Guerra EUA X Irã

"Graças a Deus voltamos": brasileira celebra voo abortado para Dubai 

Após 14 horas de voo interrompido e retorno a São Paulo, Leda De Luca conta como a Emirates gerenciou a crise e o alívio dos passageiros

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No último sábado, 28 de fevereiro, Leda De Luca, diretora geral da agência de turismo de luxo Ares do Mundo, viveu uma experiência intensa a bordo de um voo da Emirates de São Paulo para Dubai. A viagem, planejada há quase um ano com a família — incluindo um bebê de menos de um ano —, foi interrompida pela escalada do conflito no Oriente Médio, com ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irã, seguidos de retaliações iranianas que levaram ao fechamento do espaço aéreo na região do Golfo Pérsico, incluindo os Emirados Árabes Unidos.

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Após cerca de sete horas de voo, o comandante anunciou o retorno obrigatório a São Paulo devido ao fechamento do espaço aéreo em Dubai e áreas próximas. Os passageiros descobriram os detalhes pelos canais de notícias ao vivo nas telas do avião.

Aqui está o relato direto de Leda De Luca:

 "Vou relatar um pouquinho sobre a minha experiência com essa situação de Força Maior. Vivi isso agora no último sábado, dia 28 de fevereiro. Estava com a minha família e bebê de menos de um ano a caminho de Dubai, uma viagem que foi planejada há quase um ano, e no meio do percurso, depois de sete horas voadas, o comandante informou todo o avião que ia precisar retornar para São Paulo, porque o espaço aéreo dos Emirados Árabes tinha sido fechado. Logo, todos que estavam curiosos para saber o que tinha acontecido, entraram na TV do avião e descobriram ali por canais ao vivo o que tinha acontecido, e aí a gente soube dos ataques. Que tinha acontecido em Abu Dhabi, em Dubai, e que era essa a questão do retorno para o aeroporto."

Ela destacou a tranquilidade a bordo:

"Dentro da aeronave foi tudo absolutamente tranquilo, não se instalou o caos, muita gente pelo contrário estava extremamente agradecida de não ter chegado em Dubai, porque claro, se o espaço aéreo estava fechado, provavelmente a gente ficaria preso por lá, se tivesse pousado de fato o avião, mas foi extremamente tranquilo, inclusive foi um voo noturno, então era meio de madrugada ainda quando tudo aconteceu, então realmente não teve um caos dentro do avião."

Após 14 horas totais, o avião pousou em São Paulo. A Emirates gerenciou a situação de forma eficiente:

"Depois de 14 horas, o avião de fato pousou em São Paulo, ainda dentro do avião as comissárias de bordo estavam informando. Informando sutilmente para as pessoas aguardarem no saguão enquanto pegavam as malas nas esteiras que iam aparecer outros comunicados ali de Emirates com novas orientações. E de fato a companhia aérea informou ali enquanto as pessoas pegavam a bagagem que quem não era de São Paulo já poderia ficar tranquilo também, que já tinha um hotel reservado para eles, toda a parte de transfer também já estava aguardando todas as pessoas para irem para os seus hotéis, quem era de São Paulo também já tinha um transferes esperando pelas pessoas também para levar elas para suas casas e para não se preocuparem com questões de cancelamento ou crédito que isso seria revisto facilmente pela Emirates. E assim realmente foi, foi tudo muito tranquilo".

Já em casa, Leda refletiu sobre a segurança e os próximos passos:

"Já em casa tomamos mesmo a noção da proporção de tudo aquilo que estava acontecendo, agradecemos mais uma vez por estar em segurança e na nossa casa, ainda mais com uma bebê de colo e o cancelamento também com outros fornecedores envolvidos da viagem seguiu da mesma forma, procurando cada um dos fornecedores para fazer o cancelamento ou a solicitação de crédito, mas também tendo uma segurança muito grande por trás que se alguma coisa não desse certo a gente ainda ter o seguro viagem para cobrir qualquer possível perda que poderíamos ter, então foi este o cenário geral da viagem."

O incidente faz parte de um caos aéreo maior: desde o início do conflito em 28 de fevereiro, mais de 20 mil voos (de acordo com a Cirium e FlightAware) foram cancelados na região do Oriente Médio e em rotas afetadas, impactando centenas de milhares de passageiros — com estimativas apontando para mais de um milhão de pessoas retidas ou afetadas globalmente. A Emirates, em particular, suspendeu a maioria das operações em Dubai por dias, com cancelamentos na casa das milhares, e retomou voos limitados apenas recentemente para repatriação e cargas essenciais.

Receios dos viajantes 

Empresária do ramo de turismo, ela já fez várias viagens para o Oriente Médio. No Egito,visitou o complexo arqueológico Abul Simbel
Empresária do ramo de turismo, ela já fez várias viagens para o Oriente Médio. No Egito,visitou o complexo arqueológico Abul Simbel Aquivo Pessoal

Em momentos de tensão geopolítica, a primeira preocupação dos viajantes é a segurança. Mas também surge muita apreensão em relação à logística da viagem, possíveis cancelamentos de voos e perdas financeiras relacionadas a hotéis e roteiros pré-comprados.  

A apreensão dos viajantes não se limita apenas aos países diretamente envolvidos no conflito, mas costuma se estender também a destinos geograficamente próximos ou que fazem parte do mesmo contexto cultural. A guerra em Israel, por exemplo, impactou a procura por destinos como Egito, Jordânia e até no Marrocos, que está geograficamente mais distante do epicentro do conflito.  

Isso acontece porque, na percepção de muitos viajantes, conflitos no Oriente Médio acabam sendo associados à região como um todo. Em momentos de tensão, cria-se um efeito em cadeia em que outros países árabes ou do entorno também sofrem impacto na demanda turística, mesmo quando continuam seguros e operando normalmente.  

O importante é sempre entender o cenário. O Oriente Médio é uma região extensa e complexa. Nem todos os destinos são impactados da mesma forma por um conflito. Por isso, nosso trabalho como agência de viagem é acompanhar a situação diariamente e orientar cada cliente com base em informações atualizadas de companhias aéreas, hotéis e parceiros locais.

Cancelamento ou adiamento das viagens 

Na prática, postergar a viagem costuma ser a escolha mais comum entre os viajantes e a forma mais rápida de resolver qualquer tipo de questão.  

Isso acontece principalmente porque, em situações excepcionais, companhias aéreas e hotéis tendem a oferecer maior flexibilidade para remarcação ou crédito para uso futuro.  

Claro, cada caso é analisado individualmente e nosso papel como agência é justamente ter empatia pela necessidade e intermediar esse processo com os fornecedores, na busca da melhor solução para o cliente, equilibrando segurança, flexibilidade e preservação do investimento da viagem.

Direitos do viajante em casos de força maior

Situações de guerra, assim como pandemia, se enquadram em situações que chamamos “de força maior”, o que pode naturalmente impactar nas políticas de cancelamento.  

Quando uma companhia aérea cancela um voo por uma questão de algo que foge do controle, o passageiro normalmente tem direito à remarcação ou ao reembolso, de acordo com as regras da empresa e da autoridade reguladora do transporte aéreo.  

No caso de hotéis e outros serviços terrestres, a flexibilidade pode variar, mas em cenários de crise grande parte dos fornecedores adotam políticas mais flexíveis para remarcações ou reembolso.  

O planejamento bem feito faz diferença nesses momentos. Por isso, sempre recomendamos que o viajante conte com suporte de uma agência especializada, além investir em um bom seguro viagem. Em situações inesperadas, ter alguém acompanhando e negociando diretamente com os fornecedores faz toda a diferença e oferece uma segurança adicional que a gente só reconhece quando realmente passa por aquela situação em especial.

Dicas 

- Mantenha a calma a bordo — as tripulações são treinadas para isso e a prioridade é a segurança.

- Confie nas companhias aéreas para suporte imediato: hotéis, transfers e reacomodações geralmente são providenciados em casos de fechamento de espaço aéreo.

- Ao chegar em casa, contate todos os fornecedores envolvidos (hotéis, passeios, etc.) para cancelamentos ou créditos — muitos são flexíveis em eventos de força maior.

- Tenha sempre um seguro viagem robusto: ele pode cobrir perdas financeiras não reembolsadas pela companhia aérea ou outros serviços, oferecendo uma rede de segurança extra.

- Acompanhe notícias em tempo real via canais oficiais e apps das companhias aéreas para entender o contexto e planejar próximos passos.

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