O que pesou na decisão de Flávio Bolsonaro de apoiar a PEC da 6×1
O candidato do PL à Presidência da República anunciou na manhã desta terça-feira que votará a favor da proposta. Bancada do PL será liberada para se posicionar como bem entender
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Ao anunciar que votará a favor da proposta que acaba com a escala de trabalho 6×1, o senador Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência da República, tenta tirar do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, seu adversário no segundo turno da corrida presidencial, a possibilidade de surfar sozinho na medida. Nas últimas semanas, Lula vinha desafiando Flávio a dizer claramente por que era contra a proposta. Por um cálculo essencialmente eleitoral, o candidato do PL agora diz ter percebido que a “maioria dos trabalhadores brasileiros quer o fim da escala 6×1”. Ao mesmo tempo, ele fez uma ressalva: afirmou que defende “algo ainda melhor”, referindo-se à proposta de seu próprio partido que prevê o pagamento por horas trabalhadas.
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O discurso de Flávio Bolsonaro foi cuidadosamente construído nos últimos dias e o anúncio foi feito após esgotarem as tentativas de demover o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) de colocar a proposta em votação nesse segundo turno. Dois aliados de Flávio tiveram papel fundamental. Coube ao senador e governador eleito de Minas Gerais Cleitinho Azevedo (Republicanos) preparar o anúncio, ainda na semana passada, ao dizer que o presidenciável do PL havia se comprometido a votar a favor da redução da jornada. Em outra frente, o ex-presidente Michel Temer (MDB) se encarregou de “acalmar o mercado”, de acordo com integrantes da cúpula do PL, sinalizando que o apoio de Flávio à proposta é algo que, neste momento, tem por objetivo “ganhar as eleições” — não significa, portanto, que a proposta do PL do pagamento por horas trabalhadas será abandonada.
Flávio Bolsonaro se aconselhou ainda com três senadores envolvidos na tentativa frustrada de fazer Alcolumbre deixar a votação para depois das eleições: o coordenador de sua campanha, Rogério Marinho (PL-RN), autor da proposta alternativa, Tereza Cristina (PP-MS) e Eduardo Gomes (PL-TO). Antes do anúncio da decisão de votar a favor da PEC da 6×1, ele ouviu também o presidente do PL, Valdemar da Costa Neto, para quem seguir brigando para derrubar a proposta ou mesmo pelo adiamento da votação seria “dar murro em ponta de faca”. “Houve um consenso. Valdemar participou disso também”, diz um aliado.
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Integrantes da campanha têm aconselhado Flávio a não fazer movimentos radicais neste momento em que ele está à frente de Lula, a menos de duas semanas para o segundo turno. “Depois a gente pensa o que vai fazer, o que for melhor para a nação”, afirma outro parceiro do candidato do PL, sob reserva. A ideia agora é que o PL libere sua bancada para votar como bem entender. Ainda na semana passada, Alcolumbre anunciou que PEC levará a PEC a votação no plenário nesta quarta-feira, 14.