Em plena disputa eleitoral de outubro de 2026, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) parece estar mais isolado do que nunca. A avaliação é de antigos aliados que participaram de campanhas anteriores e agora observam um presidente cercado por interlocutores que raramente o contestam, criando um ambiente de poucas críticas diretas e francas.
De acordo com relatos de petistas históricos ao Uol, esta corrida eleitoral está sendo marcada por um clima de intriga e disputas de poder nos bastidores. Fofocas, apelidos maldosos e comentários venenosos circulam entre diferentes grupos, enquanto Lula toma mais decisões por conta própria, contrariando sua prática antiga de ouvir diversas opiniões antes de dar a palavra final.
Leia Mais
-
Como deverá ser a influência de Janja na campanha de Lula à reeleição
-
Janja vira ponta de lança na ofensiva petista contra Flávio Bolsonaro
-
Lula sobre Janja: 'Cuida de mim de uma forma muito especial'
O fator Janja
Parte do distanciamento de antigos conselheiros é atribuída à primeira-dama, Rosângela da Silva, a Janja. A queixa corrente é que ela dificulta a aproximação de figuras históricas, privilegiando o acesso de pessoas de seu círculo de amizade. Alguns desses aliados de longa data lembram que não foram convidados para o casamento do presidente, que contou com artistas e ex-participantes de reality shows.
Entre os que têm acesso facilitado por Janja está o advogado Marco Aurélio de Carvalho, líder do grupo Prerrogativas. Ele nega a influência da primeira-dama nesse processo. "Posso me dar bem com Janja, mas sou militante do PT desde os 16 anos", afirma Carvalho, defendendo que o método de Lula de ouvir diferentes lados continua o mesmo.
Disputas e críticas internas
Outro alvo de críticas é Edinho Silva, coordenador-geral da campanha. Pessoas próximas o acusam de focar na própria candidatura a deputado federal e de contribuir para o isolamento de Lula. Edinho nega e afirma que se reúne com o presidente a cada dois dias, destacando que "críticas numa campanha presidencial desse tamanho sempre vão existir".
Da chamada velha guarda, nomes como Gilberto Carvalho e Paulo Okamoto ainda participam, mas a interlocução principal de Lula é com quadros como Fernando Haddad, Camilo Santana, Rui Costa e Jacques Wagner. A dinâmica, no entanto, mudou, e o resultado é um presidente que parece blindado a questionamentos mais duros.
Reflexos na militância
Esse "encastelamento" do presidente, segundo um coordenador de uma campanha vitoriosa anterior, impacta diretamente a militância. Ele critica a estrutura dos palcos dos comícios, em formato de T, uma decisão atribuída a Janja, que permite a Lula cumprimentar o público de cima. "É como se ele fosse um artista", avalia um parlamentar histórico do partido.
Dirigentes petistas relatam receber reclamações de candidatos que, ao receberem o presidente em suas cidades, não têm seus nomes mencionados nos eventos. Outro ponto de atrito é a contratação de cabos eleitorais, o que estaria desestimulando militantes antigos a irem para as ruas voluntariamente.
Um exemplo de conflito interno ocorreu no Rio de Janeiro. O presidente do diretório estadual, Washington Quaquá, determinou que o número 1313 para deputado federal fosse para seu filho, Diego Quaquá, gerando protestos de Lindberg Faria e Marcelo Freixo.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
Nas últimas semanas da campanha, Lula teria recebido um "puxão de orelha" de um amigo antigo por sua demora em enviar ao Senado o projeto de lei com o fim da escala 6×1 e por um comentário polêmico sobre meninas aprenderem a "tomar toque desde pequena". Para esse aliado, em momentos assim, falta quem diga ao presidente, com todas as letras, que ele "fez m*rda".
