Dark Horse: Fachin dá 15 dias para PGR se manifestar sobre Vorcaro
Investigação foi instaurada em 23 de julho e apura suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP)
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O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), deu prazo de 15 dias para a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestar sobre o relatório em que a Polícia Federal (PF) indiciou o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e outros 14 investigados por suspeitas de fraudes financeiras no Banco de Brasília (BRB).
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Nesse mesmo prazo, Fachin, que atua como relator no caso Master, também quer que a PGR se manifeste sobre o pedido da PF para prorrogar por mais 90 dias o inquérito sobre o suposto financiamento da cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), intitulada Dark Horse, pelo empresário Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master.
A investigação foi instaurada em 23 de julho e apura suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Vorcaro teria repassado US$ 12,3 milhões, por meio da empresa Entre Investimentos e Participações, para financiar a produção do filme.
De acordo com relatório de indiciamentos, Vorcaro teve "participação pessoal, reiterada e diretiva" nas operações com carteiras de créditos irregulares do Banco Master que causaram prejuízos ao BRB. Segundo os investigadores da PF, o prejuízo já apurado é de aproximadamente R$ 2,7 bilhões, segundo revelou reportagem da Agência Brasil. Vorcaro foi preso em março deste ano e está custodiado no presídio da Papudinha, no Distrito Federal.
Embora o inquérito esteja sob a relatoria do ministro André Mendonça, os autos permanecem na Presidência do STF, sob responsabilidade de Edson Fachin. O presidente da Corte intimou a PGR porque os procedimentos foram encaminhados à Presidência antes da sessão em que o plenário começou a discutir uma possível investigação contra o ministro Alexandre de Moraes. Até o momento, apenas o processo que apura os descontos ilegais em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) foi devolvido a Mendonça.
A PF alega a necessidade de concluir diligências pendentes. Entre elas está uma perícia contábil-financeira do Instituto Nacional de Criminalística (INC), que analisa a compatibilidade entre os gastos declarados pela produtora GoUP Entertainment, os contratos de câmbio e o fluxo dos US$ 12,3 milhões enviados pela Entre Investimentos e Participações ao Havengate Development Fund.
Outro ponto pendente é a cooperação jurídica internacional com os Estados Unidos para obter registros financeiros da GoUP Entertainment. Segundo a PF, a produtora se recusou a fornecer diretamente os documentos solicitados, alegando a necessidade de formalização do pedido por meio de cooperação internacional.
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A corporação também informou que ainda analisa dados telemáticos do advogado Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, e de Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro, dono da Entre Investimentos e Participações. Mineiro firmou acordo com a PGR, e sua delação foi homologada pelo ministro André Mendonça em 9 de setembro de 2026, no STF.