YouTube aposta em IA para editar vídeos e combater deepfakes
Brandcast 2026 apresentou ferramentas que analisam métricas, sugerem mudanças em vídeos, identificam cópias digitais e permitem editar conteúdos por comandos de voz
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Editar um vídeo sem precisar abrir uma ilha de edição, descobrir quais conteúdos antigos podem voltar a fazer sucesso e identificar um deepfake feito com o rosto ou a voz de um criador. Essas são algumas das tarefas que o YouTube quer colocar nas mãos da inteligência artificial.
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As novidades foram apresentadas durante o Brandcast 2026, realizado na quarta-feira (7/10), em São Paulo. O evento, que chegou à 12ª edição e reuniu mais de 800 representantes do mercado publicitário, foi marcado por anúncios voltados à inteligência artificial, economia dos criadores e novas formas de consumo de vídeo.
O YouTube anunciou uma versão do Studio para celulares e recursos de IA capazes de analisar vídeos ainda não publicados, sugerir miniaturas e otimizar conteúdos antigos. A plataforma também apresentou ferramentas de edição conversacional, nas quais o criador pode dar comandos de voz para fazer cortes ou inserir músicas.
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“Então, a partir do seu vídeo original que você gravou, você pode pedir para fazer cortes, inserir músicas através da voz. Então, você vai conversando com a inteligência artificial ali e ela vai editando o seu vídeo de uma forma muito mais fluida”, explicou Clarissa Orberg, head de Ecossistema de Criadores, Gaming e Shopping do YouTube Brasil.
A executiva também destacou o uso da IA para aproveitar conteúdos que já estão publicados. Um criador com anos de vídeos no canal, por exemplo, poderá receber sugestões para atualizar títulos e miniaturas de materiais antigos e tentar alcançar uma nova audiência.
Ferramenta quer barrar deepfakes de criadores
Se a inteligência artificial pode ajudar a produzir conteúdo, também pode ser usada para copiar a identidade de quem aparece nele. Para enfrentar esse problema, o YouTube anunciou uma expansão do Likeness Detection.
A ferramenta permite que criadores mapeiem o próprio rosto e encontrem reproduções não autorizadas ou imagens sintéticas produzidas por IA. Agora, o sistema também será aprimorado para reconhecer a voz, aumentando a capacidade de localizar conteúdos que imitam a identidade de uma pessoa.
O criador poderá decidir o que fazer com o material identificado. “Se ele encontrou um deep fake que ele falou: ‘Eu não quero isso. Isso é ruim para minha imagem’, todos os criadores do YouTube agora podem ter esse controle e tirar esse conteúdo do ar ou deixar, se for uma coisa engraçada, uma paródia”, afirmou Clarissa.
A preocupação com a identidade digital acompanha uma transformação acelerada na produção de vídeos. Durante o evento, a criadora Giuliana Mafra, conhecida como a “menina das curiosidades”, contou que acompanha as mudanças da plataforma desde que começou a produzir conteúdo, em 2019.
Para ela, entender os dados continua sendo fundamental, mesmo com a chegada de ferramentas de IA. Giuliana afirmou que publica uma grande quantidade de vídeos e usa os resultados para testar mudanças no formato.
“Cada mudança foi por um analítico específico. Então, tem muito dado, às vezes é meio desesperador até você abrir o analítico e você falar: ‘Tá bom, o que que eu olho?’”, disse.
A criadora contou que chega a produzir 21 vídeos por semana em português, além de versões em outros idiomas. A partir dos resultados, ela testa alterações no roteiro, formato e maneira de estimular a interação do público.
“Cada semana é uma mudança diferente e o formato está em constante evolução. É cansativo, mas também é gratificante. Você consegue ver os frutos”, afirmou.
Dublagem automática chega às transmissões ao vivo
Outra novidade anunciada pelo YouTube é a expansão da dublagem automática para transmissões ao vivo. Antes disponível para vídeos gravados, o recurso passa a permitir que criadores façam uma live em português enquanto a plataforma realiza a dublagem para outros idiomas.
A mudança pode facilitar a chegada de produtores brasileiros a públicos estrangeiros sem que seja necessário realizar transmissões separadas para cada país.
O YouTube também ampliou o Watch With, recurso que permite ao criador assistir a um conteúdo junto com a própria comunidade. Antes voltada a grandes eventos, a ferramenta agora poderá ser utilizada em outros conteúdos e reforça o formato de react.
Também foram anunciados os “duelos ao vivo”, nos quais dois criadores entram em uma transmissão simultaneamente e suas comunidades participam da disputa por meio dos recursos de interação da plataforma.
Microdramas ganham espaço
No campo do entretenimento, uma das apostas está nos microdramas. O YouTube anunciou os Shorts em série, recurso que organiza vídeos verticais em capítulos e facilita o acompanhamento de histórias produzidas nesse formato.
A mudança acompanha um comportamento que já ganhou força na plataforma. Segundo o YouTube, os microdramas verticais ultrapassaram 6,5 bilhões de visualizações no mundo apenas no primeiro semestre de 2026. O tempo de exibição desse tipo de conteúdo cresceu mais de 50% em relação ao ano anterior.
Bruno Telloli, gerente de Cultura e Tendências do YouTube Brasil, relacionou o fenômeno ao interesse dos brasileiros por novelas, mas em uma linguagem mais rápida e adaptada ao consumo digital.
“O microdrama veio para falar com a paixão do brasileiro, que é as novelinhas, as novelas, e acho que até de uma maneira dinâmica, rápida, principalmente com uma linguagem mais jovem”, afirmou.
Segundo ele, o formato também abre espaço para criadores menores e para marcas que tentam se aproximar da linguagem das plataformas digitais.
YouTube aposta em audiência cada vez mais personalizada
Outra novidade está do lado de quem assiste. A plataforma anunciou uma nova possibilidade de personalização da página inicial, permitindo que cada usuário tenha um feed mais direcionado aos próprios interesses.
A ideia é que a preferência por determinado assunto não seja apenas momentânea. O usuário poderá voltar ao YouTube e encontrar uma página inicial organizada de acordo com os temas que costuma consumir.
A plataforma também apresentou novos recursos para imagens e posts, que poderão aparecer tanto no feed dos Shorts quanto na televisão.
A mudança ocorre em um momento em que o YouTube tenta consolidar sua presença para além do celular. Segundo dados apresentados no Brandcast, a plataforma alcança mais de 130 milhões de brasileiros com 18 anos ou mais, sendo que 90 milhões assistem ao conteúdo pela TV conectada.
O futebol teve papel importante nessa migração. Durante a Copa do Mundo de 2026, a transmissão da final entre Espanha e França pela CazéTV chegou a mais de 23 milhões de espectadores simultâneos no Brasil, segundo dados internos da plataforma. Mais de 70% do consumo dos jogos ocorreu pela televisão conectada.
Entendendo para empreender
O avanço das ferramentas tecnológicas foi apresentado pelo YouTube não apenas como uma mudança na produção de conteúdo, mas também na relação entre criadores e empresas.
Um dos exemplos mostrados no evento foi a mininovela “Organização Pura”, criada pelo Banco BV para falar sobre investimentos no Shorts. A campanha ultrapassou 150 milhões de visualizações e 200 mil curtidas.
Tiago Silva Soares, head de Marketing e ESG do Banco BV, contou que a proposta inicialmente foi tratada como um teste para encontrar uma forma diferente de falar sobre investimentos.
“Falar de investimento, falar de dinheiro, é muito difícil, né? A população média brasileira não conhece muito. (...) Então, o nosso pensamento foi: como é que a gente leva para a população em geral falar sobre investimento, falar sobre como guardar dinheiro, como poupar dinheiro de uma forma muito mais conectada e menos financeira?”, afirmou.
Para Giuliana Mafra, a mudança na publicidade também passa pela participação efetiva do criador na construção da campanha. “Eu acredito que a resposta para isso é cocriação, sempre”, disse.
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No Brasil, o ecossistema de criadores do YouTube movimentou mais de R$ 6 bilhões para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2025 e gerou mais de 150 mil empregos equivalentes a tempo integral, segundo estudo da Oxford Economics apresentado pela plataforma.