Se você já se sentiu perdido ao ouvir adolescentes conversando, como se estivessem falando outro idioma, a sensação não é exagero. Entre memes, referências de jogos e cultura pop, as gerações Z e Alpha criaram um vocabulário próprio que, à primeira vista, pode parecer caótico, mas carrega lógica, contexto e identidade.
Uma das expressões mais populares de 2026, “farmar aura”, ajuda a entender esse fenômeno. O termo mistura referências diretas dos games. “Farmar” vem de jogos como Minecraft, World of Warcraft e Fortnite, onde significa repetir tarefas para acumular pontos, recursos ou experiência.
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Já “aura” é usada para descrever o carisma, a energia ou a presença que uma pessoa transmite. Na prática, “farmar aura” virou uma forma de dizer que alguém está construindo uma imagem admirável, seja sendo estiloso, misterioso, engraçado ou simplesmente fazendo algo considerado “legal”. É como subir de nível social em tempo real.
A lógica não é tão diferente de sistemas de progressão dos jogos: quanto mais ações positivas (ou chamativas), maior a “pontuação” simbólica. A expressão costuma vir acompanhada de outras classificações:
- Sigma: quem domina o jogo social e “farma aura” com facilidade;
- Beta: quem falha nessa missão e não consegue se destacar.
Esses rótulos mostram como as interações sociais são frequentemente tratadas como dinâmicas de desempenho, quase um ranking informal de popularidade.
Não é pagar mico, é ser cringe
Pagar mico ou arrasar ficaram para trás. Agora, as novas gerações usam outros termos para classificar pessoas ou situações. “Cringe” é usado para algo constrangedor ou vergonhoso.
Enquanto isso “slay” é usado como destaque positivo. Já o “mid” significa algo mediano ou sem graça.
Outro termo positivo é o “W”, uma redução de win (vitória em inglês). Uma apresentação bem-sucedida, por exemplo, pode ser descrita como “muito W”. Se der errado, é “L”, que vem de loss ou derrota.
Sem sentido
Termos como “skibidi”, “gyatt” e “fanum tax” são muito usados, mas muitas vezes não têm um significado fixo. O humor está justamente no absurdo, na repetição e na surpresa.
“Skibidi” chegou a ser incluído no dicionário Cambridge, podendo significar algo "legal", "ruim", "bobo" ou simplesmente nonsense (sem sentido). A gíria vem dos vídeos Skibidi Toilet, uma série de vídeos de humor sem sentido do YouTube.
“Gyatt” começou como uma abreviação de “god damn” ou “que droga”, mas também é usado para expressar surpresa ou se referir a algo específico que requer mais emoção na reação.
"Fanum tax" é uma gíria que surgiu com os streamers Fanum e Kai Cenat, referindo-se ao ato de roubar ou "taxar" uma parte da comida de um amigo. A expressão viralizou, sendo usada em vários contextos.
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Outro termo é o “67” (ou “six, seven”), que viralizou sem ter um sentido claro. Surgido da música “Doot Doot (6 7)”, o termo passou a ser usado em qualquer contexto, justamente por não significar nada específico.
