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Alta da renda perde fôlego, mas desigualdade segue caindo, diz IBGE

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postado em 13/11/2015 10:37 / atualizado em 13/11/2015 13:55

Agência Estado

A desigualdade aumentou na região mais rica do País, o Sudeste, na passagem de 2013 para 2014. No total do País, porém, o cenário foi melhor, pois diminuiu a distância entre os mais pobres e os mais ricos na distribuição de renda. Já o rendimento seguiu crescendo, embora a alta tenha perdido fôlego em 2014, quando a economia começou a entrar na recessão que se aprofunda neste ano.

O cenário está traçado na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad 2014), divulgada nesta sexta-feira, 13, pelo Instituto Brasileira de Geografia e Estatística (IBGE).

O Índice de Gini, que mede a distribuição da renda, melhorou no País como um todo, porque os 20% que ganham menos tiveram aumento no rendimento, enquanto os 10% que ganham mais tiveram redução. O indicador passou de 0,495 em 2013 para 0,490 em 2014, mantendo a trajetória decrescente iniciada em 2004. Na escala do índice, quanto mais perto de 1,0, pior é a distribuição da renda e quanto mais perto de zero, melhor.

"A queda (no Índice de Gini) se deu porque houve alta nos rendimentos mais baixos e queda nos rendimentos mais altos", afirma Maria Lúcia Vieira, gerente da Pnad.

Conforme o IBGE, o rendimento médio do trabalho em 2014 ficou em R$ 1.774,00, alta real de 0,8% em relação a 2013. Maria Lúcia chamou atenção para o fato de o incremento anual do rendimento vir perdendo fôlego ano a ano. Em 2012, o crescimento da renda em relação ao ano anterior foi de 5,5% e, em 2013, de 3,9%.

"Aquele ganho de rendimento que se observava, não se observa mais", diz Maria Lúcia, referindo-se ao boom da renda na primeira década do século.

Entre os 10% que ganham menos, o rendimento médio foi de apenas R$ 256,00, mas a alta real ante 2013 foi de 4%, acima da média. Já entre os 10% mais ricos, cujo rendimento médio foi de R$ 7.154,00, houve queda real de 0,43% em relação a 2013 - entre o 1% mais rico, cuja renda média é de R$ 20.364,00, a queda foi maior, de 3,42%.

Sudeste

Na contramão do País, o Sudeste viu a desigualdade aumentar em 2014. O resultado pode sinalizar os primeiros efeitos da recessão econômica aprofundada neste ano, a maior em 25 anos.

"O que a gente viu no Sudeste é que houve aumento em todos as faixas de rendimento, exceto na mais baixa", afirma Maria Lúcia.

Na região mais rica do País, os 10% mais pobres tiveram renda média do trabalho de R$ 430,00 em 2014, 0,7% abaixo de 2013. Na média, os trabalhadores que moram no Sudeste tiveram renda de R$ 2.037,00, 2,5% acima de 2013. Com isso, o Índice de Gini local cresceu 0,7% no período, passando de 0,475 para 0,478.

Desemprego


Segundo a Pnad de 2014, o País criou 2,7 milhões de postos de trabalho na passagem de 2013 para 2014, mas o número de novas vagas não foi suficiente para absorver o aumento na procura por emprego.

Em 2014, embora a população ocupada tenha avançado 2,9%, a fila do desemprego cresceu ainda mais: 9,3%. Segundo o IBGE, houve pressão dos inativos que passaram a buscar uma vaga. A taxa de desemprego aumentou de 6,5% em 2013 para 6,9% em 2014.

"A taxa de desocupação aumenta porque as pessoas que estão saindo da inatividade estão pressionando e procurando trabalho", justificou Maria Lucia Vieira, gerente da Pnad no IBGE.

O número de desempregados aumentou em 600 mil pessoas de 2013 para 2014, um crescimento de 9,3% no período de um ano. Em todo o País, são 7,254 milhões de pessoas na fila do desemprego.

A pesquisa mostrou também elevação na proporção de trabalhadores informais. A fatia de empregados sem carteira assinada no setor privado avançou 0,5 ponto porcentual, para 21,5% do total. Já o trabalho por conta própria, que costuma abrigar atividades marcadamente informais, como comerciantes ambulantes, cresceu 0,7 ponto porcentual, para uma fatia de 21,4% do total de ocupados.

"Atividades como a indústria, que tem um porcentual grande de trabalhadores com carteira, tem um crescimento cada vez mais modesto, com impacto sobre esse tipo de vínculo. A parte dos serviços prestados a empresas, que tem alto grau de formalização, é um ramo que tem apresentado também menor absorção de trabalhadores", justificou Adriana Beringuy, técnica da Coordenação de Emprego e Rendimento do IBGE.

A indústria teve o pior crescimento (0,5%) no pessoal ocupado em 2014 entre os diversos setores pesquisados. O número de vagas nos serviços aumentaram 2,6%; no comércio, 5,0%; no setor agrícola, 3,4%; e na construção, 2,5%.

A Pnad apurou que o País tinha 98,621 milhões de pessoas ocupadas com 15 anos ou mais de idade, sendo 35,073 milhões delas com carteira de trabalho assinada no setor privado em atividade não agrícola.
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