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"Foi tudo chocante"

Confira o relato de quem viu de perto os ataques

A americana Anita McBride acompanhou o impacto dos ataques de 11 de setembro na Casa Branca e as ações que seguiram o dia que mudou a história dos Estados Unidos. Ela trabalhou por duas décadas na sede da Presidência e pôde ver de perto a forma de administrar de Ronald Reagan, George Bush (pai) e George W. Bush. No dia dos ataques, McBride era assistente administrativa do presidente, depois foi trabalhar no Departamento de Estado e, por último, serviu como chefe do pessoal da primeira-dama Laura Bush até o fim do segundo mandato. Atualmente, comanda o Centro de Estudos sobre a Presidência e o Congresso, da Universidade Americana em Washington, e conversou com o Estado de Minas sobre a experiência de participar de um momento histórico.

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postado em 08/09/2011 17:20 / atualizado em 09/09/2011 08:41

Tatiana Sabadini

“A semana do 11 de setembro de 2001 era minha última na Casa Branca, porque tinha sido transferida para o Departamento de Estado, para trabalhar com o secretário Colin Powell. Estava tomando café com uma colega em um pequeno restaurante reservado para os funcionários que trabalham diretamente com o presidente, que fica no subsolo da Ala Oeste. Era por volta das 8h30 quando alguém chegou contando que um avião tinha se chocado contra uma das torres gêmeas. Achei que não era nada sério e que se tratava de um avião pequeno. Antes mesmo de o outro avião se chocar com o prédio, alguns agentes apareceram e pediram que a área fosse evacuada, mas ainda não era um alerta total. Poucos minutos depois, recebemos um aviso do comando para tirar todo o pessoal do prédio.

ARQUIVO PESSOAL
Fomos para a rua, que então era considerada um lugar seguro, e depois para o Lafayette Park, que fica logo em frente à Casa Branca. Olhei para os lados, e tinha muita gente. Tentamos atender e dar apoio aos mais velhos. Sabíamos, naquele ponto, que algo estava errado. Depois que descobrimos sobre o segundo avião e o Pentágono, liguei para meu marido imediatamente. Ele trabalhou como chefe do Departamento Militar, e eu sabia que ele saberia o que fazer. O escritório dele ficava a poucas quadras dali, no Centro de Washington. Resolvemos levar um grupo grande para lá. Ficamos ali o dia todo, em contato direto com o pessoal que ainda permanecia na Casa Branca. Foram umas 72 pessoas trabalhando direto, inclusive membros do serviço secreto. Retiramos documentos históricos e importantes do presidente para guardar lá. Ficamos ali até a volta do presidente. Foi naquele prédio que o pessoal trabalhou no discurso que seria transmitido para todo o país mais tarde.

Foi tudo chocante e confuso. Mas me lembro de ter ficado calma. Naquele dia, não mostrei muitas emoções. Mantive o controle, porque estava trabalhando. Apesar de estar trabalhando há muito tempo na Casa Branca, nunca tinha visto aquilo. Ali, em Washington, a sensação era de que estávamos no lugar mais protegido. E os ataques mostraram o quão vulnerável era a capital. E depois disso mudou tudo, e as primeiras mudanças foram na Casa Branca, com um aumento muito grande da segurança. O jeito de ver as coisas e o estilo de vida das pessoas mudaram, e nunca mais deve ser o mesmo.

Quando isso aconteceu, meu pai estava morando com a gente, e ele já estava bastante velho. Morreu dois meses depois do 11 de Setembro. E ele veio da Itália para cá com nada e disse na época: ‘Nunca imaginei que uma coisa dessa fosse acontecer com os EUA’. E agora, eu, de uma nova geração, com meus filhos, eles nunca vão conhecer a inocência que eu conheci. Ficamos mais conscientes da nossa vulnerabilidade depois dos ataques, mas também não queremos ficar presos nisso e queremos continuar vivendo. Se não for assim, será dizer que o terrorismo ganhou, e eu não acredito nisso.”
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