A deputada federal Duda Salabert (PSol) acionou a Polícia Federal, o Ministério Público e o Ministério dos Povos Indígenas para apurar denúncias de ameaças contra comunidades indígenas em Mato Grosso do Sul. A medida foi tomada após um servidor municipal ameaçar envenenar a água consumida pelos indígenas depois da vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições de domingo (25/10).

As ameaças foram reveladas por áudios vazados de grupos bolsonaristas e atribuídas a um funcionário de Tacuru. Em um dos trechos divulgados, o autor da gravação afirma: "Já falei, tem que apanhar veneno na água, matar essas pragas na água".

 

Afastamento de servidor e apuração federal

O prefeito de Tacuru, Rogério Torquetti (PSDB), determinou o afastamento temporário do funcionário e abriu um Processo Administrativo Disciplinar para apurar a conduta. O servidor atua no setor de infraestrutura operando caminhão-caçamba e não trabalha na rede de abastecimento de água do município. O governo federal também encaminhou o caso à Polícia Federal para investigar os fatos.

A deputada federal Célia Xakriabá (Psol) também pediu investigações sobre a ameaça de contaminação da água no território dos Guarani Kaiowá, onde lideranças afirmaram ser vítimas da ação. A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil também formalizou a denúncia.

A representação foi levada aos ministérios da Justiça e Segurança Pública e dos Povos Indígenas, além do Ministério Público Federal e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Célia Xakriabá pontuou que os indígenas Guarani Kaiowá enfrentam dificuldades de acesso à água potável, dependem de caminhões-pipa e ficariam sob risco de morte com uma eventual contaminação.

Reação de lideranças e manifestações

Em nota conjunta, os ministérios dos Povos Indígenas, dos Direitos Humanos e da Cidadania e da Igualdade Racial pediram a investigação do caso. As pastas federais ressaltaram que também acompanham denúncias de violência registradas contra povos de terreiro e comunidades quilombolas após a eleição.

O cacique da Aldeia Sassoró e vereador de Tacuru, Ivan Montiel, afirmou que buscará a responsabilização cível e criminal dos envolvidos. Em vídeo divulgado nas redes sociais, a liderança informou: "Não vamos aceitar este tipo de preconceito contra nossa comunidade, ameaçando colocar veneno em água".

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Montiel também declarou que os povos indígenas possuem a liberdade de escolher seus representantes nas urnas. A Aty Guasu, Grande Assembleia dos povos Guarani e Kaiowá de Mato Grosso do Sul, publicou manifestação repudiando as ações de racismo, preconceito e as ameaças enviadas às comunidades.

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