O deputado federal Pedro Campos (PSB-PE), o mais votado de Pernambuco nas eleições de 2026, voltou a criticar o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) pela forma como moradores do Nordeste foram retratados no vídeo “O Nordeste que foi esquecido”, publicado pelo parlamentar mineiro na terça-feira (20/10).
Em nova manifestação, Campos afirmou que Nikolas “não conhece de verdade o Nordeste” e ironizou a repercussão da gravação em Luís Eduardo Magalhães, no oeste da Bahia. Segundo o pernambucano, moradores da cidade reconheceram um dos homens que aparecem no vídeo, conhecido como Binha, e começaram a comentar sobre as condições de vida dele.
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“É, Nikolas, deixa eu te contar mais uma coisa: aqui no Nordeste, mentira tem perna curta, mas a fofoca voa mais longe do que jatinho do Vorcaro”, afirmou Pedro Campos.
Na publicação, o deputado pernambucano brincou com o hábito de moradores de cidades do interior conversarem sobre a vida dos vizinhos. “Chega final de tarde, o povo bota uma cadeira na calçada e tome dar conta e falar da vida dos outros”, disse.
Campos também mencionou a caminhonete Toyota Hilux que, segundo ele, pertence a Binha, e ironizou comentários que circulariam entre os moradores sobre a rotina e os bens de outras pessoas da cidade.
Questionamento sobre vídeo de Nikolas
Na primeira manifestação sobre o caso, publicada na quarta-feira (21/10), Pedro Campos questionou a maneira como Binha foi apresentado na gravação de Nikolas. Segundo o parlamentar pernambucano, o homem possui uma caminhonete Hilux e mora em uma casa com móveis novos, características que, na avaliação dele, contrastariam com a imagem transmitida pelo vídeo.
Campos também citou a esposa de Binha, Aline, que, segundo o deputado, confirmou que o veículo foi comprado com o dinheiro do trabalho do marido. O parlamentar afirmou ainda que a residência exibida por ele nas redes sociais seria a verdadeira casa do homem e sugeriu que a imagem apresentada no vídeo original teria sido alterada com um filtro.
As afirmações sobre a residência, o veículo e a edição das imagens foram feitas por Pedro Campos. Não há, nas informações apresentadas pelo deputado, uma verificação independente que confirme todas essas alegações.
O vídeo de Nikolas reúne depoimentos de moradores da região Nordeste com críticas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A gravação foi divulgada sob o título “O Nordeste que foi esquecido”.
Disputa política em torno do Nordeste
Na resposta, Pedro Campos também criticou a abordagem política do vídeo e acusou Nikolas Ferreira e o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, de utilizarem os depoimentos para construir uma representação negativa da região e criticar o governo Lula.
O deputado pernambucano citou investimentos federais em Luís Eduardo Magalhães, como recursos para a construção de uma Unidade Básica de Saúde (UBS), um Centro de Atenção Psicossocial (Caps), uma unidade odontológica móvel e duas ambulâncias. Ele também mencionou a construção de um hospital de câncer em Barreiras, município vizinho, e a instalação de um acelerador linear para radioterapia no interior da Bahia.
Em contraponto, Campos afirmou que o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) cortou R$ 840 mil que seriam destinados à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Luís Eduardo Magalhães, construída durante a gestão de Dilma Rousseff (PT).
Inaugurada em 2012, durante o governo Dilma, a unidade teve o incentivo financeiro suspenso em fevereiro de 2020, por determinação do Ministério da Saúde, sob a justificativa de descumprimento de requisitos previstos nas normas federais.
Ao final da publicação anterior, Campos também mencionou o assentamento Rio das Ondas, na zona rural de Luís Eduardo Magalhães, onde, segundo ele, teriam ocorrido as gravações. O deputado afirmou que Lula venceu no local no primeiro turno das eleições.
TSE pede à Meta explicações sobre alcance de vídeo de Nikolas
A publicação de Nikolas Ferreira foi divulgada na terça-feira (20/10) e utiliza uma versão instrumental da música “Grão de areia”, parceria de Rubel com Xande de Pilares. O deputado mineiro afirmou que o cantor teria acionado a gravadora Sony Music Brasil para retirar o áudio do conteúdo.
A Meta, responsável pelo Instagram e pelo Facebook, confirmou que o som foi removido após uma solicitação relacionada a direitos autorais, mas não identificou quem fez o pedido. Portanto, não há confirmação independente de que Rubel tenha sido o responsável pela solicitação, como alegou Nikolas.
Após a retirada do áudio, o parlamentar mineiro criticou a medida nas redes sociais e afirmou que os moradores retratados no vídeo estariam sendo silenciados. A publicação, no entanto, permaneceu disponível. Mesmo sem áudio, o vídeo publicado por Nikolas seguiu acumulando milhões de visualizações.
Com isso, nesta quinta-feira, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) deu prazo de 12 horas para que a Meta apresente esclarecimentos e forneça dados sobre a amplificação algorítmica de conteúdos publicados no perfil do deputado. A determinação foi proferida pelo corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, que estabeleceu multa de R$ 100 mil por hora de atraso no cumprimento da ordem.
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A decisão atende a um pedido apresentado pela campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no âmbito de uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE). A representação aponta indícios de possível favorecimento do algoritmo da Meta ao perfil do parlamentar.
