A Hotmart realizou em São Paulo, nessa terça-feira (31/3), o evento Spark, onde destacou a inteligência artificial como eixo central de seus produtos e anunciou o Hotmart Labs, novo hub de experimentação aberto à participação de criadores. A proposta combina avanço tecnológico com aproximação da comunidade, ao permitir que usuários testem e sejam parte ativa do desenvolvimento de ferramentas antes do lançamento em escala.
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O Labs surge como principal anúncio do encontro e inaugura um modelo de desenvolvimento contínuo. Na prática, criadores podem se inscrever para acessar funcionalidades em fase inicial, participar de testes e contribuir com feedbacks. A estratégia aproxima a empresa de práticas já adotadas por grandes plataformas globais, que utilizam comunidades engajadas, como o "Windows Insider", da Microsoft, como base para validar seus produtos, antes de um lançamento global.
Durante a abertura, o diretor de desenvolvimento de mercado, Alexandre Abramo, destacou o caráter colaborativo do evento. “O que a gente quer é co-construir com vocês o futuro do mercado, dos produtos e das estratégias”, afirmou, ao se dirigir a um público formado por produtores experientes e lideranças do setor presentes no evento.
A inteligência artificial passou a operar em várias frentes da operação. Durante a fala de Paulo Vendramini, CPO da Hotmart, na apresentação, agentes inteligentes atuaram desde a venda até o consumo do conteúdo, com funções que incluem personalização da jornada, automação de atendimento e otimização de conversão. Essas ferramentas também permitem analisar padrões de comportamento dos alunos, oferecendo dados práticos que orientam a criação de novos produtos.
Na prática, as métricas apresentadas indicam um comportamento claro de consumo dos alunos: aulas com menos de 15 minutos registram taxas de conclusão próximas de 70%, enquanto conteúdos mais longos, acima de uma hora, ficam em torno de 25%. A diferença também aparece no engajamento, com aulas curtas e práticas concentrando mais visualizações.
Conteúdos mais longos seguem importantes para quem quer se aprofundar. Mas esse público é menor. A maioria prefere aprender rápido e ir direto ao ponto, o que impulsiona produtos mais curtos, baratos e com maior alcance.
Esse padrão já orienta decisões dentro da plataforma. Em um dos casos apresentados, um produtor reorganizou um curso extenso ao priorizar os trechos mais assistidos e conteúdos práticos, criando versões mais diretas e alinhadas à demanda real de uma parcela dos alunos.
Em entrevista exclusiva, o CEO João Pedro Resende afirmou que o evento marca uma mudança de abordagem. “A ideia do Spark é mostrar tudo que a gente construiu entre o Fire (de agosto de 2025) em agosto de 2025 e agora, em março de 2026, mas já de forma aplicada, com clientes reais que estão aqui compartilhando experiências com essas novidades.” Segundo ele, a proposta é apresentar soluções já testadas na prática, com resultados replicáveis.
A personalização ganha espaço dentro da estratégia apresentada pela Hotmart, a partir de uma mudança clara no comportamento de consumo dos alunos. Segundo Resende, “o que a gente percebeu é que nas aulas mais curtas, as pessoas chegam mais no final delas”.
O dado reforça uma diferença prática dentro da própria base de usuários, que não consomem conteúdo da mesma forma. Ainda de acordo com o executivo, “tem gente que vai sempre até o final e tem gente que quer partes específicas e quer consumir mais rápido”.
Avanço com controle
A discussão sobre uso ético da tecnologia também entrou na pauta. Em entrevista exclusiva, a diretora sênior de produtos da Hotmart, Natália Miyabara, afirmou que o avanço precisa ser acompanhado de controle. “Inovação, principalmente essa que a gente está vendo agora, ela tem que ser acompanhada de muita governança.”
A executiva também destacou a existência de regras internas para limitar o uso das ferramentas. “A gente tem políticas internas rigorosas para conseguir seguir, para que a tecnologia de fato seja o um benefício para os nossos clientes”, garantiu.
Natália também ressaltou que a IA opera de forma contextualizada dentro de cada criador. “Hoje, isso é estruturado dentro de uma camada específica para cada criador”, explicou, ao abordar o funcionamento da memória dos agentes. A lógica busca preservar a identidade de cada produtor e evitar padronização excessiva das experiências.
Integração entre tecnologia e comunidade
Além da IA, o Spark apresentou a expansão de produtos físicos sob demanda e novas ferramentas de monetização. No entanto, o eixo central do evento foi a integração entre tecnologia e comunidade, com o Labs funcionando como ponte entre desenvolvimento e uso real.
Mais do que o lançamento de novas ferramentas, o evento indicou uma mudança na forma como os produtos digitais passam a ser estruturados dentro da Hotmart. A lógica considera diferentes formas de consumo dentro de uma mesma base de alunos. Segundo JP, "o principal insight é que existem perfis diferentes de consumo. Tem gente que quer ir até o final, mas também tem gente que quer partes específicas e quer consumir de forma mais rápida”.
Para o CEO, "o principal insight é que existem perfis diferentes de consumo. Tem gente que quer ir até o final, mas também tem gente que quer partes específicas e quer consumir de forma mais rápida”.
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Na avaliação do executivo, esse cenário amplia o potencial de reaproveitamento de conteúdo e abre novas possibilidades de produto. “Quando você combina produtividade com personalização, você muda completamente a dinâmica do conteúdo, saindo de um modelo estático para algo muito mais dinâmico”, conclui.
