENTO

O que mudou na relação dos homens com a aparência

Homens de diferentes idades estão mais informados e dispostos a falar sobre prevenção, autoestima e envelhecimento

Publicidade

Mais lidas

Durante muito tempo, muitos homens entravam em clínicas de estética quase pedindo desculpas. Por trás dessa postura, havia um constrangimento antigo: admitir que também se importavam com a aparência. Hoje, essa cena começa a mudar. O homem que procura um tratamento estético já não precisa esconder uma vaidade antes tratada como proibida. Aos poucos, reconhece que olhar para si com atenção também pode ser uma forma de autocuidado.

Fique por dentro das notícias que importam para você!

SIGA O ESTADO DE MINAS NO Google Discover Icon Google Discover SIGA O EM NO Google Discover Icon Google Discover

 Por décadas, rugas, manchas, flacidez  e sinais de envelhecimento pareciam assuntos reservados às mulheres, enquanto aos homens restava envelhecer sem comentar incômodos. Quando a vaidade masculina aparecia, muitas vezes era lida como exagero, como se tratar da pele, do cabelo ou do corpo diminuísse a ideia de ser homem. Talvez apenas revelasse uma relação mais honesta com o próprio corpo.

A realidade aponta para uma virada cultural que já aparece nas estatísticas. Segundo levantamento da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), a busca masculina por procedimentos cirúrgicos no Brasil quadruplicou em cinco anos, passando de 72 mil para 276 mil procedimentos ao ano. No cenário global, dados da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS) mostram que, em 2024, foram realizados quase 38 milhões de procedimentos estéticos no mundo. No levantamento, os homens representaram 16,1% dos cirúrgicos e 15,8% dos não cirúrgicos.

Homens de diferentes idades estão mais informados e dispostos a falar sobre prevenção, autoestima e envelhecimento. Em uma sociedade visual e conectada, na qual rostos circulam em reuniões por vídeo, redes sociais e perfis profissionais, a aparência deixou de ser apenas um detalhe privado. Nesse cenário, a busca por procedimentos não se resume à vaidade, mas à forma como cada pessoa deseja se apresentar ao mundo.

O sociólogo Erving Goffman, em “A representação do eu na vida cotidiana”, ajuda a entender esse movimento ao mostrar que a vida social envolve a administração da impressão que causamos nos outros. Ao tratar algo que o incomoda, o homem também lida com a presença que deseja projetar: alguém saudável, ativo e confortável consigo mesmo. Nesse sentido, cuidar de si não é apenas uma questão de aparência, mas também de equilíbrio, autoestima e disponibilidade para se relacionar melhor com o mundo ao redor.

Para o biomédico Thiago Martins, professor e mestre em medicina estética, essa procura deixou de ser exceção. “O homem não chega querendo se transformar em outra pessoa. Na maioria das vezes, ele quer se reconhecer melhor no espelho, com naturalidade e sem perder as características individuais.”

Um estudo publicado na revista científica "Aesthetic Plastic Surgery" reforça essa leitura. A pesquisa identificou que a atitude masculina em relação à cirurgia estética pode estar associada à satisfação com a imagem corporal, à exposição à mídia e ao estresse ligado aos papéis tradicionais de gênero. 

Na prática, muitos buscam intervenções para melhorar a pele, prevenir marcas do tempo ou recuperar uma expressão mais descansada. Segundo Thiago Martins, a mudança passa pela quebra de antigos códigos sociais. “Durante muito tempo, o homem aprendeu que se preocupar com a aparência era algo que precisava ser disfarçado. Hoje, ele começa a entender que o autocuidado não ameaça a masculinidade”, diz.

Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia

É claro que todo movimento cultural exige cuidado. Falar sobre aparência não significa aderir a uma cobrança estética permanente, mas reconhecer que autoestima e bem-estar também fazem parte da vida masculina. O avanço está em permitir que homens cuidem de si e envelheçam com naturalidade. A nova vaidade masculina não parece estar ligada ao desejo de parecer outra pessoa, mas à possibilidade de fazer as pazes com o próprio reflexo.

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

Tópicos relacionados:

corpo envelhecer homens vaidade

Acesse o Clube do Assinante

Clique aqui para finalizar a ativação.

Acesse sua conta

Se você já possui cadastro no Estado de Minas, informe e-mail/matrícula e senha. Se ainda não tem,

Informe seus dados para criar uma conta:

Digite seu e-mail da conta para enviarmos os passos para a recuperação de senha:

Faça a sua assinatura

Estado de Minas

Estado de Minas

de R$ 9,90 por apenas

R$ 1,90

nos 2 primeiros meses

Aproveite o melhor do Estado de Minas: conteúdos exclusivos, colunistas renomados e muitos benefícios para você

Assine agora
overflay