Os deputados federais Nikolas Ferreira (PL-MG) e André Janones (Rede-MG) assumiram posições de destaque nas campanhas do senador Flávio Bolsonaro (PL) e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), respectivamente, na disputa pelo segundo turno da eleição presidencial, marcado para este domingo.
Enquanto Nikolas percorreu o país para mobilizar apoiadores do senador em atos públicos, Janones concentrou esforços na articulação digital em favor da reeleição do petista. Os dois parlamentares mineiros também estiveram à frente de canais de WhatsApp utilizados para distribuir conteúdos eleitorais e ampliar o engajamento dos eleitores na reta final da campanha.
A atuação dos deputados ganhou força após o primeiro turno, realizado em 4 de outubro, quando Flávio terminou à frente de Lula. O senador recebeu 56.104.503 votos, equivalentes a 47,03% dos votos válidos, enquanto o presidente somou 53.879.538 votos, ou 45,16%. A diferença entre os candidatos foi de aproximadamente 2,2 milhões de votos, o equivalente a 1,87 ponto percentual.
A movimentação também levou os dois deputados a protagonizarem uma disputa por engajamento no WhatsApp. Logo após o primeiro turno, Janones criou o canal "Exército do Lula", que passou a reunir milhões de seguidores. Em resposta à mobilização petista, Nikolas lançou a "Tropa do Flávio", com o mesmo objetivo de organizar apoiadores do senador e distribuir conteúdos de campanha.
“Bloquinho”
Para a disputa do segundo turno, Nikolas assumiu a organização de uma série de manifestações em apoio à candidatura do senador. Batizada de "Bloquinho do 22", a iniciativa reuniu apoiadores em diferentes cidades brasileiras durante o segundo turno, com a participação do presidenciável em parte das agendas.
A programação teve início em 15 de outubro, em Capelinha, no Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais. Desde então, o deputado percorreu diferentes regiões do país para convocar eleitores, participar de atos públicos e estimular a mobilização da militância bolsonarista até a votação.
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A agenda de manifestações será encerrada neste sábado, último dia de campanha antes do segundo turno, com atividades previstas em Belo Horizonte e no Rio de Janeiro. Na capital mineira, Flávio e Nikolas devem participar de uma motociata, a partir das 10h, com saída da Praça do Papa, na Região Centro-Sul, em direção à Praça da Liberdade, onde será realizado um ato político. A programação também prevê uma concentração no Rio de Janeiro, seguida de uma caminhada até a residência do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Nas redes sociais, o deputado utilizou seu alcance para divulgar os atos e convocar apoiadores. Nikolas foi reeleito para a Câmara com mais de 3 milhões de votos, a maior votação já registrada para um deputado federal no país.
“Exército”
Na campanha petista, André Janones ganhou protagonismo após a criação do "Exército do Lula", lançado logo depois do primeiro turno. A ferramenta ultrapassou 8 milhões de seguidores na quinta-feira e passou a funcionar como um espaço de distribuição de conteúdos favoráveis ao presidente e de críticas à trajetória política e às propostas de Flávio Bolsonaro.
Por meio do canal, Janones orientou os participantes a curtir, comentar e compartilhar vídeos, além de encaminhar publicações a contatos e reproduzir mensagens nos próprios perfis. A estratégia tentou ampliar o alcance dos materiais de campanha para além dos eleitores que já acompanhavam os canais oficiais do presidente.
A atuação representou uma mudança em relação ao primeiro turno, quando Janones não ocupava posição central na estratégia de comunicação petista. O deputado já havia participado da campanha de Lula em 2022, após desistir de sua pré-candidatura à Presidência para apoiar o então candidato do PT.
Disputa no TSE
A mobilização digital liderada por Janones também provocou uma disputa judicial. A campanha de Flávio Bolsonaro acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o "Exército do Lula", questionando a atuação do canal e sua relação com a candidatura petista. Ao analisar o caso, o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, determinou a suspensão da ferramenta após identificar indícios de atuação coordenada com a campanha de Lula. A decisão foi revertida horas depois pelo corregedor-geral eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva.
Dois dias depois, Nunes Marques voltou a determinar a suspensão do canal e condicionou seu funcionamento ao registro na Justiça Eleitoral. A campanha de Lula informou o endereço ao TSE, o que permitiu o restabelecimento do canal.
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A polêmica não acabou aí. Ontem, antevéspera da eleição de segundo turno, o "Exército de Lula" ainda era um dos principais debates na Justiça eleitoral e estava sob risco de ser suspenso. Kassio Nunes Marques chegou a estabelecer um prazo de 24h para que a Meta apresentasse um relatório técnico detalhado sobre o funcionamento do canal no WhatsApp.
