Pedido de Socorro

O preço do hype: Lavras Novas, onde o turismo expulsa quem sempre esteve lá

Outrora refúgio sereno de raízes quilombolas, hoje se afoga no próprio sucesso turístico: o charme que seduzia virou multidão sufocante que expulsa nativos

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Lavras Novas, distrito de Ouro Preto em Minas Gerais, outrora um refúgio tranquilo e charmoso com raízes em um antigo quilombo, enfrenta hoje uma crise de identidade causada pelo turismo descontrolado. O que era um vilarejo pacato, marcado por sua hospitalidade comunitária e paisagens naturais preservadas, transformou-se em um polo de superlotação, com reclamações crescentes de moradores e visitantes sobre a perda de autenticidade, degradação ambiental e conflitos sociais. Baseado em avaliações negativas nas redes sociais e análises acadêmicas, vamos explorar os problemas apresentados por frequentadores e residentes, destacando como o "boom" turístico ameaça o patrimônio cultural do local.

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Um dos principais lamentos ecoa nas redes sociais: a multidão de turistas que invade Lavras Novas, especialmente nos fins de semana e feriados. Usuários do X (antigo Twitter) relatam cenas de caos, com ruas lotadas e falta de espaço para desfrutar da tranquilidade que atraía visitantes iniciais. "Pelo visto, todo mundo decidiu ir em Lavras Novas hoje. Tava completamente lotado", reclamou o usuário @yanlucas__ em junho de 2025. Similarmente, durante a pandemia, em março de 2021, @OiVijanis destacou: "Lavras Novas ta tão aberta que tem até feira na rua. Lotado. Bares, restaurantes, lojinhas... e eu to falando desse fim de semana!"

Essas queixas não são isoladas. Estudos acadêmicos confirmam que o fluxo turístico excede a capacidade do distrito, causando congestionamentos, problemas de estacionamento e pressão sobre a infraestrutura precária. Uma monografia da Universidade Federal de Ouro Preto aponta para a "superlotação de espaços e equipamentos", com picos de energia e falta de água relatados por moradores. Em análise antropológica apresentada na ANPTUR, pesquisadores observam que o aumento de visitantes nos fins de semana compromete a fruição das atrações naturais, como cachoeiras, levando a uma "perda de tranquilidade" para residentes e proprietários de segundas residências.

De quilombo a parque temático?

Fundado como um quilombo no século 18, Lavras Novas preserva uma herança afro-brasileira marcada por solidariedade comunitária, festas religiosas e arquitetura tradicional em adobe. No entanto, o turismo de massa tem acelerado uma "hibridização cultural", onde hábitos locais são suplantados por influências externas. Moradores lamentam a descaracterização do vilarejo, com construções modernas que não respeitam o padrão arquitetônico original, como janelas de ferro em vez de madeira, e a venda de terras para investidores de fora.

Em post no X, @Ratamahatta2309 criticou em abril de 2024: "Lavras Novas é um lugar turístico, lotado, especulação imobiliária incontrolável, gentrificação etc. Só mora barão e as poucas famílias tradicionalmente habitantes têm uma vida muito longe de ser pacata." Essa gentrificação é corroborada por pesquisas: um artigo no Simpósio de Urbanismo relata que apenas quatro das quarenta pousadas são de nativos, com a maioria dos lucros indo para empreendedores exógenos, resultando em exclusão social e expulsão de residentes por preços elevados.

A mercantilização da cultura também é um ponto crítico. Festas locais, como a da Padroeira, são ofuscadas por eventos mercadológicos sem vínculo com a identidade quilombola. Uma dissertação da pesquisadora Patrícia Rosvadoski da UFV destaca a nostalgia dos moradores pela era pré-turística, quando o vilarejo era "bem tranquilo" e sem drogas ou assaltos, agora introduzidos pelo fluxo de visitantes. Conflitos geracionais surgem, com jovens adotando modas urbanas e normas sexuais influenciadas por turistas, causando desconforto em uma comunidade tradicionalmente conservadora.

Degradação ambiental e problemas sociais

O impacto ambiental é outro foco de insatisfação. Poluição sonora, contaminação de rios e cachoeiras por esgoto inadequado, desmatamento e aumento de lixo nas vias públicas são comuns. Visitantes reclamam de atos como "maus tratos aos animais" e "poluição de rios", conforme citado em estudos da UFOP. No X, @maiaprodutor_ desabafou em setembro de 2020: "lavras novas igual um suvaco de cobra... lotado", ilustrando o desconforto com a bagunça.

Socialmente, há relatos de aumento na delinquência, consumo de entorpecentes e conflitos entre locais e turistas. Comportamentos como urinações públicas, danos a patrimônios históricos (como cruzes quebradas) e ruídos excessivos geram tensão. Uma análise da ANPTUR menciona a reputação de Lavras Novas como "lugar de maconheiros", influenciando negativamente a juventude local. Além disso, a elevação de preços de bens e serviços causa "carestia de vida" para residentes, exacerbando desigualdades.

Um apelo por sustentabilidade

Frequentadores, tanto turistas quanto moradores, pedem mais planejamento. Em reclamações no X, como a de @flasouzalves em janeiro de 2021 sobre aglomerações durante a pandemia, há críticas à falta de controle: "A criatura junta a família pra ir pra Lavras Novas que todo mundo disse que tá mega lotado. Ah, fala sério!" Estudos recomendam monitoramento do fluxo turístico para evitar distorções e preservar o patrimônio, com maior participação comunitária via associações locais.

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Apesar dos benefícios econômicos, como geração de empregos, o consenso é que o turismo atual "reproduz mazelas urbanas no espaço rural", conforme artigo no Simpósio de Urbanismo. Lavras Novas corre o risco de se tornar um "fóssil" cultural, vampirizado pelo capitalismo turístico, semelhante a outros destinos globais como Trancoso, Barcelona e Santorini. Para reverter isso, é essencial equilibrar o crescimento com a preservação da essência quilombola e natural do vilarejo.

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