APOIO A LULA

Joice Hasselmann: "Fui a primeira a denunciar a minuta do golpe"

Joice afirma que passou a denunciar irregularidades ainda em 2019, primeiro ano do governo Bolsonaro, depois de se decepcionar com o grupo político

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A ex-deputada federal Joice Hasselmann afirmou, nesta quinta-feira (22/10), que foi a primeira pessoa a denunciar a existência de uma minuta golpista que estaria guardada no gabinete do então presidente Jair Bolsonaro (PL). Em vídeo publicado nas redes sociais, ela declarou apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais e relembrou o rompimento com antigos aliados do bolsonarismo.

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“Fui a primeira a denunciar a existência da minuta do golpe que estava na gaveta do presidente da República. Levei informação ao presidente do STF”, declarou a ex-parlamentar, sem detalhar, no vídeo, a ocasião em que teria feito o relato ao Supremo Tribunal Federal (STF).

É importante distinguir esse relato das minutas golpistas identificadas nas investigações sobre a tentativa de impedir a posse de Lula após as eleições de 2022. Sobre o relato de Joice, ela afirmou que Mourão lhe contou, em junho de 2019, que havia uma minuta pronta para ser assinada por Bolsonaro. No entanto, ela disse que não viu o documento nem apresentou uma cópia. À época, Mourão negou a conversa relatada por ela. 

Sobre as minutas de 2022: a existência de documentos com propostas de ruptura institucional foi corroborada por elementos de investigação e depoimentos. A Polícia Federal encontrou uma minuta na casa do ex-ministro Anderson Torres, em janeiro de 2023, e o ex-comandante do Exército Marco Antônio Freire Gomes relatou que Bolsonaro apresentou um documento com medidas golpistas em reunião em dezembro de 2022. 

Joice afirma que passou a denunciar irregularidades ainda em 2019, primeiro ano do governo Bolsonaro, depois de se decepcionar com o grupo político que havia ajudado a eleger. Na época, ela era uma das principais aliadas do então presidente e teve atuação de destaque na política nacional.

“Eu perdi poder, aliados, base, fui agredida, grampeada, perseguida, espancada, mas não desisti. O tempo mostrou e comprovou que tudo que eu denunciei, debaixo de um linchamento moral, aconteceu”, afirmou.

A ex-deputada também disse ter presenciado, durante sua aproximação com o grupo político, situações que considera evidências de corrupção envolvendo o ex-presidente e familiares. “Eu errei em ajudar, mas não poderia ficar de braços cruzados, então, denunciei tudo, ainda em 2019”, declarou.

Apoio a Lula

Apesar do histórico de oposição aos governos petistas, Joice Hasselmann anunciou voto em Lula no segundo turno, marcado para domingo (26/10). A ex-parlamentar argumenta que a disputa não coloca os dois grupos políticos em condições equivalentes, sobretudo no que diz respeito ao compromisso com a democracia.

“Um tem ideias que combato há décadas, mas dentro das regras da democracia. O outro, a família miliciana, ligada a facções criminosas, a família capaz de qualquer coisa, inclusive de mandar matar”, afirmou, ao fazer críticas à família Bolsonaro.

A ex-deputada também questionou se Flávio Bolsonaro (PL) respeitaria as regras democráticas caso fosse eleito presidente. Para ela, o grupo político ligado ao senador representa uma ameaça à alternância de poder.

“Alguém em sã consciência acha que o clã pró-golpe vai aceitar uma pessoa que não tenha o sobrenome Bolsonaro na disputa pela Presidência?”, questionou.

Ao justificar o voto em Lula, Joice ressaltou que pretende continuar fazendo oposição ao governo petista, mas dentro das regras democráticas. “Dia 26, volto ao debate de ideias. Sim, volto à oposição, mas dentro do processo democrático, onde é possível fazer oposição. Voto Lula, sem meias palavras, sem hipocrisia”, declarou.

Ela também mencionou a relação de Flávio Bolsonaro com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ligado ao escândalo do Banco Master, e previu consequências judiciais para o senador. “Eu acertei todas as previsões”, disse.

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Ao encerrar o vídeo, Joice afirmou estar ciente das críticas que receberá por declarar apoio ao petista, mas reiterou que considera a defesa da democracia uma prioridade. “Entre discordar e o mal maior, eu fico com as regras do jogo. Eu voto em Lula no domingo. Dia 26, haverá jogo”, concluiu.

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