REVIEW

Beast of Reincarnation mostra potencial da Game Freak além de Pokémon

Nova franquia mostra que desenvolvedora japonesa pode explorar outros gêneros, mas ainda falta entregar uma experiência extraordinária

Publicidade
Carregando...

Por décadas, a Game Freak esteve praticamente associada a uma única franquia. Pokémon colocou a desenvolvedora entre as maiores empresas da indústria, mas também criou uma expectativa enorme sobre qualquer projeto que venha de seus estúdios. Com Beast of Reincarnation, lançado em agosto para PlayStation 5, Xbox Series X|S e PC, a empresa finalmente decidiu explorar novos caminhos com uma propriedade intelectual própria.

Fique por dentro das notícias que importam para você!

SIGA O ESTADO DE MINAS NO Google Discover Icon Google Discover SIGA O EM NO Google Discover Icon Google Discover

A expectativa, por isso, era alta. Não apenas entre os fãs de Pokémon, mas também entre jogadores interessados em descobrir o que a Game Freak seria capaz de fazer longe de sua principal franquia. Depois de cerca de 20 horas de jogo no PC, a conclusão é simples: Beast of Reincarnation é bom, mas não é extraordinário. E talvez seja justamente essa a melhor maneira de enxergar o projeto.

Uma nova história

Beast of Reincarnation marca a tentativa da Game Freak de criar uma nova franquia fora do universo de Pokémon, com um RPG de ação que aposta em exploração, combate e um mundo próprio.
Emma e Koo conduzem a aventura em um universo diferente das produções mais conhecidas da Game Freak; a relação entre os personagens é um dos destaques do jogo. Gamefreak/divulgação

A aventura acompanha Emma e Koo em um mundo marcado por um cenário hostil e por uma atmosfera bastante diferente daquela encontrada em Pokémon. A relação entre os dois é um dos pontos mais fortes da experiência. Sem entregar spoilers, o jogo consegue construir gradualmente a parceria entre protagonista e companheiro, fazendo com que Koo seja mais do que uma ferramenta para o desenvolvimento da jogabilidade.

A narrativa, entretanto, não reinventa o gênero. A estrutura é familiar para quem já acompanha RPGs de ação japoneses, com exploração, combates, progressão e uma jornada por diferentes regiões. O universo é interessante e demonstra ambição, principalmente pela escala do mundo e pela tentativa de criar uma experiência mais robusta para consoles e computadores. É uma boa história de aventura, mas não uma narrativa que redefine o gênero.

 

Gameplay

Beast of Reincarnation marca a tentativa da Game Freak de criar uma nova franquia fora do universo de Pokémon, com um RPG de ação que aposta em exploração, combate e um mundo próprio.
Beast of Reincarnation aposta em elementos de RPG de ação, com exploração de ambientes amplos, combates e mecânicas que se aproximam de outros jogos japoneses do gênero. Gamefreak/divulgação

Talvez uma das características mais curiosas seja perceber que Pokémon está entre as menores influências perceptíveis no jogo. Beast of Reincarnation se aproxima muito mais de outros RPGs de ação contemporâneos, principalmente na estrutura de combate e exploração.

Algumas escolhas de design lembram Monster Hunter, especialmente na maneira como o mundo é construído e explorado. Não se trata de uma cópia da fórmula, mas existem elementos que remetem a esse tipo de RPG japonês, principalmente na escala dos ambientes e na forma como o jogador interage com eles.

O mundo é maior e mais elaborado do que normalmente se espera dos jogos mais conhecidos da Game Freak. As mecânicas também são mais avançadas, mas continuam dentro do padrão estabelecido pela indústria. Combate, exploração e progressão funcionam bem, embora poucas dessas características sejam capazes de surpreender quem já conhece o gênero.

Desempenho no PC

Beast of Reincarnation marca a tentativa da Game Freak de criar uma nova franquia fora do universo de Pokémon, com um RPG de ação que aposta em exploração, combate e um mundo próprio.
Versão para PC exigiu ajustes nas configurações gráficas para equilibrar qualidade visual e desempenho durante os testes. Gamefreak/divulgação

Minha experiência aconteceu no PC e a otimização foi um dos pontos que mais exigiam atenção. Foi necessário alterar diferentes configurações gráficas até encontrar um equilíbrio satisfatório entre qualidade visual e desempenho.

O teste foi realizado em um notebook Acer Nitro 5 equipado com uma RTX 4050, uma placa de vídeo bastante comum entre jogadores que têm um computador de entrada ou intermediário voltado para games atuais. Mesmo com uma máquina capaz de rodar jogos da geração, algumas áreas mais abertas e com maior movimentação ficaram abaixo dos 60 quadros por segundo, marca geralmente considerada ideal para uma experiência mais fluida. Em determinados momentos, o jogo chegou à casa dos 45 quadros por segundo.

Isso não impediu a experiência, mas tornou necessário gastar algum tempo ajustando as configurações até encontrar uma combinação adequada. Para um lançamento desse porte, a otimização ainda precisava de atenção.

Expectativa x realidade

Beast of Reincarnation marca a tentativa da Game Freak de criar uma nova franquia fora do universo de Pokémon, com um RPG de ação que aposta em exploração, combate e um mundo próprio.
Nova IP da Game Freak chega cercada pela expectativa de mostrar o potencial do estúdio além de Pokémon, mas entrega uma experiência competente sem reinventar o gênero. Gamefreak/divulgação

O principal desafio de Beast of Reincarnation talvez esteja justamente na expectativa criada em torno dele. Por ser um projeto da Game Freak, existe naturalmente a esperança de que a experiência carregue algo da identidade e da capacidade criativa que fizeram Pokémon se tornar uma das maiores franquias dos videogames. Mas essa comparação pode ser injusta.

Beast of Reincarnation não precisa ser um novo Pokémon. Ele precisa encontrar sua própria identidade. E, nesse aspecto, consegue apresentar uma experiência competente para quem já gosta de RPGs de ação e jogos japoneses de aventura.

O problema é que, quando colocado ao lado das principais produções do gênero, ele não parece estar tentando estabelecer uma nova referência. É um jogo médio para cima: bom, divertido e com boas ideias, mas ainda dentro do padrão do mercado.

Um passo importante

Beast of Reincarnation marca a tentativa da Game Freak de criar uma nova franquia fora do universo de Pokémon, com um RPG de ação que aposta em exploração, combate e um mundo próprio.
Beast of Reincarnation representa uma nova tentativa da Game Freak de explorar universos e experiências além da franquia Pokémon. Gamefreak/divulgação

É justamente por isso que o jogo é mais relevante pelo que propõe do que por aquilo que entrega como produto final. A Game Freak decidiu sair de uma fórmula que dominou boa parte de sua história e experimentar uma nova propriedade intelectual, com outro tipo de estrutura e para plataformas mais robustas.

O resultado não é um fracasso e tampouco justifica a expectativa de uma obra-prima. É um primeiro passo. A disposição da desenvolvedora em ouvir a comunidade e trabalhar em melhorias também abre espaço para que o projeto evolua e, principalmente, para que os próximos títulos da empresa aprendam com essa experiência.

Beast of Reincarnation mostra que a Game Freak pode fazer mais do que Pokémon. Ainda falta descobrir até onde ela consegue chegar.

Nota: 7,5/10

Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia

Acesse o Clube do Assinante

Clique aqui para finalizar a ativação.

Acesse sua conta

Se você já possui cadastro no Estado de Minas, informe e-mail/matrícula e senha. Se ainda não tem,

Informe seus dados para criar uma conta:

Digite seu e-mail da conta para enviarmos os passos para a recuperação de senha:

Faça a sua assinatura

Estado de Minas

Estado de Minas

de R$ 9,90 por apenas

R$ 1,90

nos 2 primeiros meses

Aproveite o melhor do Estado de Minas: conteúdos exclusivos, colunistas renomados e muitos benefícios para você

Assine agora
overflay