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Este pássaro é capaz de voar 12.000 km sem parar: quase uma ida e volta SP-Nova York

O maçarico-de-cauda-barrada, conhecido cientificamente como Limosa lapponica, é uma ave migratória de médio porte que chama atenção pela capacidade de realizar voos intercontinentais sem pousar.

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O maçarico-de-cauda-barrada, conhecido cientificamente como Limosa lapponica, é uma ave migratória de médio porte que chama atenção pela capacidade de realizar voos intercontinentais sem pousar. Pesquisadores já registraram rotas com mais de 12.000 quilômetros de distância, que ligam regiões árticas de reprodução a zonas costeiras mais quentes. Dessa forma, o pássaro cruza oceanos abertos por vários dias seguidos. Estudos mais recentes, com uso de transmissores por satélite, detalham cada vez melhor o caminho percorrido e o esforço envolvido nessa jornada.

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Visualmente discreto, com plumagem em tons de marrom, cinza e cauda barrada, o maçarico-de-cauda-barrada não se destaca pela aparência. No entanto, a ave impressiona pelo desempenho em longas distâncias. Fora do período migratório, o maçarico utiliza áreas costeiras e lamaçais para alimentação e descanso. Além disso, a espécie depende de um planejamento energético muito preciso. A combinação de comportamento migratório, rota específica e adaptações corporais transforma a espécie em referência quando se fala em resistência no reino animal.

Este pássaro é capaz de voar 12.000 km sem parar: quase uma ida e volta SPNova York

A principal rota migratória de algumas populações de maçarico-de-cauda-barrada conecta o Alasca, no extremo norte, à Nova Zelândia, no hemisfério sul. Em vez de seguir a linha de costa, muitas aves cruzam diretamente o Pacífico em um trajeto praticamente todo sobre o mar. Pesquisadores monitoraram alguns indivíduos e observaram percursos que ultrapassam 12.000 km em um único trecho, sem qualquer registro de pouso em ilhas ou paradas intermediárias.

Quando se compara esse percurso com um voo comercial, a dimensão do feito fica ainda mais clara. Um trajeto aéreo entre São Paulo e Nova York tem cerca de 7.600 km em linha reta. A viagem do maçarico, portanto, se aproxima de uma ida e volta parcial entre essas duas cidades ou cerca de uma vez e meia essa distância. Enquanto aviões contam com reabastecimento, cabine pressurizada e pilotos que se revezam no controle, a ave completa o percurso apenas com reservas internas de energia e orientação própria.

maçarico-de-cauda-barrada,_wildbeimwild

Qual é a velocidade média e quanto tempo dura a viagem?

Durante essas travessias oceânicas, o maçarico-de-cauda-barrada mantém uma velocidade média que costuma variar entre 60 e 90 km/h. Essa variação depende de fatores como vento, altitude, condição física do grupo e até turbulências em grande altitude. Em condições de vento favorável, a velocidade relativa ao solo aumenta ainda mais, o que permite avançar centenas de quilômetros em poucas horas.

Quando se considera um trecho aproximado de 12.000 km e uma média de 70 a 80 km/h, a viagem dura de 6 a 9 dias de voo contínuo. Nesse intervalo, a ave permanece em atividade constante, batendo as asas e ajustando a rota com grande precisão. Não ocorre qualquer pouso para se alimentar ou descansar, o que exige um planejamento metabólico minucioso antes da partida. Além disso, o maçarico usa de forma intensa correntes de ar que reduzem o gasto de energia por quilômetro percorrido.

  • Distância média do trajeto oceânico: cerca de 11.000 a 12.000 km
  • Velocidade média estimada: 6090 km/h
  • Duração aproximada do voo direto: 69 dias sem pouso

Quais adaptações permitem voar tantos dias sem pousar?

Para realizar um voo tão longo, o Limosa lapponica passa por mudanças fisiológicas marcantes antes da migração. Uma das mais importantes envolve o acúmulo de gordura em grande quantidade. Semanas antes de partir, o maçarico intensifica a alimentação em áreas ricas em invertebrados marinhos e aumenta significativamente a massa corporal. A gordura funciona como principal reserva energética, mais eficiente que carboidratos e proteínas em termos de calorias por grama. Em alguns casos, a ave praticamente dobra o peso original e se transforma em um tanque de combustível vivo.

Ao mesmo tempo, pesquisas indicam uma redução de órgãos não essenciais durante o voo de longa duração. Estruturas como intestinos e parte do aparelho digestivo diminuem de tamanho após o início da jornada, já que a ave não se alimenta no trajeto. Esse encolhimento reduz o peso que o maçarico precisa carregar e ajuda a economizar energia. Órgãos relacionados à digestão, menos necessários em pleno voo, ajustam-se temporariamente, enquanto coração, pulmões e músculos de voo permanecem preservados e muito ativos.

Outro ponto em estudo envolve a possível capacidade de dormir enquanto voa, ainda pouco compreendida. Algumas aves migratórias utilizam microcochilos e sono uni-hemisférico, em que apenas um lado do cérebro repousa enquanto o outro mantém o controle da navegação e do movimento. Essa estratégia oferece pequenos períodos de recuperação sem comprometer o voo, algo essencial em deslocamentos de vários dias sobre o oceano. Além disso, pesquisadores investigam como o sistema nervoso da espécie mantém a orientação usando o campo magnético terrestre, estrelas e pistas visuais.

  • Acúmulo intenso de gordura antes da partida
  • Encolhimento de partes do sistema digestivo durante o voo
  • Possível uso de sono em frações curtas ou por hemisférios cerebrais
  • Músculos de voo altamente desenvolvidos

Como o maçarico usa o vento e a eficiência metabólica a seu favor?

O maçarico-de-cauda-barrada aproveita correntes de vento favoráveis em grandes altitudes para diminuir o esforço. Antes da partida, as aves observam as condições atmosféricas e esperam janelas climáticas específicas, com ventos de cauda que empurram o grupo na direção desejada. Ao alinhar a saída com frentes atmosféricas adequadas, a espécie aumenta a velocidade em relação ao solo e reduz o consumo de energia por quilômetro percorrido.

Esse comportamento se soma a uma eficiência metabólica elevada. A ave converte a gordura acumulada em energia de forma muito precisa, liberando calor e combustível para os músculos sem desperdiçar recursos. O coração suporta batimentos prolongados em alta frequência, enquanto o sistema respiratório garante boa oxigenação mesmo em voo ininterrupto. Dessa maneira, cada batida de asa resulta de um equilíbrio entre força, leveza do corpo e aproveitamento máximo das reservas. Além disso, a circulação sanguínea distribui o oxigênio rapidamente para os músculos que sustentam o voo.

  1. Escolha de ventos de cauda antes da partida
  2. Aproveitamento de camadas de ar estáveis em altitude
  3. Queima controlada de gordura ao longo de vários dias
  4. Manutenção da temperatura corporal durante esforço contínuo

Por que o maçarico-de-cauda-barrada é um símbolo de resistência?

O conjunto de fatores que envolve o maçarico-de-cauda-barrada  rota intercontinental, voo direto de até 12.000 km, planejamento energético extremo e uso refinado das condições de vento faz com que a espécie represente um dos maiores exemplos de resistência entre os animais. Poucas aves conhecidas realizam deslocamentos tão longos sem pausa, cruzando oceanos inteiros apenas com base nas próprias reservas e na orientação interna.

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A soma de acúmulo de gordura, redução temporária de órgãos, possível sono em voo, uso estratégico de correntes de ar e metabolismo altamente eficiente mostra um ajuste fino entre corpo e ambiente. Ao ligar regiões distantes como o Alasca e a Nova Zelândia em um único trecho, o maçarico-de-cauda-barrada ilustra como a evolução molda um organismo para enfrentar desafios extremos de distância, tempo e energia. Além disso, a espécie alerta sobre a importância de conservar áreas costeiras e zonas úmidas usadas como pontos de alimentação, que sustentam toda essa impressionante jornada migratória.

maçarico-de-cauda-barrada,_wildbeimwild

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