O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) anunciou na terça-feira (13/10) que vai votar a favor da proposta de emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala 6x1. Desde maio, ele vinha tratando a proposta como manobra eleitoral do governo e chegou a classificá-la como “hipocrisia”. O plenário do Senado deve votar a PEC nesta quarta-feira (14/10), a 12 dias do segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A mudança foi decidida depois que fracassaram as tentativas de convencer o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), a deixar a votação para depois da eleição. Nas últimas semanas, Lula vinha cobrando publicamente que Flávio explicasse por que era contra a proposta. Segundo a PlatôBR, o candidato do PL ouviu os senadores Rogério Marinho (PL-RN), coordenador de sua campanha e autor de uma proposta alternativa, Tereza Cristina (PP-MS) e Eduardo Gomes (PL-TO), além do presidente do partido, Valdemar Costa Neto. Para Valdemar, insistir em derrubar ou adiar o texto seria “dar murro em ponta de faca”. A bancada do PL foi liberada para votar como quiser.

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O apoio, porém, vem com ressalvas. Ao anunciar o voto, Flávio disse defender “algo ainda melhor”, em referência à proposta de Marinho, que prevê jornada flexível paga por hora e negociada diretamente entre empregador e empregado. Segundo a coluna Painel, da Folha de S.Paulo, o senador garantiu a aliados e empresários que, se eleito, vai rever pontos da PEC. O ex-presidente Michel Temer (MDB) teria ficado encarregado de acalmar o mercado, de acordo com integrantes da cúpula do PL.

O que Flávio disse sobre a PEC

19 de maio, uma semana antes da aprovação da PEC pela Câmara:
“Todo mundo é a favor que se trabalhe menos e se ganhe mais. Só que, infelizmente, não é a realidade estar nesse projeto de lei apresentado pelo governo em ano eleitoral, com grande carga de hipocrisia e interesse nas eleições.”

29 de agosto, em agenda em São Paulo, ao sugerir uma alternativa à PEC:
“Nós vamos fazer muito melhor para os trabalhadores brasileiros. Nós vamos trabalhar pela liberdade, para que o trabalhador brasileiro possa escolher a sua própria carga de horário, como é que vai trabalhar.”

6 de outubro, dois dias após o primeiro turno, ao criticar Lula:
“Lula, em quatro anos, não faz. Agora, no meio do segundo turno, vem de forma oportunista querer fazer um movimento, achando que isso vai dar voto. Tenho uma proposta melhor, dar liberdade para o trabalhador escolher a sua própria carga horária.”

7 de outubro, ao questionar as prioridades do governo:
“Ele (Lula) está pensando no poder, não está pensando no trabalhador. Se ele estivesse pensando no trabalhador, já tinha reduzido a carga tributária sobre a folha de pagamento, para o trabalhador ficar com seu dinheiro.”

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13 de outubro, véspera da votação no Senado, depois de visitar o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro:
“Vou votar a favor. A maioria dos trabalhadores brasileiros quer o fim da escala 6x1. Então, eu vou votar a favor do fim da 6x1. Só que a gente defende algo ainda melhor.”

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