Movimentos estudantis de duas universidades públicas de Minas Gerais vão realizar nesta sexta-feira (9/10) protestos a favor da candidatura à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e contra o senador Flávio Bolsonaro (PL), que tenta o cargo pela primeira vez. Organizadores alertam que os estudantes têm sofrido ameaças nos últimos dias, mas dizem que estão firmes no propósito de se manifestar pela "defesa das pautas estudantis e da valorização da ciência".
Em Belo Horizonte, o Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) promove um ato na Praça Afonso Arinos, no Centro, às 17h. Também haverá um plenário com estudantes, professores e técnicos no Campus Pampulha para discutir a mobilização pela reeleição do presidente.
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Em Ouro Preto, o DCE da Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop) convocou uma assembleia geral estudantil para o mesmo dia, em frente à sala do diretório, para discutir o futuro da universidade, o posicionamento da comunidade e os impactos das decisões políticas sobre a educação pública.
Além de Minas, estão programadas manifestações pró-Lula em vários estados. Até esta quinta-feira (9/10), estavam previstos atos em São Paulo, Paraná, Espírito Santo, Ceará, Rio Grande do Sul, Bahia, Sergipe, Pará, Distrito Federal, Pernambuco, Rio de Janeiro e Maranhão. As manifestações pelo país começaram no início desta semana. No Rio, milhares de estudantes saíram às ruas em defesa de Lula.
A atuação estudantil, no entanto, sofre ataques e tentativas de desmobilização. As ameaças, que incluem um áudio que circula nas redes fazendo referência à possibilidade de ações violentas, furtos, roubos e agressões contra manifestantes, além de possíveis danos ao patrimônio público, especialmente às instalações da universidade, foram denunciadas em um boletim de ocorrência pelo deputado federal Rogério Correia (PT-MG), que avaliou que há risco de incitação à violência.
Em entrevista ao Estado de Minas, a estudante de relações econômicas internacionais Sara Soares, do Diretório do coletivo "Juntos!", declarou que grupos de oposição tentam impedir a participação dos estudantes nos atos. Apesar disso, ela afirma que o movimento acredita que a manifestação em BH será uma das maiores da história recente da cidade. Para ela, as tentativas de impedimento podem produzir efeito contrário ao pretendido. "Essa tentativa da extrema-direita é um tiro que vai sair pela culatra", afirmou. Segundo ela, pelo menos 300 pessoas confirmaram participação no ato. O número corresponde a seis ônibus solicitados pelo movimento, com possibilidade de ampliação.
A mobilização, segundo Sara Soares, é uma resposta ao resultado do primeiro turno da disputa pela Presidência da República. "Nós estamos nos organizando nacionalmente para construir história no Brasil. E reeleger um presidente que perdeu no primeiro turno", afirmou. Para a liderança, a mobilização nacional estudantil está relacionada à preocupação dos estudantes com os efeitos de um eventual novo governo da família Bolsonaro sobre as universidades públicas. "Ninguém está disposto na universidade a ver e colher os frutos, inclusive nas próximas gerações, do que significa um novo governo da família Bolsonaro", declarou.
Ouro Preto
Em Ouro Preto, estudantes da Universidade Federal também relatam ameaças durante a mobilização para os atos do segundo turno. O coordenador-geral do Diretório Central dos Estudantes (DCE), João Vitor de Castro Paula Nunes, afirma que foram recebidos áudios com discurso de ódio e ameaças de morte.
Um dos alvos é o estudante de engenharia urbana da Ufop Zion Trevisani. Ex-aluno do Instituto Federal de Minas Gerais (IFMG), ele relatou à reportagem ter recebido prints de um grupo de WhatsApp no qual foi compartilhado um vídeo publicado por ele sobre propostas de Flávio Bolsonaro para as universidades federais. Entre as mensagens, uma dizia que o estudante deveria ser "fuzilado".
Zion registrou um boletim de ocorrência e afirma que outras pessoas ligadas a movimentos estudantis também foram ameaçadas. Segundo ele, o grupo reunia principalmente estudantes do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Minas Gerais (IFMG) de Ouro Preto, além de professores e pessoas que não pertencem à instituição. Um dos professores, de acordo com o estudante, teria minimizado o conteúdo das mensagens.
Zion afirma ainda que os responsáveis pelo grêmio do IFMG estão em contato com a direção e setores da instituição para cobrar providências. Para ele, o episódio ultrapassa a disputa entre Flávio e Lula e envolve a segurança dos estudantes.
Apesar dos ataques, a mobilização será mantida. Para garantir a segurança, duas viaturas devem acompanhar a manifestação, que também teve o planejamento discutido com a Prefeitura de Ouro Preto. A programação começa às 15h, com uma assembleia geral dos estudantes em frente à sala do DCE. Às 16h, haverá uma oficina de cartazes e, entre 17h e 17h30, os participantes devem seguir até o Sindicato dos Técnicos Administrativos da Ufop. No local, está prevista uma reunião plenária às 19h.
Segundo João Vitor, diferentes grupos estudantis se uniram para organizar o ato, que também terá participação de movimentos sociais. Para os estudantes do campus de Mariana, foi disponibilizado um ônibus pelo sindicato dos professores e docentes da Ufop.
Polícia
Procurado pela reportagem, o IFMG informou que já adotou medidas administrativas e legais após a circulação de mensagens de teor violento em um grupo de aplicativo. Segundo a instituição, foram registrados boletim de ocorrência e denúncia à Polícia Federal, além do acionamento de órgãos de segurança pública estaduais e federais. Os estudantes identificados serão chamados para prestar esclarecimentos e responderão aos procedimentos cabíveis.
O IFMG destacou que o grupo, apesar de utilizar o nome da instituição, não é um canal oficial e que seu conteúdo não representa o posicionamento do campus. A direção afirmou não compactuar com ameaças, violência, intimidação ou discurso de ódio e reforçou o compromisso com a democracia, a diversidade de ideias e a liberdade de expressão. A instituição também pediu que a comunidade evite confrontos, exposições indevidas e a disseminação de informações não verificadas enquanto os fatos são apurados.
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Procurada, a Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) informou que estará presente no ato desta sexta "desempenhando suas atribuições constitucionais para garantir a segurança de todos, o direito de livre manifestação e a preservação da ordem pública".
