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Estado de Minas

Empresas de Minas querem construir navios no Sul

Doação de terreno e incentivos fiscais devem levar para Pelotas, no Rio Grande do Sul, indústrias do Vale do Aço que já fornecem para o setor naval e buscam expandir negócios


postado em 16/03/2012 07:14 / atualizado em 16/03/2012 07:22


Produção para a indústria naval em Ipatinga começou logo depois da crise de 2008, quando mineração e siderurgia reduziram as demandas (foto: Renato Weil/EM/D.A/Press)
Produção para a indústria naval em Ipatinga começou logo depois da crise de 2008, quando mineração e siderurgia reduziram as demandas (foto: Renato Weil/EM/D.A/Press)

Quatro indústrias do setor metal mecânico do Vale do Aço estão se preparando para investir US$ 50 milhões na montagem de um estaleiro - uma fábrica de navios - no município de Pelotas, no Rio Grande do Sul. O objetivo é fabricar e montar embarcações com tamanho aproximado de 30 metros de largura por 100 metros de comprimento. Somente numa área à beira-mar é possível viabilizar a fabricação e a montagem de equipamentos dessa dimensão. A prefeitura de Pelotas e o Governo do Rio Grande do Sul (RS) oferecem às empresas mineiras terreno grátis e isenção praticamente total para Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), PIS/Cofins e Imposto Territorial, Predial e Urbano (IPTU).

A expectativa é fechar o negócio entre os meses de junho e julho. O estaleiro pode ser construído em três anos e, inicialmente, vai gerar entre 150 e 200 empregos diretos. Até quatro anos atrás, essa guinada seria simplesmente impossível de se imaginar. As empresas do Vale do Aço começaram a diversificar suas atividades rumo ao setor naval e ao de gás e petróleo depois da crise de 2008, quando suas encomendas para o setor de mineração e siderurgia, até então os únicos clientes da indústria metal mecânica da região, caíram a níveis preocupantes.

Hoje, em algumas das organizações de porte médio que já atuam no novo segmento, 50% do faturamento são provenientes do setor naval e de óleo e gás. Ailton Duarte é proprietário da CMI Montagem Industrial. Sua empresa entrou no setor naval prestando serviços para a Usiminas. “Desde que as indústrias da região resolveram tentar atender o segmento, no Rio de Janeiro, deram início à participação em feiras e eventos e, com isso, também abriram a oportunidade de se tornar fornecedoras das indústrias de óleo e gás.” Do ano passado para cá, de acordo com ele, o número de empregados da CMI saiu de 130 para 250. “Tive que abrir uma unidade só para atender o setor naval em Caratinga, município vizinho de Ipatinga”, disse Duarte. Nada menos do que 100% das atividades dessa nova planta da CMI estão atendendo o setor naval.

“A prefeitura de Pelotas ofereceu uma área ao lado do porto do Rio Grande, que hoje é um polo naval e petrolífero muito importante. O porto tem localização estratégica. Fica perto do Paraguai, onde já começaram a descobrir petróleo, e do Uruguai, que não tem indústrias. Quem entrar no Sul do país hoje terá facilidade logística para exportar e explorar esses mercados”, observa Augusto César de Barros Moreira, gestor do Arranjo Produtivo Local (APL) metal-mecânico do Vale do Aço. Segundo ele, representantes da prefeitura e de empresas de Pelotas chegarão a Minas no fim do mês para continuar a negociação que levará o empreendimento a ser concretizado.

CONSÓRCIO A ideia, segundo ele, é formar um consórcio com quatro empresas que, até agora, são fabricantes de componentes para navios. O tamanho da área oferecida pelo município de Pelotas – cerca de 300 mil metros quadrados – permite às empresas montarem um estaleiro para fabricar navios que atenderão à indústria de petróleo e gás do Rio Grande do Sul. Para isso, no entanto, será necessário terminar um estudo de impacto ambiental já iniciado no município, articular o financiamento necessário para fazer frente aos investimentos previstos e concluir um levantamento do mercado potencial da região. “Pelotas está buscando empresas capazes de construir navios em todo o Brasil. Temos um prazo para fazer um estudo da área e da viabilidade”, diz Anízio Tavares, diretor da Ata Indústria Mecânica, que participou da comitiva de empresários que visitou a cidade no início de março.

Diante do volume de negociações que já possuem e da possibilidade de fornecerem para a região Nordeste, desde o ano passado os fabricantes de peças para navios no Vale do Aço já estavam procurando área à beira-mar para montar um estaleiro no Rio de Janeiro. “O fornecimento de peças para navios lá é contínuo. As empresas contratadas no Rio já têm demanda para os próximos 70 anos”, diz Moreira. Segundo ele, mesmo diante no novo interesse em Pelotas, as negociações iniciadas em território fluminense continuam em curso. “Continuamos procurando as áreas ali.”


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