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Estado de Minas

Feirantes da Afonso Pena lamentam venda fraca no mês

Nem mesmo o funcionamento da Feira da Afonso Pena em pleno dia de Natal compensou o fraco movimento do mês


postado em 26/12/2016 06:00 / atualizado em 26/12/2016 08:27

A Associação dos Expositores calculou uma ausência de 20% a 30% de feirantes ontem. No próximo domingo, a feira funcionará normalmente(foto: EDÉSIO FERREIRA/EM/D.A PRESS)
A Associação dos Expositores calculou uma ausência de 20% a 30% de feirantes ontem. No próximo domingo, a feira funcionará normalmente (foto: EDÉSIO FERREIRA/EM/D.A PRESS)

Turistas e consumidores que deixaram as compras de Natal para a última hora contaram com uma carta na manga no domingo de Natal. A Feira de Artesanato da Afonso Pena, um dos principais pontos turísticos da capital, funcionou com horário ampliado ontem e salvou a vida de quem não tinha comprado o presente. Apesar disso, feirantes encerram a temporada natalina com o balanço de um mês magro, longe de honrar a principal data do varejo. Antevendo um movimento baixo, muitos expositores preferiram nem apostar e sequer compareceram à avenida. A Associação dos Expositores da Feira de Artesanato calcula uma ausência de 20% a 30% dos 2,3 mil feirantes – cada um tem direito a oito faltas por ano. A feira também funcionará em 1º de janeiro.

As irmãs Marilda e Marília, que expõem há 25 anos na feira bijuterias de cerâmica, encerram o feriado com o balanço de um Natal magro. “Não sentimos tanto porque nosso produto é artesanal e não tem concorrentes. Mas vendemos muito menos do que no ano passado”, diz Marilda, que conta que elas abaixaram a margem de lucro para dar vazão à mercadoria. Pelo movimento, elas já decidiram que, no próximo domingo, dia 1º, quando a feira funcionará normalmente, não vão expor e aproveitarão para descansar.

A artesã Ernestina do Carmo comemorou os colegas terem faltado:
A artesã Ernestina do Carmo comemorou os colegas terem faltado: "CFaltou muita gente e, com isso, estou vendendo muito" (foto: EDÉSIO FERREIRA/EM/D.A PRESS)

No termômetro da expositora Luna Halabi, de 25, que vende camisetas e vestidos, o movimento do domingo de Natal se compara a um dia “normal”, e não à principal data do varejo. “Não abaixamos o preço, mas oferecemos mais descontos este ano”, diz. A associação tentou, sem sucesso, junto à prefeitura, mudar o dia da feira de Natal para sábado, dia 24. “Não está uma maravilha, está dentro do esperado”, resumiu o presidente da entidade, William dos Santos Pinto.Segundo ele, o movimento ao longo do mês de dezembro, época mais esperada pelos comerciantes, ajudou a melhorar as vendas, embora esteja distante do desempenho do mês no passado. “Está longe de ser o que era há tempos. A taxa que a prefeitura cobra da gente subiu 400%, de R$ 180 para mais de R$ 700. Isso atrapalha muito, ainda mais para quem não vende tanto”, afirma Pinto.

Ricardo Guimarães, de 36, sendo 16 deles na feira, apostou nas promoções para vender mais. Ele faz bichos de pelúcia e baixou pela metade o preço dos emojis do WhatsApp, vendidos a R$ 10. Ainda assim, no domingo de Natal não conseguiu alavancar os resultados. “Sabia que ia ser fraco, porque muita gente foi para festa de Natal ontem (sábado) e ainda tem o fator da crise. Tivemos um Natal 30% pior do que no ano passado”, lamentou. Segundo ele, este ano, a procura foi por presentes com valor menor que R$ 20, enquanto em anos anteriores o gasto por presente ficava em torno de R$ 40.

Tem gente que lucrou com a ausência dos colegas feirantes. A artesã Ernestina Pinto do Carmo, de 64, estava rindo à toa. “Faltou muita gente e, com isso, estou vendendo muito. Crianças ganham as bonecas no Natal e vêm para a feira comprar as roupas. Não tem crise para roupa de boneca”, afirma. Para o modelo da Baby Alive, febre do momento entre a criançada, os vestidos custam a partir de R$ 10.

As irmãs Marilda e Marília, que expõem há 25 anos na feira bijuterias de cerâmica:
As irmãs Marilda e Marília, que expõem há 25 anos na feira bijuterias de cerâmica: "vendemos muito menos do que no ano passado" (foto: EDÉSIO FERREIRA/EM/D.A PRESS)

VISITANTES
Um dos principais pontos turísticos da cidade, a maior parte do público de ontem eram pessoas que moram fora e vieram a BH para passar as festas de fim de ano com a família. O casal Juliana Madeira e Glauco Campos, ambos de 41, e as filhas, Luíza, de 4, e Marina, de 7, moram em Salvador e não abrem mão de visitar a feira quando estão na cidade natal. “È tão mineiro vir à feira. Adoro. As coisas são maravilhosas e o preço muito mais barato”, comenta Juliana, que comprou tiaras e laços de cabelo para as filhas. “Gastamos R$ 12 com uma tiara. Em outro lugar, custaria pelo menos R$ 60”, disse.

Presente
A farmacêutica Ludmilla Barbosa, de 35, moradora de Capelinha, no Vale do Jequitinhonha, foi à feira gastar o presente de Natal, o dinheiro que ganhou da mãe, que vive na capital mineira. “Hoje está tranquilo aqui, então é melhor. Já queria comprar uma sandália que tinha visto aqui”, comentou Ludmilla, disposta a gastar entre R$ 100 e R$ 150. Segundo pesquisa de intenção de compra da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL/BH), o tíquete médio do Natal seria de R$ 120,84.

Apesar dessa previsão, consumidores buscaram gastar menos que isso. Moradoras de Passos, no Sul de Minas, Ana Elise Giannini, de 35, e as filhas Ana Clara, de 13, e Giovana, de 10, deixaram, propositalmente, para fazer as compras de Natal na feira. Cada filha teve direito a gastar R$ 50. “Viemos pensando em economizar. Aqui dá para comprar bastante coisa com esse dinheiro”, afirmou Ana Elise, ao pagar uma gargantilha de R$ 5 para uma das meninas.

Com o comércio fechado, a feira da Afonso Pena foi opção de quem não havia comprado ainda o presente de Natal. Como o feriado caiu no fim de semana, quem trabalhou durante a semana acabou sem tempo para as compras, caso do gesseiro Emanuel José, de 24. Não fosse a feira, ele chegaria de mãos vazias no almoço de Natal na casa da namorada. “Eu passei o sábado todo trabalhando. Não deu tempo de comprar. Arrisquei vir aqui, nem sabia que estava funcionando”, contou, enquanto escolhia um sapo de pelúcia para dar para a amada.

A chef e empresária Iolanda Costa, de 35, também deixou para comprar os presentes para a família na feira, mas não viu muita diferença em relação aos preços do comércio tradicional. “Estou olhando produtos que estão com preço de shopping”, ressaltou Iolanda.


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