Vídeos que utilizam imagens de figuras públicas, manipuladas por inteligência artificial (IA), tornaram-se uma ferramenta comum para a aplicação de golpes financeiros na internet. As fraudes, que prometem lucros fáceis e investimentos milagrosos, circulam principalmente como anúncios patrocinados em redes sociais, causando não apenas prejuízos financeiros, mas também um forte abalo emocional nas vítimas.

Essas produções fraudulentas usam a credibilidade de jornalistas, apresentadores de TV e influenciadores para enganar o público. Ao se deparar com uma personalidade conhecida recomendando um produto ou serviço, a pessoa se sente mais segura para clicar e seguir as instruções, que geralmente levam à perda de dinheiro. De acordo com levantamentos de empresas especializadas em verificação de identidade, fraudes com deepfake cresceram 400% no Brasil em 2026, passando de 0,1% das fraudes financeiras detectadas em março de 2025 para 6,5% dos casos em 2026.

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Como funcionam os golpes com inteligência artificial?

Os golpistas se apropriam de vídeos reais de personalidades e utilizam softwares de inteligência artificial para alterar o movimento dos lábios e sincronizar uma nova faixa de áudio. Com isso, criam a ilusão de que a figura pública está endossando esquemas fraudulentos, como plataformas de investimento falsas ou produtos que não entregam o que prometem.

A estratégia é potencializada pela veiculação desses vídeos como anúncios pagos em plataformas de grande alcance, como YouTube, Instagram e Facebook. Inclusive, vídeos de figuras públicas anunciando investimentos falsos já são um dos três tipos de golpes com deepfake mais comuns no Brasil. O impulsionamento garante que o conteúdo chegue a um número massivo de usuários, aumentando a probabilidade de encontrar vítimas vulneráveis.

O que são deepfakes?

Deepfakes são conteúdos de vídeo ou áudio manipulados por IA para criar falsificações extremamente realistas. A tecnologia sobrepõe ou substitui rostos e vozes, fazendo parecer que uma pessoa disse ou fez algo que nunca aconteceu, o que representa um grande risco para a desinformação e fraudes virtuais.

Qual o impacto financeiro e emocional para as vítimas?

O impacto dos golpes com imagem manipulada vai além da perda financeira. As vítimas frequentemente relatam sentimentos de vergonha, ansiedade e estresse. A confiança na informação consumida online é profundamente abalada, gerando um estado de alerta constante que afeta a rotina e o bem-estar psicológico.

A sensação de ter sido enganado por confiar em uma figura que admirava agrava o quadro emocional. Muitas pessoas hesitam em registrar queixas por constrangimento, o que dificulta a mensuração real do alcance desses crimes e a punição dos responsáveis.

Como identificar um vídeo falso e se proteger?

Embora a tecnologia de deepfake esteja cada vez mais sofisticada, alguns detalhes podem ajudar a identificar um vídeo falso. Manter uma postura crítica e atenta é o primeiro passo para evitar cair em fraudes. Observe os seguintes sinais:

  • Sincronia labial: Verifique se o movimento da boca corresponde perfeitamente ao áudio. Pequenas falhas na sincronização são comuns em vídeos manipulados.

  • Movimento dos olhos: Um piscar de olhos pouco natural, rápido demais ou inexistente pode ser um indicativo de que o vídeo foi alterado.

  • Qualidade da imagem: Preste atenção em distorções no rosto, especialmente ao redor da boca e dos olhos. A pele pode parecer excessivamente lisa ou com uma textura artificial.

  • Promessas exageradas: Desconfie de qualquer anúncio que prometa retornos financeiros rápidos, fáceis e garantidos. Essa é uma tática clássica de golpes.

  • Verifique a fonte: Antes de clicar em qualquer link, procure a informação nos canais oficiais da personalidade ou do veículo de comunicação que ela representa.

  • Confirmação por canal alternativo: Se receber uma solicitação urgente por vídeo ou áudio, confirme a informação entrando em contato diretamente com a pessoa por outro meio de comunicação conhecido.

  • Proteja seus dados: Nunca forneça informações pessoais ou financeiras em páginas da web acessadas por meio de anúncios suspeitos.

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É importante ressaltar que a detecção visual está se tornando cada vez mais difícil com a evolução da tecnologia, o que reforça a importância de manter uma postura cética e adotar medidas preventivas antes de acreditar em qualquer oferta.

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