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J&F negocia empresas do grupo e Itambé está à venda 'por tabela'

Negociação da Vigor, que detém 50% do laticínio mineiro, pela holding proprietária da JBS, implica mudança na composição acionária da empresa, controlada também por produtores

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postado em 16/06/2017 06:00 / atualizado em 16/06/2017 08:10

Vera Schmitz /Estado de Minas

Ricardo Fonseca/Divulgação

A venda de ativos pela J&F, holding dos irmãos Joesley e Wesley Batista, que controla a JBS, ganhou força esta semana, com a divulgação de relatório da agência de classificação de risco Standard&Poor’s. Oficialmente, a J&F nega a negociação, mas a S&P atribui a informação à própria holding, que planeja se desfazer no curto prazo de empresas que somam R$ 8 bilhões.

Duas já estão em processo de venda, segundo a agência: a Vigor Alimentos e as linhas de transmissão de energia. Além disso, está em estudo a negociação da Eldorado, empresa de celulose, a Alpargatas, dona das marcas Havaianas e Osklen, e a Flora, de produtos de limpeza, como detergente Minuano e o creme de cabelos Neutrox.

O caso da Vigor interessa particularmente aos mineiros, já que a indústria de laticínios é dona de 50% da Itambé um ícone do setor em Minas. A dúvida é como ficariam na negociação a própria Itambé e a Cooperativa Central dos Produtores Rurais de Minas Gerais (CCPR), dona dos outros 50% e fornecedora do leite processado na indústria mineira.


Em março, já em meio às negociações dos irmãos Batista com a Procuradoria-Geral da República (PGR) para o acordo de delação premiada, surgiram notícias no mercado de que a J&F, controladora da Vigor, negociava a venda da empresa de lácteos para a Pepsico. A multinacional teria oferecido R$ 6 bilhões, o equivalente a um ano de faturamento da Vigor. Mas a J&F recusou.

Novas informações surgidas este mês apontam que a Vigor está sendo oferecida a cerca de meia dúzia empresas, incluindo as francesas Lactalis e a Danone e a mexicana Lala.


A holding dos Batista “herdou” a Vigor quando a JBS adquiriu o frigorífico Bertin, então dono da empresa de lácteos, em 2009. Quatro anos depois, a Vigor, por sua vez, comprou metade da Itambé, por R$ 410 milhões, numa união que representou a criação do segundo maior laticínio do país.

O negócio foi comemorado pela Associação Brasileira de Produtores de Leite (Leite Brasil). Na época, Jorge Rubez, presidente da entidade, avaliou, em entrevista ao Estado de Minas, que somente com a modernização do sistema cooperativo seria possível avançar e garantir investimentos no setor.


Atualmente, a Vigor é a segunda empresa da holding J&F em termos de faturamento, atrás da JBS, do setor de carnes. Além da Itambé, é dona das tradicionais marcas de laticínios Danúbio e Leco. Tem faturamento superior a R$ 5 bilhões e operações em 11 estados. Já a Itambé, com capacidade para processar 3,5 milhões de litros de leite ao dia, tem um portfólio de 190 produtos, entre leites, iogurtes, requeijão, manteiga e doce de leite.


O vice-presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg) e presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Barbacena, Renato Laguardia, destaca que a Itambé é um patrimônio mineiro e um novo personagem na sua composição acionária pode implicar alguma mudança, “especialmente caso o comprador seja um grande laticínio, como vem sendo ventilado”.

Ele lembra que a Lactalis é dona de marcas de queijos finos e tem uma unidade mineira, em Antônio Carlos, na região de Barbacena, com capacidade para processar diariamente 100 mil litros de leite.

Impacto nos negócios

A J&F encerrou o primeiro trimestre deste ano com dívida líquida de R$ 47,8 bilhões. E, segundo o mercado, deve ganhar algum fôlego com a venda de ativos em Uruguai, Paraguai e Argentina por US$ 300 milhões na semana passada para o frigorífico Minerva, o segundo maior do país.

Para analistas, com esse passo, a JBS deu início a um movimento de encolhimento que já era esperado pelo mercado. Em nota, a JBS informou, no entanto, que a venda está “em linha com a estratégia da companhia em focar nos negócios com maior margem de rentabilidade, o que inclui produtos de alto valor agregado e mercados estratégicos”.


Na quarta-feira, a S&P rebaixou a classificação de risco da J&F e de suas controladas JBS (proteína animal) e Eldorado. O relatório aponta preocupação com o impacto nos negócios da delação dos donos do grupo, os irmãos Joesley e Wesley Batista, que confessaram o megaesquema de pagamento de propina a políticos.

A holding assumiu sozinha o compromisso de pagar a multa de R$ 10,3 bilhões, em 25 anos, acertada com o Ministério Público Federal dentro do acordo de leniência.


É preciso lembrar que os irmãos Batista ainda têm muito a acertar, o que pode se refletir na contabilidade da J&F. E são três as fontes de preocupação: o Departamento de Justiça dos Estados Unidos, onde a JBS mantém a maior parte de suas operações; o Tribunal de Contas da União (TCU), que deve abrir investigações para que a holding pague por danos causados nos empréstimos do BNDES e na compra de ações das empresas do grupo pelo banco; e a Comissão de Valores Imobiliários (CVM), onde a holding enfrenta questionamentos por operações no mercado financeiro, como compra de dólares pela JBS e venda de ações da empresa pelos controladores pouco antes da divulgação da delação dos empresários. (Com agências)

Tags: j&f itambé
Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação
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Silvio
Silvio - 16 de Junho às 20:35
Gilney. Acho que voce pensa pequeno e errado: esqueceu que la existem milhares de emprego ? Você acha que ajudando a quebrar a empresa( se todos fizerem como você ) vai prejudicar quem ?
 
alvaro
alvaro - 16 de Junho às 11:49
Se passar a regua, vamos ver a realidade dessas empresas, e desses sacanas
 
Gilney
Gilney - 16 de Junho às 10:24
Parei de comprar produtos da Itambé. Se o grupo JBS vender, volto a comprar. Simples assim. Deveria vender também a VIGOR, Alpargatas etc.
 
Edilson
Edilson - 16 de Junho às 19:45
Povo idiota viu, para de comprar produtos só por causa delação JBS, aí desemprego aumenta, muitos pais de família vão pra ruas, JBS fez errado sim, mas mais errado são os políticos vão continuar numa boa, pois não vai dar nada pra eles,e continua a receber seus altos salários ,agora os pais de família vão sofrer sem emprego.