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Estado de Minas

Pitangui retoma a produção de gusa

Desativada há um ano, usina arrendada pela Usipar volta a operar hoje e deve gerar 300 empregos até o fim do ano


postado em 30/09/2013 06:00 / atualizado em 30/09/2013 07:56

(foto: Paulo Filgueiras/EM/D.A Press)
(foto: Paulo Filgueiras/EM/D.A Press)

Pitangui – Entre as montanhas de Pitangui, cidade histórica do Centro-Oeste de Minas Gerais, fundada em 1715 e com cerca de 25 mil moradores, não se comenta outra novidade: a reativação da Siderpita, usina fundada na década de 50 e desativada em setembro do ano passado, devido à crise financeira mundial. A empresa Usipar arrendou a área e os equipamentos, que voltam a funcionar hoje, devendo gerar 300 empregos diretos até o fim do ano. A Siderpita já esteve entre as 10 maiores produtoras mineiras de ferro-gusa, matéria-prima da fabricação do aço.

A Usipar confirmou o religamento de um forno hoje, mas optou por manter em sigilo tanto o valor do investimento feito na reforma do equipamento, quanto a expectativa de produção e o número de empregos. A notícia de que os altos-fornos voltarão a queimar carvão é comemorada por aquelas bandas como se o Brasil tivesse vencido a final de uma Copa do Mundo. Pudera: a empresa foi a maior empregadora privada do município. Erguida próximo à margem direita do Rio Pará, a cerca de três quilômetros do núcleo histórico da cidade, a usina chegou a empregar mais de 600 pessoas nas décadas de 1960 a 1980. Em setembro de 2012, quando foi desativada, contava com 250 funcionários.

“O fechamento foi terrível, deixando 250 trabalhadores sem emprego”, recorda o presidente do sindicato local dos metalúrgicos, José Vantuir Ferreira. As rescisões contratuais afetaram o comércio e a arrecadação do município com impostos, puxando para baixo o desempenho do setor de serviços. “As vendas, de 2011 para 2012, caíram em torno de 40%. A reabertura da fábrica beneficiará nosso setor”, avaliou a presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Pitangui, Ana Rita Assumpção.

O último relatório do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), reforça a importância da volta de produção de gusa no município. De janeiro a agosto, foram criadas “apenas” 99 vagas em Pitangui. A expectativa na cidade é de que só a Siderpita gere, até o fim do ano, 300 postos. Eles não serão contratados todos de uma vez.

“Em princípio serão abertas 120 vagas”, disse o engenheiro de manutenção Alonso Oliveira Lemos Duarte, cuja carteira de trabalho foi assinada pela Usipar há poucos dias. A contratação em escala ocorre porque, por enquanto, o primeiro dos três altos-fornos da siderúrgica será religado, o segundo volta a operar em dezembro, quando mais 180 pessoas devem ser empregadas. Já o terceiro alto-forno ainda não tem previsão de entrar em atividade.

Efeito câmbio

A reativação da usina, embora por contrato de arrendamento, é um marco importante para um setor tradicional da economia mineira, grande exportador, e que sofreu não só com a crise mundial, mas também em consequência do longo tempo de valorização do real frente ao dólar, avalia o subsecretário de Desenvolvimento Mínerometalúrgico e Política Energética, Paulo Sérgio Machado Ribeiro.

A virada do dólar, que começou a se valorizar no fim do ano passado, contribuiu para melhorar a performance dos setores exportadores ou que são influenciados pela concorrência com os produtos estrangeiros no Brasil. De acordo com levantamento do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), a receita das exportações brasileiras de gusa reagiu em janeiro, ao alcançar US$ 160 milhões, representando aumento de 63,6% frente ao resultado do mesmo de 2012.

As cifras passaram, então, a flutuar, mês a mês deste ano, num misto de queda e recuperação. De janeiro a agosto, as vendas externas da matéria-prima somaram US$ 660,5 milhões, ainda exibindo retração de 28,5% frente a idêntico período de 2012.

 

Sob efeito da crise

A indústria de ferro-gusa foi uma das mais afetadas pela recessão econômica mundial, cujo marco do agravamento é a quebra do banco de investimentos americano Lehman Brothers, que anunciou falência em setembro de 2008. Em 2007, no chamado período pré-crise, Minas produziu cerca de 5 milhões de toneladas de gusa. Em 2012, encerrou o ano com aproximadamente 3 milhões de toneladas produzidas.

“Ainda não voltamos ao patamar anterior à crise”, lamentou Fausto Varela, presidente do Sindicato da Indústria de Ferro no Estado de Minas Gerais (Sindifer-MG). Um dos motivos da queda é a desaceleração da economia dos Estados Unidos e da China, os dois maiores clientes do setor.

Para ter ideia, o Produto Interno Bruto (PIB) da China, que havia crescido 13% em 2007, fechou o ano passado com aumento de 7,8%. Mas a recessão econômica em todo o globo não é o único problema: o chamado custo Brasil encarece a produção nacional.

O tal custo Brasil envolve várias situações que pesam no bolso dos empresários e, consequentemente, no dos consumidores, como estradas precárias que aumentam o gasto com fretes, burocracia do poder público para concessão de licenças ambientais e até mão de obra desqualificada. O diretor-presidente da Metalsider, Bruno Melo Lima, observa que as empresas começam a sentir aumento da demanda de gusa, mas que é cedo para quantificar.

Embora a valorização do dólar frente ao real já tenha permitido ao produto brasileiro retornar ao mercado internacional, o executivo estima um câmbio ideal de R$ 2,80 a R$ 2,90 por dólar. Com a reação das exportações e a influência que exerce também sobre o consumo interno, os preços subiram cerca de 10% nos últimos três meses. A tonelada do gusa chega a valer US$ 500, em média, no entanto, ainda distante das cotações ao redor de US$ 800 de antes da turbulência na economia em 2008.


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