O atobá-do-norte, ou Morus bassanus, sobrevoa o Atlântico Norte em busca de cardumes antes de mergulhar quase na vertical. A ave possui uma combinação de formato corporal, musculatura forte e estruturas internas que permitem atingir altas velocidades e perseguir peixes debaixo d’água.
Para caçar, o atobá-do-norte localiza a presa do alto e inicia a descida. Durante a queda, recolhe progressivamente as asas, adotando uma forma estreita que reduz a área frontal de contato com a água. Pesquisas biomecânicas indicam que a ave pode mergulhar de dezenas de metros de altura, atingindo velocidades superiores a 20 metros por segundo.
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Esse comportamento, conhecido como mergulho de impacto, também é observado em outros membros da família Sulidae.
Como a ave suporta o impacto
O bico longo e pontiagudo do atobá-do-norte divide a água antes que a cabeça e o corpo atinjam a superfície. Ao mesmo tempo, músculos fortes no pescoço garantem o alinhamento e reduzem o risco de deformação no impacto. A geometria da cabeça e o comprimento do pescoço atuam em conjunto com a musculatura e a velocidade.
O corpo também possui divertículos aéreos extensos sob a pele, conectados ao sistema respiratório. Embora essas estruturas sejam descritas como um sistema de amortecimento, estudos anatômicos apontam que sua contribuição exata ainda precisa de mais investigação. As principais adaptações são:
bico estreito e alongado;
pescoço estabilizado pela musculatura;
corpo aerodinâmico durante a entrada;
estruturas aéreas distribuídas sob a pele.
A caça continua sob a água
A alta velocidade de entrada fornece impulso suficiente para levar a ave vários metros abaixo da superfície. Estudos com acelerômetros mostraram que, apenas com a energia da queda, os atobás-do-norte alcançam profundidades de até 11 metros.
Quando a presa está mais funda, a ave usa as asas para gerar propulsão subaquática. Indivíduos monitorados ultrapassaram 20 metros de profundidade ao combinar o mergulho inicial com movimentos ativos de perseguição.
Inspiração para a ciência
O comportamento do atobá-do-norte oferece um modelo natural para estudar a transição rápida entre ar e água, meios com densidades muito diferentes. Pesquisadores analisam a anatomia e usam modelos físicos para entender como as forças hidrodinâmicas agem sobre o corpo da ave.
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Essas pesquisas inspiram estudos de engenharia para o desenvolvimento de veículos e dispositivos capazes de atravessar a interface ar-água com menor impacto. O mergulho da ave é um exemplo de biomecânica altamente especializada.
