O prejuízo de R$ 531,3 milhões amargado pela Usiminas no ano passado, ante um lucro líquido de R$ 404,1 milhões em 2011, superou as estimativas dos analistas do setor e eleva as pressões por resultados das medidas adotadas pela nova diretoria da companhia, com o ingresso do grupo Ternium/Tenaris, em 2012, no bloco de controle da siderúrgica. O vice-presidente de Finanças e Relações com Investidores, Ronald Seckelmann, afirmou ontem que parte dessas ações em busca de melhorias na operação do negócio já ajudou nos indicadores positivos do balanço de aumento das vendas e redução dos estoques, embora seja necessário prazo maior para que elas apareçam na contabilidade da empresa.
“Os resultados vão começar a se tornar visíveis neste ano, desde o uso de uma mistura de matérias-primas mais baratas ao aumento da produtividade. Esse esforço não vai parar nunca”, afirmou o executivo. As perdas da Usiminas mais que dobraram no quarto trimestre de 2012, atingindo R$ 283,1 milhões, quando comparadas à cifra de R$ 124,9 milhões no vermelho em 2011. Nas previsões dos analistas, o prejuízo chegaria a R$ 120 milhões no trimestre. Segundo o vice-presidente de RI da companhia, o lucro foi afetado por aumento das despesas financeiras, que se deveu na maior parte aos efeitos da desvalorização do real frente ao dólar, uma vez que 45% da dívida da companhia estão vinculados à moeda estrangeira. Pesaram, ainda, provisões para Imposto de Renda.
A boa notícia é que a Usiminas reduziu a sua dívida líquida, que era de R$ 3,9 bilhões no fim de 2011, para R$ 3,7 bilhões em dezembro e usará parte da captação de R$ 1 bilhão, feita em janeiro numa operação de emissão de debêntures, para refinanciar compromissos que vencem neste semestre. A diminuição de 5% da dívida líquida foi possível com o aumento da geração de caixa operacional que alcançou R$ 2,7 bilhões, dos quais cerca de R$ 2,2 bilhões obtidos com a redução dos estoques de produtos siderúrgicos e almoxarifado.
Vendas
A despeito do desaquecimento do consumo de aço em 2012, as vendas totais cresceram 16% na comparação com o ano anterior, ao somarem 6,9 milhões de toneladas. No mercado interno, foram vendidos 5 milhões de toneladas, representando avanço de 4%. Com a melhora dos números, a receita líquida, de R$ 12,7 bilhões no ano passado, subiu 7%. “Foi um ano dífícil, em que o consumo ficou praticamente estagnado, mas mesmo assim aumentamos as vendas e a receita, o que sinaliza a disciplina de gestão na busca por melhor eficiência industrial”, afirmou Ronald Seckelmann.
O alto prejuízo, na avaliação de Pedro Galdi, analista-chefe da SLW Corretora, reflete um cenário desfavorável que terá impacto no balanço de outras siderúrgicas. “A indústria brasileira está patinando e, com certeza, a Usminas vai continuar sofrendo por um tempo ainda”, afirma. O vice-presidente da siderúrgica disse que a companhia está otimista com a recuperação do mercado brasileiro neste ano e, ao mesmo tempo, com a redução das importações de aço. A participação delas caiu à metade da parcela de 14% do mercado em 2011. Seckelmann frisou que o foco na redução de custos e aumento da produtividade é a despesa total da operação, descartando corte “abrupto” de pessoal na companhia. A empresa manterá a estratégia de conter a reposição de pessoal, dentro do ritmo do turn over e das aposentadorias nas usinas.
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Prejuízo da Usiminas chega a US$ 531,3 mi
Perda da empresa no ano passado supera ganho de 2011 e expectativa é de retorno à lucratividade com ajustes
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