O Congresso de Infraestrutura (CDI) chega à 31ª edição da Hospitalar direcionado à eficiência, sustentabilidade e geração de valor para o sistema de saúde. Segundo Walmor Brambilla, superintendente de infraestrutura e logística do HCor e curador do congresso, “o evento vem ampliando, nos últimos anos, as discussões sobre eficiência operacional, responsabilidade social e práticas ESG aplicadas aos ambientes hospitalares - pautas essas estratégicas, por isso mantidas este ano”.

Com o tema centrado em custo-efetividade, o congresso debate caminhos para tornar hospitais e estruturas de saúde mais sustentáveis e eficientes, desde a concepção dos projetos arquitetônicos até a operação dos edifícios. “É importante mostrarmos como a infraestrutura hospitalar pode contribuir para a sustentabilidade do sistema de saúde como um todo, ao mesmo tempo em que garante segurança, qualidade assistencial e melhor gestão dos recursos”, disse.

No painel que abriu o primeiro dia do congresso, Luís Fernando Vieira Joaquim, sócio-líder da indústria de Life Sciences & Healthcare da Deloitte no Brasil, falou sobre “o futuro da saúde e seu impacto na infraestrutura hospitalar”. O especialista afirmou que o sistema de saúde, em alguns anos, não terá semelhança alguma com o atual, devido a fatores como custo crescente, expectativa dos clientes por serviços personalizados, envelhecimento populacional, novas necessidades em saúde e adoção de novas tecnologias.

“Nesse cenário, a necessidade de repensarmos a maneira como os serviços são ofertados passa a fazer parte da agenda do futuro. O foco deverá estar voltado para a prevenção, com hospitais tendo como atuação principal o atendimento de alta complexidade”, ressaltou Joaquim.

O papel da inovação no aumento de produtividade

A Hospitalar destacou também, no seu segundo dia, como a inovação e a tecnologia estão sendo usadas para a melhoria de produtividade. O tema foi abertura do primeiro painel do Congresso de Hotelaria & Facilities.

Marcelo Boeger, curador do congresso, ressaltou que o objetivo do debate foi compartilhar com o público experiências de diferentes setores que podem servir de inspiração e serem adaptadas ao setor hospitalar. Para isso, foram convidados Leandro Simões, CEO da Evolv; Roger Silva, coordenador de facilities da Lenovo; Denilson Almeida, coordenador de operações da Globo; e Fernanda Alves, coordenadora de facilities do Aeroportos Brasil Viracopos.

Os palestrantes debateram a importância da tecnologia na redução de custos e na melhoria da qualidade do atendimento. “A tecnologia nos auxilia na gestão dos processos, tornando-os mais ágeis e eficientes, principalmente em um setor que enfrenta dois grandes desafios: escassez de mão de obra e mudança do perfil do cliente, hoje mais exigente”, pontuou Fernanda.

Leandro também comentou sobre a dificuldade de encontrar profissionais qualificados e como isso tem aumentado a pressão pelo uso de tecnologias. Já Roger pontuou sobre a necessidade de envolver as equipes na adoção de novas ferramentas tecnológicas. Em todas as empresas, os desafios e as experiências se mostraram semelhantes, com destaque para a necessidade de imersão nos processos atuais antes de implantar uma nova tecnologia.

“Entender todas as etapas de cada processo é fundamental para que a tecnologia contribua para um aumento de eficiência”, disse Roger. “No entanto, analisar os processos após a adoção de tecnologias é igualmente importante, para que possamos avaliar e mensurar os ganhos reais que as inovações podem proporcionar”, acrescentou Denilson.

Democratização digital da saúde

Com o objetivo de promover discussões profundas sobre a digitalização do setor, o Congresso de Tecnologia e Inovação para Saúde Digital (CTISD), oferece um espaço inédito para analisar as principais tendências e gargalos tecnológicos da saúde.

Nesse caminho, o painel "IA e Governança de Dados", com a curadoria de Mônica Castro, coordenadora do MBA de negócios em saúde da Faculdade Unimed; Eduardo Barros, especialista em inovação e IA, e Gileno Ferras, consultor ONA; discute e apresenta cases para além do debate sobre tendências, mitigando o hype tecnológico em favor de uma abordagem centrada em estratégia, governança e entregas reais. O objetivo é consolidar a tecnologia como o alicerce da qualidade assistencial, da segurança do paciente e da sustentabilidade do ecossistema de saúde brasileiro.

“Às vezes você já deve ter ouvido essas perguntas como gestores: ‘A IA vai roubar o meu trabalho?’ Eu digo: a IA não vai roubar seu trabalho, mas alguém que usa a IA vai roubar o seu trabalho. ‘A minha empresa vai fechar?’ Você pode perder o seu espaço com a empresa que usa a IA. E isso vale para o trabalho médico também: a gente tem que ter essa visão clara de que a IA vem para somar, vem para nos ajudar, para nos conectar e nos ajudar com o poder”, refletiu Mônica.

É justamente o que aponta Eduardo. “Nos últimos anos, as flexibilizações aconteceram no uso da IA na área da medicina. Mas fica a pergunta: ‘a IA vai substituir os humanos?’ Olha, a gente sempre está pregando o contrário. Falamos, sim, de potencializar o recurso humano que você tem e parar de desperdiçar o tempo com outras coisas. Então acho que o impacto da inteligência artificial vai ser 360, mas sem perder a humanização da saúde, pois precisamos desse cuidado”, esclarece.

De acordo com Gileno Ferras, a IA deve atuar como um suporte fundamental à operação médica, condicionado a um rigoroso processo de testes baseados em
evidências e na validação sistêmica das comprovações obtidas. “Mais importante do que saber qual é a doença que um paciente tem é que tipo de paciente tem cada doença. Porque nós reagimos de formas diferentes, então eu entendo que a tecnologia, ela vem em boa hora, mas ela vem principalmente entender que cada um de nós é diferente do outro e a tecnologia vai ajudar nisso”, afirmou.

Serviço

CDI Hospitalar 2026 –  31ª edição

Data: 19 a 22 de maio

Horário: das 11h às 20h

Local: São Paulo Expo – Rodovia dos Imigrantes, Vila Água Funda, São Paulo, Brasil

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Inscrição e programação: https://www.hospitalar.com/

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