Até quando crimes contra as mulheres ficarão impunes?
O caso de Ana Cláudia Rodrigues, atirada de um penhasco pelo ex-companheiro, demonstra a necessidade de punição efetiva para agressores
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Sexta-feira passada, conversando com alguns colegas da Redação sobre o caso da mulher que foi jogada do mirante da Serra do Rola-Moça, comentei que “graças a Deus, o ex-companheiro estava preso” e perguntei o que aconteceria com ele. Qual não foi a minha surpresa quando os dois responderam juntos: “Será solto”.
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Imediatamente, questionei o porquê, já que o homem tinha confessado que queria matá-la, que tinha fugido para o Norte do estado, que haviam sido encontrados no carro dele diversos tipos de armas. E, de novo, a resposta foi inacreditável: “Porque ela não morreu”.
Isso significa que o assassino em potencial será solto e, com certeza, voltará a perseguir a ex-companheira. Isso porque a medida protetiva de urgência, conhecida legalmente como proibição de aproximação, na verdade, não significa nada, porque a polícia não tem como fiscalizar todo mundo.
Para quem não sabe como isso funciona, esse mecanismo determina uma distância mínima que o agressor deve manter da vítima e é amparado pela Lei Maria da Penha. Para garantir a segurança da mulher e impedir a aproximação, a medida pode incluir proibição de contato, ou seja, o agressor não pode ligar, mandar mensagens ou tentar contato por redes sociais; afastamento do lar.
Em alguns casos é determinado o uso de tornozeleira eletrônica, mas como saber se ele está ou não perto da vítima? Até a polícia ser acionada e chegar ao local, a tragédia já pode ter acontecido.
A solicitação é feita rapidamente e pode ser registrada ao procurar a Delegacia de Polícia, de preferência a Delegacia da Mulher, ou com auxílio do Ministério Público e da Defensoria Pública.
Ana Cláudia Rodrigues viveu momentos de terror, graças a Deus ela sobreviveu. Mas viverá com uma espada sobre a cabeça, caso Silvanildo Amâncio de Araújo, que confessou o crime, seja solto, mesmo com tornozeleira.
Outras tantas mulheres não tiveram a mesma sorte. Muitas foram assassinadas e os assassinos ainda fizeram questão de dizer que elas tinham cometido suicídio. Graças ao bom trabalho investigativo da polícia, eles foram desmascarados e presos. Como chegaram a tirar a vida das companheiras, realmente ficarão presos.
Fico pensando o que leva o homem a matar a mulher por ela não querer mais ficar unida a ele? Ele se acha bom demais para ser rejeitado? Isso afeta a masculinidade ou o machismo exacerbado dele? Ou ele acha que é a melhor pessoa do mundo e que por ser tão bom ninguém pode rejeitá-lo, apenas se subordinar a ele e agradecer a Deus todos os dias por tê-lo ao seu lado.
Um ser humano assim – se é que podemos chamar de ser humano – é o ser mais equivocado da face da Terra. Sinceramente, acho que devia estar em um tratamento psiquiátrico.
Mulheres, fiquem atentas aos sinais. Não aceitem que homem nenhum as diminua, as restrinja. Cuidado com o controle, ele começa disfarçado com questionamentos constantes sobre onde você está, com quem, ou exigência de senhas no celular sob a justificativa de "cuidado" ou "amor". Depois começa a menosprezar suas vitórias e capacidades intelectuais, sugerindo de forma sutil que você é inferior.
Aos poucos, começa a te isolar socialmente, criticando seus amigos e familiares, ou criando situações tensas para que você se afaste do seu círculo de apoio. Ele nunca assume a responsabilidade pelos próprios erros, distorce os fatos para que você sempre se sinta culpada pelas discussões. Faz piadas ofensivas, diminui o papel da mulher, invalida suas opiniões e ainda dá a clássica desculpa de que "foi só uma brincadeira".
Desrespeita os limites, insistindo em comportamentos que deixam você desconfortável e ignora seus "nãos" – seja em discussões ou na intimidade – e força a barra para impor a vontade dele.
Fica a dica.
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* Isabela Teixeira da Costa/Interina
As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.
