Mobilização nas redes

Cão Orelha: boicote de agências gera cancelamentos em hotéis de SC

Empresas de turismo emitem notas de posicionamento e rompem parcerias com empreendimentos supostamente ligados às famílias dos adolescentes investigados

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O caso da morte do cão comunitário Orelha, ocorrido em uma praia de Santa Catarina e que envolve adolescentes suspeitos de maus-tratos, tem gerado repercussão além das investigações policiais. Empresas do setor de turismo ligadas às famílias dos jovens estão enfrentando uma onda de cancelamentos por parte de agências de viagens, que se posicionaram publicamente contra o episódio. As manifestações ocorreram principalmente no Instagram, por meio de notas oficiais, destacando valores éticos e o repúdio a atos de violência contra animais.

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A mobilização começou a ganhar força nos últimos dias, com diversas agências anunciando a suspensão de parcerias comerciais e a interrupção da venda de pacotes relacionados às empresas afetadas. Uma das primeiras a se manifestar foi a ERS Viagens e Turismo, de São Caetano do Sul (SP). Em um post compartilhado em suas redes, a empresa divulgou uma nota de posicionamento afirmando: "Somos uma empresa que preza pelo respeito, pela ética e pelo cuidado com todos — pessoas e animais. Não compactuamos com qualquer tipo de ação que vá contra esses valores". A agência reforçou que seguirá atenta às condutas de seus parceiros e manterá o compromisso de indicar apenas estabelecimentos alinhados aos seus princípios.

Seguindo o exemplo, a Bony Travel Experience, especializada em milhas aéreas e viagens personalizadas, publicou uma nota similar em uma postagem no Instagram. "Todo o nosso trabalho é voltado para pessoas e empresas que prezam o respeito e a ética. O cuidado deve ser voltado para todos. Em nenhuma hipótese vamos compactuar com qualquer tipo de atitude que vá contra nossos valores", declarou a proprietária Luciene Bony, que se identificou como mãe de pet e enfatizou a importância da vida animal. O post, que credita inspiração à ERS Viagens, destacou: "Defendemos quem ama a vida!" e recebeu apoio de clientes e seguidores.

Outras agências aderiram rapidamente ao movimento. A Tâmega Turismo e Seguros, de Santos (SP), anunciou em uma postagem no Instagram a suspensão definitiva da comercialização de hospedagens ligadas ao caso. "Diante do grave ocorrido envolvendo o cachorro Orelha, informamos que suspendemos de forma definitiva a comercialização", informou a nota, que circulou amplamente e foi elogiada por internautas por sua postura ética.

A Globo Tour Viagens, a Mundo Color Prime e a LTC Viagens e Turismo também se manifestaram, retirando empreendimentos de suas curadorias e indicações. Em notas divulgadas nas redes, elas enfatizaram que "viajar vai além de destinos e hotéis, envolvendo valores, ética e responsabilidade", e que não compactuam com desrespeito à vida. A Excellence Viagens e a Brasil Tur seguiram a mesma linha, com posicionamentos que reforçam o compromisso com o bem-estar animal.

 
 
 
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Um post compartilhado por CVC CE - La Plaza Shopping (@cvc.ce.laplaza)

Até mesmo grandes operadoras entraram na discussão. Uma afiliada da CVC, uma das maiores empresas do setor no Brasil, comentou em postagens relacionadas que acompanha o episódio e suspendeu a comercialização das redes mencionadas desde o início das apurações. "Não toleramos atos de agressão", afirmou a companhia em respostas públicas.

Mobilização nas redes

O impacto econômico ainda não foi quantificado, mas relatos indicam que as empresas afetadas já registram cancelamentos em massa, impulsionados pela viralização dos Reels e posts nas redes sociais. Hashtags como #JustiçaPeloOrelha ganharam tração no X (antigo Twitter), com usuários compartilhando as notas das agências e incentivando boicotes. Um post no X destacou: "Agência de viagem interrompe comercialização de hospedagens para rede de hotéis dos pais dos adolescentes envolvidos na morte do cachorro Orelha", alcançando milhares de visualizações.

Especialistas em turismo observam que essa reação reflete uma tendência crescente de consumidores e empresas priorizarem valores sociais e ambientais. "O setor de viagens está cada vez mais sensível a questões éticas, e casos como esse podem influenciar decisões de longo prazo", comentou um analista do mercado.

Enquanto as investigações prosseguem, com os adolescentes indiciados por maus-tratos e familiares por coação a testemunhas, o episódio serve como lembrete do poder das redes sociais em mobilizar ações coletivas. As agências envolvidas no boicote afirmam que suas decisões são guiadas por princípios, e não por pressão externa, mas o movimento continua a crescer, com mais empresas se posicionando diariamente.

 

Nota de esclarecimento 

 

Enquanto isso, os hotéis afetados contestam as associações. O Majestic Palace Hotel Florianópolis emitiu nota negando qualquer vínculo com os investigados, atribuindo as acusações a coincidência de sobrenomes e destacando sua política pet friendly de mais de 15 anos, apoio à adoção responsável e repúdio à violência animal. A Polícia Civil de Santa Catarina confirmou em apurações que não há relação comprovada entre o hotel e o caso. A Rede Mar Canavieiras e o Al Mare Florianópolis também enfrentam suspensões, mas não emitiram notas de esclarecimento até o momento.

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Algumas agências, como a Eurotrip Consultoria (Anápolis/GO), ajustaram posicionamentos iniciais, excluindo o Majestic Palace do boicote após esclarecimentos, mas mantendo a medida para os demais. As investigações policiais prosseguem, com indiciamentos por maus-tratos, coação a testemunhas e outros crimes.

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