A equipe de transição do governo de Minas discutiu nesta sexta-feira (23/10) os desafios da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG). A reunião entre o governador Mateus Simões (PSD) e o governador eleito Cleitinho Azevedo (Republicanos) tratou do orçamento da pasta, de concursos públicos, de hospitais regionais e de programas que terão continuidade em 2027.
"O decreto que regulamenta a transição prevê que a reunião temática abre o momento das discussões sobre aquele tema. A partir de hoje, a gente passa a fornecer todos os dados que forem demandados pela comissão de transição sobre saúde. É uma oportunidade de acompanhar o que está sendo entregue. A população tem que saber o que estamos entregando, como está sendo entregue, o que falta fazer, quais os desafios, os prazos que precisam ser acompanhados. Mas, a decisão de manter ou não vai competir ao próximo governo", afirmou Simões. O vice-governador eleito, Luís Eduardo Falcão (Republicanos) pediu a indicação de responsáveis por cada área para atender às solicitações da comissão.
Déficit e orçamento da Saúde
Simões deixou a discussão sobre o déficit estadual para outra reunião. Em 14 de outubro, ele encaminhou à Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) uma revisão do projeto de Lei Orçamentária Anual (LOA), elevando o déficit previsto de R$ 8,87 bilhões para R$ 10,51 bilhões.
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O governador afirmou que Minas registra déficits previstos há 15 anos, mas não teve déficit efetivo nos últimos seis. Também atribuiu a pressão sobre as contas públicas à falta de crescimento real da arrecadação nos estados.
Falcão defendeu uma reforma administrativa, com redução de despesas e atração de investimentos. O vice-governador eleito também sugeriu que o estado procure o presidente da República eleito para discutir a situação financeira de Minas.
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Na Saúde, os gastos pagos em 2025 somaram R$ 11,8 bilhões, ante R$ 4,6 bilhões em 2014. Do total, R$ 6,38 bilhões foram destinados ao Fundo Estadual de Saúde, R$ 2,17 bilhões a despesas com pessoal e R$ 692 milhões à judicialização. Fhemig, Funed e Hemominas receberam, respectivamente, R$ 683 milhões, R$ 242 milhões e R$ 158 milhões.
Concursos e hospitais regionais
A SES-MG tem 21.685 trabalhadores, dos quais 85,2% são efetivos. A secretaria abriu 380 vagas em seu primeiro concurso em 12 anos e já nomeou 167 aprovados. Outros 69 devem ser convocados até dezembro.
Na Fhemig, o concurso teve 1.801 vagas imediatas e 3.893 nomeações informadas pelo governo. A Hemominas registrou 543 nomeações para 345 vagas. Entre as pendências para 2027 estão a avaliação da prorrogação do concurso da Fhemig e a continuidade das nomeações da SES-MG até julho, quando vencem contratos temporários.
O governo informou ter executado R$ 714 milhões em obras de hospitais regionais. Os projetos abrangem Divinópolis, Sete Lagoas, Teófilo Otoni, Governador Valadares e Conselheiro Lafaiete.
Na urgência e emergência, a rede reúne 278 hospitais e registrou mais de 50 mil cirurgias de urgência, alta de 21% em relação a 2018. O Samu 192 tem cobertura em todo o estado e previsão de R$ 530,9 milhões em recursos para 2026. Já o Serviço de Atendimento Aéreo de Urgência (SAAV) opera oito aeronaves em parceria com o Corpo de Bombeiros.
Saúde mental e atendimento especializado
O Centro Hospitalar Psiquiátrico de Barbacena encerrou as internações de longa permanência em 2026, após a transferência dos últimos 14 pacientes para residências terapêuticas. A rede de Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) passou de 301 unidades em 2018 para 465 em 2025, além de 112 unidades regionalizadas.
A próxima gestão terá de dar continuidade à Política Antimanicomial e ao processo de desinstitucionalização na clínica de Alfenas.
Na atenção materno-infantil, o percentual de gestantes com pré-natal adequado subiu de 38% em 2024 para 60% em 2025. No mesmo período, a taxa de mortalidade materna caiu de 44,4 para 32,9 mortes por 100 mil nascimentos, segundo os dados apresentados.
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O estado também registrou 16,4 milhões de doses de vacinas aplicadas em 2025. Na prevenção do câncer, a cobertura de mamografias aumentou 70% entre 2024 e 2025, e 89,2% das pacientes diagnosticadas começaram o tratamento na rede pública em até 60 dias.
Na assistência farmacêutica, 306 mil pacientes receberam medicamentos pelo Componente Especializado em 2025, totalizando 21,85 milhões de unidades dispensadas. O programa Farmácia Aqui Pertim tem 603 municípios participantes.
Na saúde digital, a Rede Mineira de Dados em Saúde integra mais de 2,7 mil sistemas. A proposta é unificar informações de prontuários, estoques e disponibilidade de vagas. "É uma ferramenta que está sendo desenvolvida. Nos deparamos com uma fragmentação de dados de saúde, o que gera desperdício de recurso e enfraquecimento da própria assistência. O prontuário unificado vai realizar a captura de todos os dados em um sistema", afirmou a secretária adjunta.
Pendências para os primeiros meses de 2027
A equipe de transição destacou quatro prazos para a próxima gestão:
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1º de janeiro: convocação de profissionais temporários para recompor equipes da Fhemig e evitar o fechamento de leitos.
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Fevereiro: contratação de núcleos do programa TeleMaisSaúdeMG, com risco de interrupção do atendimento remoto se houver atraso.
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Fevereiro: reserva de espaços e infraestrutura para a Conferência Estadual de Saúde, prevista para abril, com público estimado em 3 mil pessoas.
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8 de março: decisão sobre a prorrogação do concurso da Fhemig, cujo edital nº 01/2023 vence nessa data.
