Há destinos que impressionam pelo que oferecem. A Suíça impressiona também pela maneira como tudo se conecta. Em poucas horas, o viajante pode sair de uma cidade cosmopolita, atravessar um lago, subir uma montanha coberta de neve e terminar o dia diante de uma vila alpina. É uma geografia compacta, mas extraordinariamente diversa — e talvez esteja justamente aí uma de suas maiores exclusividades.

Não se trata apenas de conhecer Zurique, Lucerna, Lugano ou St. Moritz. A experiência suíça está no percurso entre elas. Está na janela do trem, no reflexo das montanhas sobre um lago, na precisão dos horários, na possibilidade de transformar o próprio deslocamento em parte da viagem.

Os números ajudam a explicar por que esse modelo vem conquistando cada vez mais brasileiros. Entre janeiro e junho de 2026, as pernoites de brasileiros na Suíça cresceram 7,7% em relação ao mesmo período de 2025. Zurique, St. Moritz e Genebra aparecem entre os destinos mais procurados.

Uma viagem que começa antes de chegar

Na Suíça, o trem não é apenas transporte. É uma espécie de mirante em movimento.

Em 2026, o Grand Train Tour of Switzerland completa dez anos conectando alguns dos mais famosos trens panorâmicos do país em um percurso circular de 1.280 quilômetros. A rota passa por paisagens alpinas, lagos, vilarejos históricos e cinco locais reconhecidos como Patrimônio Mundial da UNESCO. Entre os trens estão o Bernina Express, Glacier Express, GoldenPass Express, Gotthard Panorama Express e Voralpen Express.

É uma maneira particularmente elegante de conhecer um país que parece ter sido desenhado para ser observado pela janela.

Durante uma viagem pela Suíça, a experiência com o Swiss Travel Pass reforça essa sensação de liberdade. Zurique pode ser o ponto de partida; Lucerna, uma pausa entre lago e montanha; Engelberg, a porta para uma experiência alpina; Lugano, a mudança quase cinematográfica para o clima mediterrâneo do Ticino. E, no caminho, a paisagem nunca é apenas cenário: ela participa da viagem.

Do Alpes ao clima quente em poucas horas

Titlis Rotair, o primeiro teleférico giratório do mundo, realiza uma rotação completa, proporcionando vistas panorâmicas dos Alpes suíço Titlis Tour/Divulgação
O Grand Train Tour of Switzerland completa dez anos conectando alguns dos mais famosos trens panorâmicos do país. A rota passa por paisagens alpinas, lagos, vilarejos históricos e 5 locais reconhecidos como Patrimônio Mundial da UNESCO Swiss Tourism/Divulgação
No calor, Lago de Zurique se transforma em balneário na Suíça Carlos Altman/EM
Do alto do Monte San Salvadore, é possível contemplar o Lago de Lugano, as montanhas suíças e a proximidade com a fronteira italiana Carlos Altman/EM
De um lado do Lago de Lugano, a Suiça. Do outro, a Itália em uma mesma foto Carlos Altman/EM
Se existe algo que funciona perfeitamente na Suíça, é o transporte ferroviário. Os trens conectam praticamente todas as cidades, vilarejos e atrações turísticas do país Carlos Altman/EM
Zurique se transforma no verão. A cidade da Suíça é puro charme com o calor e o Sol que promete "praia" para visitantes Carlos Altman/EM
Lucerna é uma charmosa cidade localizada no coração da Suíça, conhecida por sua beleza medieval e paisagens alpinas deslumbrantes Carlos Altman/EM
11) Lucerna (Suíça), 59 pontos: Conhecida por sua Ponte da Capela e a Torre da Água, Lucerna é uma cidade encantadora às margens do Lago dos Quatro Cantões, cercada por picos alpinos deslumbrantes. Kathy Sortore por Pixabay

Poucos lugares oferecem uma mudança tão radical de atmosfera em distâncias tão curtas.

Em Lucerna, o lago encontra as montanhas e o centro histórico preserva uma escala quase cenográfica. A região reúne o Lago de Lucerna, o Monte Pilatus e o Titlis, combinando patrimônio, natureza e experiências de altitude.

Mais ao sul, Lugano apresenta outra Suíça. O Ticino mistura arquitetura e precisão suíças com referências mediterrâneas. O Lago de Lugano, as montanhas e a atmosfera italiana criam uma paisagem que parece pertencer a outro país — embora continue sendo Suíça.

Foi justamente essa diversidade que tornou a viagem tão marcante: em poucos dias, é possível experimentar diferentes identidades culturais e geográficas sem abrir mão da eficiência que caracteriza o país.

No Monte San Salvatore, por exemplo, a paisagem ganha outra escala. De um lado, o lago; do outro, as montanhas; abaixo, Lugano. É o tipo de lugar em que fotografar parece insuficiente porque nenhuma imagem consegue reproduzir completamente a sensação de estar diante daquela dimensão.

A exclusividade está nos detalhes

No calor, Lago de Zurique se transforma em balneário na Suíça

Carlos Altman/EM

A Suíça também entende que luxo não precisa ser excesso.

Ele pode estar em um hotel histórico, em uma mesa bem posta, em uma estação perfeitamente integrada à paisagem ou na possibilidade de chegar a uma montanha sem transformar a experiência em uma operação complicada.

St. Moritz representa a vertente mais sofisticada dessa relação com os Alpes. O destino reúne tradição, hotelaria de alto padrão e esportes de montanha; o Kulm Hotel, fundado em 1856, é um dos símbolos dessa história e está associado ao nascimento do turismo de inverno na região.

Zermatt acrescenta outro elemento: o Matterhorn, uma das montanhas mais reconhecíveis do planeta. Ali, a experiência de montanha combina paisagem, mobilidade sustentável e acesso a diferentes pontos panorâmicos.

Em Crans-Montana, a exclusividade ganha outras formas: golfe, bem-estar, gastronomia, esportes de inverno e experiências durante todo o ano.

Viajar devagar em um país que funciona rápido

Se existe algo que funciona perfeitamente na Suíça, é o transporte ferroviário. Os trens conectam praticamente todas as cidades, vilarejos e atrações turísticas do país

Carlos Altman/EM

Existe uma contradição interessante na experiência suíça: o país é conhecido pela precisão, mas convida a desacelerar.

O trem chega no horário, mas o viajante pode simplesmente sentar e observar. O roteiro é organizado, mas a paisagem muda constantemente. A infraestrutura é eficiente, mas não elimina a sensação de descoberta.

O próprio Grand Train Tour está alinhado à estratégia de sustentabilidade do turismo suíço, incentivando o transporte ferroviário como uma alternativa de menor impacto ambiental para explorar o país.

Em 2026, dez anos depois de seu lançamento, o produto já contabiliza mais de 60 mil downloads de seu aplicativo entre 2020 e 2025 e ultrapassou CHF 1 milhão em vendas de tickets personalizados em 2022. A oferta também passou de seis para 11 sugestões de viagem reserváveis.

Uma coleção de lugares impossíveis de repetir

De um lado do Lago de Lugano, a Suiça. Do outro, a Itália em uma mesma foto

Carlos Altman/EM

Talvez a grande exclusividade de viajar pela Suíça esteja justamente na impossibilidade de resumir o país a um único cartão-postal.

Há a elegância urbana de Zurique, a atmosfera histórica de Lucerna, os Alpes de Engelberg, a sofisticação de St. Moritz, a imponência de Zermatt, a cosmopolita Genebra e o inesperado espírito mediterrâneo de Lugano.

Há ainda o Lago Léman, Lausanne, Neuchâtel, Interlaken e a região de Jungfrau, onde lagos, vilarejos e montanhas formam alguns dos cenários mais emblemáticos do país.

E talvez seja essa sucessão de contrastes que faça da Suíça uma experiência tão singular. Não é preciso escolher entre cidade e natureza, luxo e aventura, tradição e contemporaneidade. O país permite experimentar tudo na mesma viagem.

No fim, a memória não guarda apenas destinos. Guarda o trem serpenteando pelas montanhas, o azul profundo de um lago, o frio no rosto ao alcançar uma altitude maior, o silêncio de uma vila alpina e aquela sensação rara de que a paisagem parece grande demais para caber em uma fotografia.

Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia

Na Suíça, exclusividade não significa estar distante de tudo. Significa estar diante de algo que parece existir em nenhum outro lugar.

compartilhe