Hotmart FIRE 2026: IA e creators marcam 1º dia do evento em BH
Com cerca de 10 mil participantes, festival reúne especialistas para discutir transformação digital, inteligência artificial, marketing e novos negócios
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Iris Aguiar e Juliana Russano
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Belo Horizonte recebe, até sábado (12), o Hotmart FIRE 2026, evento de empreendedorismo digital realizado no Expominas. A organização espera reunir cerca de 10 mil participantes, com mais de 100 horas de conteúdo distribuídas em cinco palcos. No primeiro dia, inteligência artificial, construção de audiência, empreendedorismo e transformação dos negócios estiveram entre os temas discutidos.
Um dos anúncios do primeiro dia foi o Launchpad, nova plataforma da Hotmart que combina inteligência artificial e infraestrutura de pagamentos para permitir que usuários criem e comercializem softwares, aplicativos e outras ferramentas digitais em um mesmo ambiente.
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A proposta acompanha uma mudança provocada pela própria evolução da inteligência artificial. Se antes transformar uma ideia em um aplicativo dependia, muitas vezes, de conhecimento técnico, programação ou contratação de desenvolvedores, agora a criação pode partir de comandos em linguagem natural.
Com o Launchpad, o usuário descreve o que deseja construir, recebe uma primeira versão da aplicação e pode continuar fazendo alterações por meio de conversas com a IA. Entre as possibilidades estão aplicativos, áreas de membros, simuladores, quizzes, calculadoras, agendas, sites e páginas de vendas.
"Hoje existem soluções muito eficientes para construir aplicações com inteligência artificial. O diferencial de Launchpad é aproximar dois mundos que sempre estiveram separados: você cria e já pode vender, no mesmo lugar, sem montar uma estrutura fragmentada entre diferentes plataformas", explicou João Pedro Resende, CEO e cofundador da Hotmart.
IA também esteve no centro dos debates
Antes e depois do anúncio da plataforma, a inteligência artificial apareceu entre os principais temas das discussões do evento. A tecnologia foi apresentada não apenas como uma ferramenta de produtividade, mas como um elemento capaz de alterar estruturas de trabalho e negócios.
Paulo Aguiar, por exemplo, discutiu a evolução das ferramentas de IA e o momento atual de uma tecnologia que já deixou de ser restrita a especialistas. A discussão passou pela expansão de ferramentas capazes de produzir textos, imagens, vídeos e diferentes tipos de aplicações, ampliando o número de pessoas que conseguem transformar uma ideia em produto.
A questão que atravessa esse novo cenário é justamente o que acontece quando criar deixa de ser a principal barreira. Com mais pessoas capazes de desenvolver produtos, cresce também a disputa pela atenção do consumidor.
"A cada 15 dias está tendo um salto na IA. Nós falamos sobre a AGI (Artificial General Intelligence), quando a IA alcança um nível de inteligência maior que a de muitos humanos combinados. Acredito que ainda não chegamos lá, mas eu vejo isso se aproximando cada vez mais, e a IA vai executar coisas que achávamos de fato impossíveis", explica Paulo.
Quando audiência vira negócio
A programação também trouxe exemplos de profissionais que vivem essa transformação na prática.
Especialista em crescimento no Instagram, Rafa Brito falou sobre construção de audiência e os desafios de transformar seguidores em um ativo para os negócios. A discussão ultrapassou a busca por números e colocou em evidência uma questão cada vez mais importante para creators: não basta crescer, é preciso construir uma comunidade capaz de gerar autoridade e oportunidades.
A transformação da audiência em negócio também apareceu em outras discussões do evento, em um momento em que as redes sociais deixaram de ser apenas canais de divulgação e passaram a funcionar como ambientes de trabalho, relacionamento e venda.
Do macramê ao negócio global
Outro exemplo veio de Osana Barreto.
Especialista em macramê, Osana transformou o conhecimento sobre a técnica artesanal em um negócio digital que alcançou mais de 20 mil alunos em 42 países. A trajetória mostra como o ambiente digital permite transformar conhecimento, experiência e habilidades específicas em produtos que ultrapassam fronteiras físicas.
O caso também se relaciona com a discussão sobre a democratização das ferramentas necessárias para empreender.
Se antes era preciso dominar tecnologia para criar um produto digital, hoje ferramentas de IA permitem que pessoas com diferentes formações desenvolvam soluções a partir de comandos simples. O desafio passa, então, a ser identificar problemas relevantes e construir algo pelo qual as pessoas estejam dispostas a pagar.
A marca precisa saber mudar
O encerramento da programação do dia ficou por conta de Ryan Deiss, que discutiu a capacidade de adaptação das marcas.
Para ele, momentos de dificuldade são justamente aqueles em que uma marca consegue mostrar sua força. A sobrevivência, nesse contexto, não depende de simplesmente repetir fórmulas que funcionaram no passado, mas de compreender o cenário e encontrar novas formas de se comunicar com o mercado.
"Se conseguir descobrir como funciona quando está difícil, é quando se descobre uma grande marca. Muitos prosperam quando está fácil, mas são as grandes marcas que crescem em momentos difíceis, fazendo um marketing que funciona e não apenas repetindo o que era dito anos atrás, mas trazendo novos conhecimentos ao mercado", explica.
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A fala resume um dos temas que atravessaram o primeiro dia do FIRE: em um mercado em transformação acelerada, não basta acompanhar as mudanças. É preciso entender como elas alteram o comportamento das pessoas e estar disposto a reconstruir estratégias.